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Evolução do mercado: Sementes e grãos oleaginosos (CN 12) — 2015–2025

Introdução

A posição 12 da Nomenclatura Combinada (NC 12) — "Sementes e frutos oleaginosos; grãos, sementes e frutos diversos; plantas industriais ou medicinais; palhas e forragens" — abrange um conjunto vasto de produtos essenciais para a indústria alimentar, a pecuária e a produção de biocombustíveis. Entre 2015 e 2025, o comércio externo da União Europeia nesta posição registou transformações profundas, tanto na dimensão dos fluxos como na sua estrutura geográfica e sectorial.

O período em análise é marcado por uma trajetória de crescimento sustentado das importações e exportações, mas também por dois acontecimentos de grande impacto: a pandemia de COVID-19 (2020–2021) e a escalada de preços internacionais associada ao conflito na Ucrânia (2022). Estes choques não só aceleraram tendências já em curso, como reconfiguraram parcialmente as cadeias de abastecimento europeias.

Visão geral da posição NC 12 no período 2015–2025


1. Crescimento acentuado dos fluxos comerciais com aprofundamento do déficit estrutural

1.1 As importações quase duplicaram em valor, apesar de o volume ter crescido a ritmo inferior

O valor das importações da UE em produtos da NC 12 com países terceiros passou de 9 626 M€ em 2015 para 14 421 M€ em 2025, correspondendo a um aumento de 49,8 %. Em termos de volume, o crescimento foi mais moderado — de 19,2 Mt para 24,4 Mt (+26,6 %) — o que evidencia que uma parte significativa do crescimento nominal se deveu à subida dos preços médios de importação (de 500 €/t para 592 €/t).

Indicador 2015 2025 Variação
Valor das importações 9 626 M€ 14 421 M€ +49,8 %
Volume das importações 19,2 Mt 24,4 Mt +26,6 %
Preço médio de importação 500 €/t 592 €/t +18,3 %

Dados de comércio geral

1.2 As exportações europeias cresceram ainda mais rapidamente, mas a balança comercial continua fortemente deficitária

As exportações da UE para países terceiros praticamente duplicaram: de 3 132 M€ em 2015 para 5 836 M€ em 2025 (+86,3 %), com o volume a subir de 3,7 Mt para 5,6 Mt (+51,5 %). Apesar deste crescimento acelerado, o déficit comercial da posição NC 12 agravou-se de 6 494 M€ em 2015 para 8 585 M€ em 2025 (+32,2 %), tendo atingido um máximo de 13 693 M€ em 2022.

Indicador 2015 2022 (máx.) 2025 Variação 2015–2025
Valor das exportações 3 132 M€ 5 153 M€ 5 836 M€ +86,3 %
Balança comercial −6 494 M€ −13 693 M€ −8 585 M€ +32,2 %
Dependência líquida de importações −0,6 % 51,9 % 51,9 %

O facto de a dependência líquida de importações ter passado de praticamente nula (−0,6 %) para mais de 51,9 % em 2025 é um dos indicadores mais relevantes deste período: a UE tornou-se significativamente mais dependente do exterior para o abastecimento nestas categorias de produtos.

Indicadores de autonomia e vulnerabilidade

1.3 A soja e a colza dominam a estrutura das importações; as forragens e sementes para sementeira lideram as exportações

A decomposição por subposição revela uma assimetria estrutural clara. Do lado das importações, a soja (NC 1201) é de longe o produto dominante, representando a maior parte do volume e do valor. Em 2025, as importações de soja atingiram 14,2 Mt por um valor de 5 598 M€, embora estejam abaixo do pico de 2022 (8 349 M€). As sementes de colza (NC 1205) constituem a segunda maior categoria, com 6,9 Mt e 3 478 M€ em 2025.

Subposição Volume importado 2025 (Mt) Valor importado 2025 (M€) Variação valor 2015–2025
1201 — Soja 14,2 5 598 +11,9 %
1205 — Colza 6,9 3 478 +181,6 %
1206 — Girassol 0,59 648 +95,2 %
1202 — Amendoins 0,70 1 027 +41,1 %
1207 — Outras sementes oleaginosas 0,57 866 +55,9 %
1209 — Sementes para sementeira 0,22 950 +50,8 %
1204 — Linhaça 0,62 364 +21,1 %

Do lado das exportações, a posição NC 1209 (sementes para sementeira) é o segmento de maior valor — 2 717 M€ em 2025, com crescimento contínuo ao longo de todo o período (+89,2 %). Seguem-se as forragens (NC 1214, 384 M€), as sementes de girassol (NC 1206, 942 M€) e a colza (NC 1205, 427 M€).

Subposição Volume exportado 2025 (kt) Valor exportado 2025 (M€) Variação valor 2015–2025
1209 — Sementes para sementeira 123 2 717 +89,2 %
1206 — Girassol 1 217 942 +184,9 %
1214 — Forragens 1 660 384 +0,5 %
1205 — Colza 643 427 +147,0 %
1213 — Palhas e cascas 861 135 +140,0 %
1212 — Alfarroba, algas e outros 434 137 +106,7 %
1201 — Soja 310 148 +66,4 %

Comparação por segmento de produto


2. O choque de preços de 2022 e a reconfiguração geográfica do abastecimento

2.1 Os preços internacionais atingiram máximos históricos em 2022, comprimindo o poder de compra europeu

O período 2021–2022 foi marcado por uma escalada sem precedentes dos preços. O preço médio de importação da posição NC 12 subiu de 500 €/t em 2015 para 757 €/t em 2022 — o máximo do período analisado — antes de recuar para 592 €/t em 2025. Esta subida de 51 % entre 2015 e 2022 reflete a conjugação de fatores como a seca na América do Sul, os custos de transporte elevados no pós-pandemia e, sobretudo, o impacto do conflito na Ucrânia sobre as exportações de grãos e oleaginosas do Mar Negro.

O preço médio de exportação da UE acompanhou esta dinâmica, subindo de 844 €/t para 1 245 €/t em 2022 (máximo do período) e recuando para 1 039 €/t em 2025.

Preço médio (€/t) 2015 2022 (máx.) 2025 Variação 2015–2025
Importações 500 757 592 +18,3 %
Exportações 844 1 245 1 039 +23,0 %

A volatilidade dos preços é particularmente visível em subcategorias como a soja (NC 1201), cujo preço de importação passou de 370 €/t em 2015 para 595 €/t em 2022, e a colza (NC 1205), que saltou de 397 €/t para 704 €/t no mesmo período.

2.2 Os choques de abastecimento mais significativos afetaram as exportações para a Rússia e as importações da Ucrânia

A análise de choques de abastecimento identifica três eventos de grande magnitude no período:

  1. Exportações para a Rússia (2022): choque de preço com um desvio de 256 % e uma variação de +293,8 %, correspondendo a 16,3 % do valor total das exportações. Este fenómeno está associado à reorientação de fluxos comerciais e ao efeito das sanções.
  2. Exportações para os Emirados Árabes Unidos (2022): choque de preço com desvio de 86,3 % e variação de +50,4 % (7,6 % do valor das exportações).
  3. Importações da Ucrânia (2021): choque de preço com desvio de 23,2 % e variação de +50,2 %, representando 16,8 % do valor das importações — um precursor do impacto mais profundo que viria a verificar-se em 2022.

Eventos de choque de abastecimento

2.3 A Ucrânia tornou-se um parceiro de elevada volatilidade, enquanto o Brasil e os EUA mantiveram o domínio das importações

A geografia das importações da UE sofreu alterações notáveis ao longo do período. Os dois maiores fornecedores — Brasil e Estados Unidos — mantiveram o domínio, com importações a crescerem de 2 010 M€ e 2 183 M€ em 2015 para 2 416 M€ e 2 608 M€ em 2025, respetivamente. No entanto, os parceiros que mais cresceram em termos proporcionais foram a Austrália (+191,1 %), o Canadá (+145,9 %) e a Ucrânia (+137,4 %).

Fornecedor Valor 2015 (M€) Valor 2025 (M€) Variação
Brasil 2 010 2 416 +20,2 %
Estados Unidos 2 183 2 608 +19,5 %
Ucrânia 656 1 558 +137,4 %
Austrália 585 1 702 +191,1 %
Canadá 613 1 508 +145,9 %
Argentina 468 762 +62,7 %
Paraguai 448 63 −86,0 %

O caso do Paraguai é particularmente notável: as importações caíram de 448 M€ para apenas 63 M€ (−86,0 %), refletindo possivelmente uma reorientação das cadeias de abastecimento de soja sul-americanas, com o Brasil a capturar quota acrescida.

A volatilidade dos fluxos (medida pelo coeficiente de variação) é significativamente mais elevada em parceiros como o Paraguai (CV = 1,34), o Uruguai (CV = 1,03), o Canadá (CV = 0,51) e a Ucrânia (CV = 0,41), sublinhando a instabilidade destas cadeias de fornecimento.

Volatilidade por parceiro


3. A emergência de novos polos de exportação europeia e o reforço da especialização de Leste

3.1 A Turquia e o Reino Unido tornaram-se os destinos mais dinâmicos das exportações europeias

Do lado das exportações, a reconfiguração geográfica é igualmente marcante. A Turquia passou de 300 M€ em 2015 para 748 M€ em 2025 (+149,0 %), tornando-se o destino de maior crescimento absoluto. O Reino Unido, o maior parceiro exportador da UE, cresceu de 373 M€ para 683 M€ (+83,3 %), refletindo parcialmente a consolidação de fluxos pós-Brexit. A Arábia Saudita (+116,1 %), a China (+103,5 %) e a Sérvia (+100,3 %) completam o leque de destinos com crescimento mais expressivo.

Destino Valor 2015 (M€) Valor 2025 (M€) Variação
Reino Unido 373 683 +83,3 %
Turquia 300 748 +149,0 %
Suíça 176 332 +88,2 %
China 125 254 +103,5 %
Arábia Saudita 75 161 +116,1 %
Sérvia 77 154 +100,3 %
Emirados Árabes Unidos 231 122 −47,2 %

A contração das exportações para os Emirados Árabes Unidos (−47,2 %) constitui a única exceção de um parceiro principal que perdeu relevância ao longo do período, possivelmente relacionada com a concorrência de fornecedores alternativos na região do Golfo.

3.2 Os Estados-Membros da Europa de Leste consolidaram-se como exportadores líquidos especializados

A análise de especialização revela uma clivagem geográfica dentro da UE. Os cinco Estados-Membros mais especializados na posição NC 12 são todos da Europa Central e Oriental:

Estado-Membro RCA RSCA Quota na produção UE
Roménia 6,80 0,74 11,3 %
Bulgária 4,93 0,66 3,1 %
Letónia 4,81 0,66 1,6 %
Lituânia 3,11 0,51 1,9 %
Croácia 2,16 0,37 0,9 %

A Roménia é, de longe, o caso mais emblemático: com um índice de vantagem comparativa revelada (RCA) de 6,80, o seu valor de exportação cresceu de 155 M€ em 2015 para 629 M€ em 2025 (+305,3 %), impulsionado sobretudo pelas exportações de colza, girassol e forragens. A Bulgária segue uma trajetória semelhante, com crescimento de 164 M€ para 372 M€ (+126,7 %).

Indicadores de especialização

3.3 A concentração das importações diminuiu ligeiramente, refletindo uma diversificação dos fornecedores

O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações da UE em valor desceu de 1 182 em 2015 para 1 077 em 2025 (−8,9 %), sinal de uma ligeira diversificação da base de fornecedores. Apesar de o Brasil e os EUA continuarem a dominar, a quota combinada destes dois parceiros diminuiu face ao crescimento da Austrália, do Canadá e — até 2022 — da Ucrânia.

Já o HHI das exportações se manteve estável (de 552 para 542), sugerindo que a distribuição das exportações europeias por destino se manteve relativamente diversificada.

HHI (valor) 2015 2022 2025 Variação
Importações 1 182 1 074 1 077 −8,9 %
Exportações 552 570 542 −1,8 %

Índices de concentração


Conclusão

O período 2015–2025 foi transformador para o comércio externo da UE em produtos da posição NC 12. Os principais resultados podem sintetizar-se em quatro conclusões:

  1. Déficit estrutural agravado. Apesar de as exportações terem crescido mais rapidamente do que as importações (+86 % vs. +50 % em valor), a balança comercial permanece fortemente negativa (−8,6 mil milhões de euros em 2025), e a dependência líquida de importações consolidou-se acima dos 50 %.

  2. Preço como motor do crescimento nominal. Grande parte do aumento do valor do comércio deve-se à subida dos preços internacionais, particularmente entre 2021 e 2022, e não apenas ao crescimento dos volumes. A normalização parcial dos preços após 2022 trouxe algum alívio, mas os níveis de 2025 permanecem acima dos de 2015.

  3. Reconfiguração das cadeias de abastecimento. O conflito na Ucrânia e as sanções à Rússia reorientaram fluxos comerciais: a Austrália e o Canadá ganharam relevância como fornecedores de oleaginosas, o Paraguai perdeu quase toda a sua quota, e as exportações europeias redirecionaram-se para a Turquia e a Arábia Saudita.

  4. Especialização da Europa de Leste na produção e exportação. A Roménia, a Bulgária e os Estados Bálticos consolidaram-se como polos de exportação especializados em colza, girassol e forragens, contribuindo para a resiliência da oferta europeia e para a diversificação da base exportadora da UE.

Em suma, o comércio da UE na posição NC 12 tornou-se mais volumoso, mais caro, mais dependente do exterior e geograficamente mais diversificado — mas continua exposto a riscos significativos de abastecimento, sobretudo em soja, cujo fornecimento permanece altamente concentrado no Brasil e nos Estados Unidos.

Dados completos do painel de comércio

Gerado em 2026-08-07. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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