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Evolução do mercado: Preparações de cereais (CN 19) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) no setor das preparações à base de cereais, farinhas, amidos, féculas ou leite e produtos de pastelaria (posição aduaneira CN 19) ao longo do período 2015–2025. Este setor abrange uma vasta gama de produtos — desde massas alimentícias (CN 1902), produtos de padaria e pastelaria (CN 1905), extratos de malte e preparações alimentícias (CN 1901), cereais expandidos ou torrados (CN 1904) até tapioca e seus sucedâneos (CN 1903) — constituindo um segmento relevante da indústria alimentar europeia.

O período em análise foi marcado por acontecimentos significativos: o crescimento económico pós-crise financeira, a pandemia de COVID-19 (2020), a invasão da Ucrânia e a subsequente crise energética e inflacionária (2022), e as crescentes tensões geopolíticas que reconfiguraram as cadeias de abastecimento globais. A análise incide sobre as tendências gerais do comércio, a estrutura de mercado e a especialização dos Estados-Membros, a volatilidade e os choques, bem como a autonomia e vulnerabilidade do bloco neste domínio.


1. Crescimento robusto e consolidação do superavit externo

A UE reforçou significativamente a sua posição exportadora entre 2015 e 2025

Ao longo do período analisado, as exportações da UE de preparações de cereais (CN 19) cresceram de €13.349 mil milhões em 2015 para €23.346 mil milhões em 2025, uma variação de +74,9%. Este crescimento foi sustentado tanto por uma expansão dos volumes exportados como pela valorização dos preços unitários.

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Exportações (valor, mil M €) 13.349 23.346 +74,9
Exportações (volume, mil t) 4.738 6.270 +32,3
Exportações (preço, €/t) 2.817 3.724 +32,2
Importações (valor, mil M €) 2.601 4.490 +72,6
Importações (volume, mil t) 1.156 1.679 +45,2
Importações (preço, €/t) 2.250 2.674 +18,9
Saldo comercial (mil M €) 10.747 18.856 +75,4

Fonte: Visão geral do comércio

O crescimento das exportações combinou ganhos de volume com uma dinâmica de preços favorável

O crescimento exportador repartiu-se de forma equilibrada entre volume (+32,3%) e preço (+32,2%), o que sugere que a UE não apenas expandiu a sua presença física nos mercados externos, mas também melhorou o valor unitário dos seus produtos. Este padrão pode refletir uma evolução favorável na mistura de produtos exportados (composição), uma maior agregação de valor ou, em parte, o efeito inflacionário dos últimos anos.

As importações cresceram a um ritmo comparável, mas com dinâmica distinta

As importações aumentaram 72,6% em valor, impulsionadas sobretudo por um crescimento mais acentuado dos volumes (+45,2%) face aos preços (+18,9%). Este desequilíbrio sugere que o crescimento das importações foi mais orientado por procura física do que por pressões inflacionárias, possivelmente refletindo a abertura do mercado europeu a fornecedores de custos mais competitivos.

O superavit comercial quase duplicou, reforçando a competitividade externa da UE

O saldo comercial passou de €10.747 mil milhões para €18.856 mil milhões (+75,4%), consolidando a posição da UE como exportador líquido líquido. A reliância líquida em importações agravou-se de -4,2% para -16,3%, o que, apesar de aparentar ser uma deterioração, na realidade traduz um reforço do superavit — a UE tornou-se ainda mais dependente das exportações do que das importações neste setor.


2. Reconfiguração geográfica e crescente diversificação das origens de abastecimento

O Reino Unido permanece como parceiro dominante, mas os mercados de destino das exportações diversificaram-se

O Reino Unido é, de longe, o principal parceiro comercial da UE neste setor, representando tanto a maior fonte de importações como o principal destino das exportações. Contudo, o crescimento mais espetacular registou-se noutros mercados.

Exportações — Top 7 parceiros (variação 2015→2025):

Parceiro 2015 (mil M €) 2025 (mil M €) Variação (%)
Reino Unido 3.351 6.144 +83,4
Estados Unidos 0.838 2.535 +202,5
China 1.398 2.686 +92,1
Suíça 0.584 1.088 +86,2
Noruega 0.425 0.677 +59,1
Arábia Saudita 0.702 0.743 +5,8
Federação Russa 0.426 0.378 -11,4

Fonte: Principais parceiros por valor

Os Estados Unidos tornaram-se o mercado de crescimento mais dinâmico para as exportações da UE

O crescimento de +202,5% nas exportações para os EUA é o mais expressivo entre os principais parceiros, refletindo provavelmente a crescente procura de produtos alimentares europeus de elevada qualidade no mercado norte-americano, bem como a expansão de cadeias de distribuição e marcas europeias naquele mercado.

A Rússia é o único parceiro de exportação do top 7 que registou uma contração

Com uma queda de -11,4%, a Rússia apresenta uma evolução negativa que se enquadra no contexto das sanções e das tensões geopolíticas crescentes, particularmente a partir de 2014 (Crimeia) e agravadas após 2022 (invasão da Ucrânia).

As importações revelam uma crescente abertura a fornecedores emergentes

Importações — Top 7 parceiros (variação 2015→2025):

Parceiro 2015 (mil M €) 2025 (mil M €) Variação (%)
Reino Unido 1.399 1.709 +22,2
Turquia 0.125 0.355 +183,9
Suíça 0.360 0.322 -10,5
China 0.108 0.322 +199,1
Tailândia 0.109 0.215 +97,7
Ucrânia 0.035 0.251 +618,9
Vietname 0.059 0.171 +191,0

Fonte: Principais parceiros por valor

A Ucrânia destaca-se como a origem de importações com maior crescimento relativo

O crescimento de +618,9% nas importações provenientes da Ucrânia é o mais significativo em termos percentuais. Este fenómeno reflete, em parte, o Acordo de Associação UE-Ucrânia (aplicação provisória desde 2016) e a liberalização comercial progressiva, embora a partir de 2022 as importações possam refletir também fluxos atípicos associados ao conflito. Note-se, porém, que a Ucrânia apresenta um coeficiente de variação elevado (0,41), indicando volatilidade significativa nestes fluxos.

A concentração das importações diminuiu substancialmente, refletindo a diversificação das fontes de abastecimento

O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações em valor desceu de 3.166 para 1.739 (-45,1%), saindo de um nível de concentração moderada para um nível considerado de baixa concentração. Por sua vez, o HHI das exportações manteve-se estável (de 925 para 1.028, +11,1%), indicando que os mercados de destino da UE permaneceram igualmente diversificados. Pode consultar estes dados no índice de concentração.


3. Evolução dos segmentos de produto: a pastelaria lidera, as massas alimentícias ganham peso nas importações

O segmento CN 1905 (produtos de padaria e pastelaria) domina tanto as exportações como as importações

A posição CN 1905 é, de forma consistente, o maior segmento em ambos os fluxos comerciais. Em 2025, as exportações de CN 1905 atingiram 2.457 mil toneladas e €10.641 mil milhões, enquanto as importações atingiram 849 mil toneladas e €2.354 mil milhões.

O crescimento das exportações de pastelaria foi impulsionado por ganhos de preço acima da média

Segmento Exportações 2015 (mil M €) Exportações 2025 (mil M €) Variação (%) Preço 2015 (€/t) Preço 2025 (€/t) Var. preço (%)
CN 1905 4.931 10.641 +115,8 2.984 4.331 +45,2
CN 1901 6.102 8.977 +47,1 3.857 4.561 +18,3
CN 1902 1.444 2.664 +84,5 1.292 1.730 +33,9
CN 1904 0.779 1.061 +36,2 2.099 3.495 +66,5
CN 1903 0.002 0.002 +35,1 1.732 2.688 +55,2

Fonte: Comparação por segmento de produto

O segmento CN 1904 (cereais expandidos/torrados) registou o maior aumento de preço unitário nas exportações (+66,5%)

Apesar de um crescimento modesto do volume exportado, o preço médio de exportação de CN 1904 subiu de €2.099/t para €3.495/t, o que pode refletir uma crescente valorização de produtos especializados como cereais de pequeno-almoço e snacks saudáveis nos mercados internacionais.

As importações de massas alimentícias (CN 1902) praticamente duplicaram em volume

As importações de CN 1902 cresceram de 226 mil toneladas em 2015 para 443 mil toneladas em 2025 (+96,1%), um crescimento mais acentuado que o das exportações do mesmo segmento (+37,9% em volume). Este fenómeno pode indicar uma crescente concorrência de fornecedores externos (possivelmente da Turquia e de países asiáticos) no mercado europeu de massas, embora a UE mantenha um superavit substancial neste segmento.

O segmento CN 1901 (extratos de malte e preparações alimentícias) apresenta uma evolução inversa nas importações

As importações de CN 1901 atingiram o pico de 294 mil toneladas em 2018, mas desceram para 178 mil toneladas em 2025 (-39,5% face ao pico). Em contraste, as exportações mantiveram-se robustas, rondando as 1.968 mil toneladas em 2025. Esta dinâmica sugere um reforço da capacidade produtiva europeia neste segmento ou uma alteração dos padrões de procura interna.


Conclusão

O setor das preparações de cereais (CN 19) na UE apresentou, entre 2015 e 2025, uma trajetória de crescimento robusto e sustentado. As exportações cresceram 74,9% em valor, superando significativamente o crescimento das importações em termos de valor unitário, o que reforçou a propensão exportadora da UE (de 6,0% para 17,3%) e a intensidade comercial (de 7,9% para 20,0%). O superavit comercial consolidou-se em €18.9 mil milhões, situando a UE como um exportador líquido de relevo global.

Do ponto de vista geográfico, observou-se uma clara diversificação das fontes de importação — com destaque para o crescimento exponencial das importações da Ucrânia (+618,9%), China (+199,1%) e Turquia (+183,9%) — ao mesmo tempo que os mercados de destino das exportações se mantiveram amplamente diversificados. Os choques de preço de 2022, visíveis em parceiros como a África do Sul, Sérvia e Emirados Árabes Unidos, evidenciam a sensibilidade do setor a perturbações nas cadeias de abastecimento e nos custos energéticos.

A análise por segmento revela que a pastelaria e produtos de padaria (CN 1905) consolidaram a sua posição como o motor principal do comércio, com preços de exportação crescentes que sugerem uma especialização em produtos de maior valor acrescentado. A especialização dos Estados-Membros é liderada pela Itália e Polónia, países com uma forte tradição nestas indústrias. Em suma, o setor demonstrou resiliência face a múltiplos choques exógenos e reforçou a sua competitividade internacional, beneficiando da crescente procura global por produtos alimentares europeus de qualidade.

Gerado em 2026-08-07. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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