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Evolução do mercado: Relógios e suas partes (CN 91) — 2015–2025

Introdução

O setor de artigos de relojoaria (posição aduaneira CN 91) constitui um segmento estratégico do comércio externo da União Europeia, abrangendo desde relógios de pulso de luxo até mecanismos, pulseiras e aparelhos de controlo do tempo. Entre 2015 e 2025, o setor sofreu transformações profundas marcadas por uma clara transição para produtos de maior valor unitário, a consolidação da Suíça como parceiro dominante e os impactos da pandemia de COVID-19. Este relatório analisa as principais dinâmicas comerciais observadas, com base nos dados disponíveis para o período completo.


1. A viragem para o valor: volumes em queda livre e preços em ascensão acentuada

A compressão dramática dos volumes exportados

A dinâmica mais marcante do período é a divergência radical entre a evolução dos valores e das quantidades. Entre 2015 e 2025, o valor das exportações da UE diminuiu 11,5%, de €4 391 milhões para €3 884 milhões, mas as quantidades exportadas desceram espetacularmente de 9 523 toneladas para 4 614 toneladas — uma queda de 51,5%. No lado das importações, registou-se um movimento análogo: o valor subiu 10,3% (de €7 679 para €8 473 milhões), enquanto as quantidades recuaram 34,0% (de 52 368 para 34 554 toneladas). Estes números revelam uma transformação estrutural: a UE está a comercializar menos unidades físicas, mas a preços significativamente mais elevados.

Indicador 2015 2025 Variação
Exportações — valor (€ mil M) 4 391 3 884 −11,5%
Exportações — quantidade (t) 9 523 4 614 −51,5%
Exportações — preço médio (€/t) 459 823 836 863 +82,0%
Importações — valor (€ mil M) 7 679 8 473 +10,3%
Importações — quantidade (t) 52 368 34 554 −34,0%
Importações — preço médio (€/t) 146 587 245 116 +67,2%

O choque de 2020 e a recuperação subsequente

O ano de 2020 constituiu um ponto de inflexão: as importações caíram para o mínimo do período (€5 141 milhões), refletindo o impacto da pandemia na procura global e nas cadeias de abastecimento. No entanto, a recuperação foi vigorosa — em 2025, o valor das importações atingiu o máximo da série. O preço médio de exportação subiu continuamente, passando de €459 823/t em 2015 para €841 081/t no pico em 2024, o que sugere que o setor europeu reforçou a sua posição no segmento premium.

A valorização da produção interna

Dados de produção da UE confirmam esta tendência de valorização: a quantidade produzida diminuiu 16,0% (de 22,0 milhões para 18,5 milhões de unidades), mas o valor da produção disparou de €493 milhões para €2 385 milhões — um aumento de 383,4%. Este descolamento entre volume e valor evidencia que a indústria europeia se concentrou cada vez mais na produção de relojoaria de alta gama, com preços unitários muito mais elevados.


2. Reconfiguração geográfica: consolidação da Suíça, recuo do Reino Unido e diversificação parcial

A Suíça como pedra angular do comércio

A Suíça consolidou-se como o parceiro comercial dominante da UE no setor relojoeiro. Nas importações, as compras à Suíça cresceram 22,8%, de €5 472 milhões para €6 717 milhões, representando cerca de 79% do total das importações da UE em 2025. Nas exportações, a UE enviou €1 555 milhões para a Suíça em 2025 (face a €1 458 milhões em 2015), com um crescimento de 6,7%. A relativa estabilidade do comércio com a Suíça (coeficiente de variação de exportações de apenas 0,04) confirma a natureza estrutural desta relação, provavelmente sustentada por cadeias de valor integradas entre a relojoaria suíça de luxo e os fornecedores europeus de componentes.

O colapso do comércio com o Reino Unido

O parceiro que mais sofreu foi o Reino Unido: as importações da UE vindas do RU desceram 84,1% (de €227 para €36 milhões), enquanto as exportações para o RU caíram 69,3% (de €642 para €197 milhões). Este fenómeno, com o coeficiente de variação das importações a atingir 1,33 (o mais elevado entre os principais parceiros), está claramente associado ao Brexit. O Reino Unido deixou de estar integrado no mercado único, e as alterações aduaneiras, regulamentares e logísticas fragmentaram o que antes era um comércio intra-europeu sem atritos.

Hong Kong e a China: destinos e origens em mutação

As exportações para Hong Kong diminuíram 25,0% (de €984 para €738 milhões), e as importações de Hong Kong recuaram 56,7% (de €244 para €105 milhões). A China, apesar de ser o segundo maior fornecedor de importações (€1 245 milhões em 2025), viu o seu valor recuar 16,1% face a 2015. Estes movimentos refletem tanto a reconfiguração das cadeias de abastecimento como a concorrência crescente de fabricantes asiáticos em segmentos de gama média.

Destinos emergentes: crescimento em mercados periféricos

Alguns mercados cresceram significativamente: as exportações para a Turquia aumentaram 73,8% (de €40 para €69 milhões), as exportações para a Noruega duplicaram (+101,8%, de €32 para €65 milhões), e as importações do México cresceram 217,2% (de €3,3 para €10,3 milhões). Estes crescimentos, embora em valores absolutos modestos, sugerem uma diversificação geográfica das exportações europeias para além dos mercados tradicionais.

Principais parceiros da UE — síntese

Parceiro Fluxo 2015 (€ mil M) 2025 (€ mil M) Variação
Suíça Importações 5 472 6 717 +22,8%
Suíça Exportações 1 458 1 555 +6,7%
China Importações 1 485 1 245 −16,1%
Reino Unido Importações 227 36 −84,1%
Reino Unido Exportações 642 197 −69,3%
Hong Kong Exportações 984 738 −25,0%
EUA Exportações 271 293 +8,0%

3. Segmentação do produto: relógios de luxo dominam e pulseiras emergem como valor crescente

A posição 9102 como motor das importações

A análise por subposição revela que os relógios de pulso e semelhantes em caixa de metal não precioso (posição 9102) dominam claramente o comércio da UE. Em 2025, esta categoria representou €5 039 milhões em importações — 59,5% do total — com um preço médio que subiu de €34,8/unidade em 2015 para €85,0/unidade em 2025 (preço suplementar). Nas exportações, a 9102 representou €1 378 milhões, com o preço médio a subir de €124,9 para €270,1/unidade. Esta duplicação dos preços unitários confirma a reorientação do setor para produtos de maior valor acrescentado.

A 9101: o segmento de luxo por excelência

A subposição 9101 (relógios com caixa de metais preciosos) mostra uma evolução notável. As importações cresceram 6,6% em valor (de €2 234 para €2 381 milhões), mas as quantidades em peso diminuíram de 825 para 95 toneladas — uma queda de 88,5%. O preço médio em peso disparou de €2,7 milhões/t para €24,9 milhões/t, o que indica que a UE importa relógios de metais preciosos cada vez mais valiosos em termos unitários. Do lado das exportações, o valor manteve-se relativamente estável (€1 622 milhões em 2015 vs. €1 545 milhões em 2025), com o preço suplementar a oscilar significativamente, tendo atingido um pico de €4 615/unidade em 2023.

As pulseiras (9113): um segmento surpresa em crescimento

A subposição 9113 (pulseiras de relógios e suas partes) registou o crescimento mais expressivo entre as principais categorias de importação: o valor quase duplicou, passando de €180 milhões em 2015 para €335 milhões em 2025 (+86,3%). Do lado das exportações, as pulseiras cresceram de €374 para €513 milhões (+37,0%). Este crescimento reflete tanto a popularização dos smartwatches como o crescimento do mercado de acessórios de relojoaria personalizáveis, um segmento de margem elevada que a indústria europeia (particularmente italiana) tem explorado.

Relógios de mesa (9105): o segmento que encolhe

Em contraste, os relógios de mesa e semelhantes (posição 9105) registaram uma contração significativa: as importações diminuíram em volume de 28 089 para 19 989 toneladas (-28,8%), e as exportações caíram de 1 983 para 1 420 toneladas (-28,4%). Embora o valor se tenha mantido relativamente estável, este segmento perdeu relevância face ao crescimento dos relógios de pulso, refletindo a mudança dos hábitos de consumo e a concorrência dos dispositivos digitais.

Evolução das principais subposições — importações por valor

Subposição Descrição 2015 (€ mil M) 2025 (€ mil M) Variação
9102 Relógios de pulso (excl. metais preciosos) 4 516 5 039 +11,6%
9101 Relógios de pulso (metais preciosos) 2 234 2 381 +6,6%
9113 Pulseiras e suas partes 180 335 +86,3%
9105 Relógios de mesa 200 162 −19,3%
9107 Interruptores horários 57 53 −7,1%
9106 Aparelhos de controlo do tempo 43 37 −13,4%
9103 Despertadores 11 8 −27,1%

Conclusão

O setor de artigos de relojoaria da UE entre 2015 e 2025 passou por uma transformação estrutural profunda. A narrativa dominante é de uma valorização acentuada: menos toneladas, menos unidades, mas preços significativamente mais elevados. As exportações perderam metade do seu volume físico mas mantiveram 88,5% do seu valor, enquanto a produção interna quadruplicou em valor apesar de uma queda de 16% em unidades. A UE reforçou a sua posição como produtora e exportadora de relojoaria de alta gama.

Geograficamente, o período assistiu à consolidação da Suíça como parceiro dominante e ao colapso do comércio com o Reino Unido após o Brexit. A concentração das importações aumentou (HHI subiu 19,6% para 6 550), refletindo a crescente dependência da Suíça. No entanto, a dependência líquida de importações diminuiu de 80,2% para 65,3%, sinalizando uma melhoria parcial da autonomia europeia.

A pandemia de COVID-19 marcou o ponto mais baixo do ciclo comercial em 2020, mas a recuperação foi rápida e robusta, com os valores de 2025 a ultrapassar os de 2015 em termos de importações. O setor demonstrou resiliência e capacidade de adaptação, reforçando a sua vocação premium num contexto de concorrência global crescente.

Gerado em 2026-08-07. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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