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Evolução do mercado: Pulseiras de relógio (CN 9113) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) para o código aduaneiro 9113 — Pulseiras de relógios, e suas partes — no período compreendido entre 2015 e 2025. Este produto insere-se no capítulo 91 (Artigos de Relojoaria) e abrange três subcategorias: pulseiras de metais preciosos (911310), de metais comuns (911320) e as demais pulseiras, braceletes e respetivas partes (911390).

O setor da relojoaria europeia é historicamente dominado por marcas suíças e francesas, e as pulseiras constituem um componente de valor elevado na cadeia de montagem final. Ao longo da década analisada, o mercado registou dinâmicas significativas em termos de volumes, preços, parceiros comerciais e especialização produtiva dos Estados-Membros. A UE manteve-se como exportador líquido ao longo de todo o período, mas com um superavit comercial que, embora robusto, apresentou alguma erosão. As importações cresceram a um ritmo muito superior ao das exportações, impulsionadas sobretudo por volumes crescentes e por uma acentuada queda dos preços unitários de importação.

Para mais detalhes sobre o panorama geral, consultar o painel de visão geral.


1. Crescimento acelerado das importações e erosão dos preços unitários

1.1. As importações mais do que duplicaram em valor e triplicaram em volume

Entre 2015 e 2025, as importações da UE de pulseiras de relógio (CN 9113) registaram um crescimento muito significativo, muito superior ao das exportações:

Indicador 2015 2025 Variação
Importações — Valor (M EUR) 179,9 334,6 +86,0%
Importações — Volume (t) 617,8 1 655,7 +168,0%
Importações — Preço (EUR/t) 290 247 201 508 −30,6%
Exportações — Valor (M EUR) 374,2 512,8 +37,0%
Exportações — Volume (t) 204,8 301,5 +47,2%
Exportações — Preço (EUR/t) 1 823 829 1 695 164 −7,1%

Enquanto as exportações cresceram 37% em valor, as importações cresceram 86%. Mais relevante ainda é a evolução em volume: as importações passaram de 618 toneladas para 1 656 toneladas (+168%), contra um crescimento exportador de 47% em peso (de 205 para 301 toneladas). Esta disparidade reflete uma procura interna crescente e uma maior integração europeia em cadeias de abastecimento globais de componentes para relojoaria.

1.2. Queda acentuada dos preços unitários de importação

Um dos fenómenos mais marcantes do período é a erosão contínua do preço médio de importação, que caiu de 290 247 EUR/t em 2015 para 201 508 EUR/t em 2025 (−30,6%). Este declínio é consistente com o aumento do peso relativo das importações de pulseiras de metais comuns e de outros materiais de menor custo unitário, em detrimento das pulseiras de metais preciosos. Por seu lado, o preço médio de exportação caiu apenas 7,1%, o que sugere que a UE continua a posicionar-se no segmento de maior valor acrescentado da cadeia.

A evolução do superavit comercial reflete esta pressão: o saldo positivo passou de 194,3 M EUR em 2015 para 178,2 M EUR em 2025 (−8,3%), após ter atingido um máximo de 239,2 M EUR em 2019, antes da pandemia.

1.3. A UE mantém-se exportador líquido, mas com intensidade comercial crescente

O indicador de dependência líquida de importações manteve-se negativo ao longo de todo o período (passando de −27,7% para −23,0%), confirmando que a UE é estruturalmente exportador líquido. Contudo, a intensidade comercial subiu de 80,6% para 123,8%, e a propensão para exportar praticamente duplicou, de 71,1% para 156,6%. Estes indicadores revelam que, embora o setor exportador europeu seja competitivo, a abertura comercial da UE a este produto aumentou substancialmente, com uma exposição mais pronunciada a flutuações externas.


2. A centralidade da Suíça e a crescente presença da China

2.1. A Suíça como parceiro dominante nas exportações

A Suíça é, de forma inequívoca, o principal destino das exportações europeias de pulseiras de relógio, refletindo a sua posição como centro mundial de montagem e acabamento de relojoaria de luxo. Em 2025, as exportações para a Suíça atingiram 400,4 M EUR, representando cerca de 78% do valor total das exportações da UE para países terceiros.

Parceiro Exportações 2015 (M EUR) Exportações 2025 (M EUR) Variação
Suíça 325,0 400,4 +23,2%
China 1,4 29,7 +1 954,8%
Estados Unidos 9,7 21,8 +124,5%
Reino Unido 6,7 8,6 +28,5%
Maurícias 2,5 4,5 +78,3%
Noruega 0,9 3,2 +254,5%
Tunísia 5,5 1,5 −73,7%

O crescimento mais espetacular registou-se nas exportações para a China (+1 955%), que passou de 1,4 M EUR para 29,7 M EUR, tornando-se o segundo maior destino individual. Este crescimento reflete provavelmente a montagem final de relógios na China e a necessidade de componentes europeus de qualidade. Os Estados Unidos também registaram um crescimento robusto (+124,5%), consolidando-se como mercado de relevo para as pulseiras europeias.

2.2. China e Suíça dominam as importações, com perfis distintos

Do lado das importações, a distribuição por parceiro apresenta um duopólio claro:

Parceiro Importações 2015 (M EUR) Importações 2025 (M EUR) Variação
Suíça 84,5 156,5 +85,3%
China 58,6 135,5 +131,2%
Hong Kong 9,6 4,8 −49,6%
Maurícias 6,8 7,2 +6,3%
Índia 2,5 3,6 +45,3%
Reino Unido 1,9 1,8 −2,5%

A Suíça e a China representaram em conjunto cerca de 87% do valor das importações em 2025. No entanto, os seus perfis são distintos: as importações suíças tendem a ser de maior valor unitário (pulseiras de acabamento superior, frequentemente ligadas à relojoaria de gama alta), enquanto as importações chinesas cresceram de forma mais volumétrica, contribuindo decisivamente para a queda do preço médio de importação. A redução das importações de Hong Kong (−49,6%) sugere uma reconfiguração das rotas comerciais asiáticas, com o comércio a concentrar-se mais diretamente na China continental.

2.3. A concentração das importações aumentou; a das exportações diminuiu

O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações por valor subiu de 3 340 para 3 949 (+18,2%), refletindo uma maior concentração em poucos fornecedores — sobretudo Suíça e China. Em contrapartida, o HHI das exportações desceu de 7 566 para 6 183 (−18,3%), indicando uma diversificação progressiva dos destinos exportadores europeus, com mercados como a China, os Estados Unidos e a Noruega a ganharem peso relativo face ao domínio quase absoluto da Suíça.

Em volumes, a concentração das importações subiu ainda mais acentuadamente (HHI de 4 618 para 7 377, +59,7%), reforçando a dependência de poucos fornecedores em termos de massa física.

2.4. Padrões de volatilidade: o Reino Unido e a China como fontes de instabilidade

A análise de volatilidade revela padrões distintos entre parceiros. Nos fluxos de exportação, os parceiros mais voláteis incluem a China (CV de 0,99) e o Reino Unido (CV de 0,94), enquanto a Suíça apresenta relativa estabilidade (CV de 0,24). Do lado das importações, o Reino Unido (CV de 0,74), o Vietname (CV de 0,88) e a Coreia do Sul (CV de 0,93) apresentam os maiores coeficientes de variação.

Foi detetado um evento de choque significativo nas exportações para o Reino Unido em 2021: um choque de preço com uma anomalia de 6,5 desvios-padrão e uma variação de +127,9%. Este episódio é coincidente com o período pós-Brexit e das disrupções nas cadeias de abastecimento causadas pela pandemia, podendo refletir tanto alterações tarifárias como flutuações cambiais e reclassificações estatísticas.


3. Reestruturação produtiva e especialização dos Estados-Membros

3.1. A produção europeia deslocou-se para segmentos de maior valor

A produção da UE de pulseiras de relógio apresentou uma evolução notável: em volume (número de unidades), manteve-se praticamente estável (de 13,1 milhões para 13,0 milhões de unidades, −0,8%), mas em valor, registou um crescimento excecional, de 92 M EUR para 1 428 M EUR (+1 453%). Esta disparidade sugere uma profunda reestruturação do mix produtivo europeu, com uma clara orientação para produtos de muito maior valor unitário — pulseiras de metais preciosos, de acabamento artesanal e de materiais premium. A produção passou a ser fortemente orientada para o segmento de luxo, em coerência com a posição da UE como fornecedor de componentes de alta gama para a relojoaria suíça e global.

3.2. A França consolida a liderança exportadora; Portugal emerge como ator relevante

A distribuição das exportações por Estado-Membro revela uma estrutura hierárquica clara:

Estado-Membro Exportações 2015 (M EUR) Exportações 2025 (M EUR) Variação
França 186,9 288,3 +54,3%
Itália 155,2 149,5 −3,6%
Alemanha 21,7 23,3 +7,4%
Portugal 1,9 27,2 +1 311,6%
Países Baixos 2,5 8,7 +248,5%
Espanha 1,3 3,7 +188,3%
Suécia 1,8 3,5 +96,7%

A França reforçou a sua posição como maior exportador europeu (288 M EUR em 2025), refletindo a presença dos maiores grupos de relojoaria de luxo e de fabricantes de componentes. A Itália, segundo maior exportador, registou uma ligeira contração (−3,6%), possivelmente por reorientação do comércio intra-UE.

O crescimento mais expressivo cabe a Portugal (+1 312%), que passou de exportações marginais (1,9 M EUR) para 27,2 M EUR, consolidando-se como quarto maior exportador da UE. Este crescimento reflete provavelmente investimentos na indústria de componentes metálicos e têxteis de alta qualidade, com vantagens competitivas em custo relativos a França e Itália.

3.3. Padrões de especialização revelam concentração geográfica da vantagem comparativa

A análise de especialização (RCA e RSCA, 2025) confirma que a vantagem comparativa europeia neste setor está geograficamente concentrada:

Estado-Membro RSCA RCA Quota produtiva no total
Chequia 0,608 4,10 19,7%
Países Baixos 0,488 2,91 42,2%
França 0,352 2,09 16,3%
Portugal 0,143 1,33 1,8%
Eslováquia −0,222 0,64 1,3%

A Chequia e os Países Baixos apresentam os maiores índices de especialização (RSCA > 0,4), sugerindo que parte significativa das suas exportações de relojoaria se concentra em pulseiras e componentes. Nos Países Baixos, a forte quota de reexportação (42,2% da produção europeia de valor) pode refletir o papel de hub logístico de Roterdão e Amesterdão. A França, com um RSCA de 0,35, combina vantagem comparativa com uma base industrial de grande escala.

Em contraste, Estados como a Áustria (RSCA −0,97), a Malta (RSCA −0,98) e a Croácia (RSCA −0,96) apresentam especialização muito baixa ou negativa, concentrando as suas exportações totais noutros setores.

3.4. As importações por segmento de produto confirmam a dominância da categoria "outras"

A decomposição por subcategoria permite compreender a composição do comércio:

Importações em volume (toneladas):

Subcategoria 2015 2025 Variação
911390 — Outras (n.e.s.) 482,3 1 234,9 +156,1%
911320 — Metais comuns 128,9 411,4 +219,2%
911310 — Metais preciosos 6,7 9,4 +41,0%

A subcategoria 911390 (pulseiras e braceletes de outros materiais, não especificados) domina claramente as importações em volume, representando 74,6% do total em 2025. A subcategoria 911320 (metais comuns) foi a que mais cresceu em termos relativos (+219%), consolidando-se como o segundo segmento mais importado. As pulseiras de metais preciosos (911310) permanecem como um nicho de volume reduzido mas de valor unitário muito elevado.

Exportações em valor (M EUR):

Subcategoria 2015 2025 Variação
911390 — Outras (n.e.s.) 138,4 188,0 +35,9%
911320 — Metais comuns 51,6 177,7 +244,6%
911310 — Metais preciosos 184,3 147,1 −20,2%

Do lado das exportações, a evolução é inversa: as pulseiras de metais comuns (911320) cresceram 244,6% em valor, passando de 51,6 M EUR para 177,7 M EUR e tornando-se quase tão relevantes quanto a subcategoria 911390. As exportações de metais preciosos (911310) sofreram uma contração de 20,2%, sugerindo uma reorientação do mix exportador europeu para segmentos de gama média-alta.


Conclusão

O mercado europeu de pulseiras de relógio (CN 9113) evoluiu significativamente entre 2015 e 2025, com três tendências dominantes:

  1. O crescimento das importações superou claramente o das exportações, tanto em valor (+86% vs. +37%) como sobretudo em volume (+168% vs. +47%), acompanhado de uma queda acentuada dos preços de importação (−30,6%). A UE permanece exportador líquido (superavit de 178 M EUR em 2025), mas a sua intensidade comercial e propensão para exportar aumentaram consideravelmente.

  2. A Suíça e a China consolidaram-se como os dois parceiros-chave, com papéis complementares: a Suíça como principal destino das exportações de alto valor e fornecedor de pulseiras premium; a China como fornecedor crescente de volumes de menor custo. A concentração das importações aumentou, enquanto as exportações se diversificaram geograficamente.

  3. A produção europeia reorientou-se para o segmento de luxo, com um aumento exponencial do valor de produção (+1 453%) face a volumes estáveis. No plano intra-UE, a França consolidou a liderança, Portugal emergiu como exportador relevante, e a Chequia e os Países Baixos revelaram-se os Estados-Membros mais especializados neste setor.

Estas dinâmicas refletem tanto a crescente globalização das cadeias de valor da relojoaria como a aposta europeia na diferenciação pela qualidade e pelo valor acrescentado, num contexto de concorrência crescente de fornecedores asiáticos em segmentos de gama média.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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