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Evolução do mercado: Óleos essenciais e cosméticos (CN 33) — 2015–2025

Introdução

O setor dos óleos essenciais, resinas e produtos cosméticos (Nomenclatura Combinada 33) constitui um dos segmentos mais dinâmicos do comércio externo da União Europeia. Abrangendo desde óleos essenciais e resinas até perfumes, produtos de cuidado da pele, preparações capilares e de higiene bucal, o setor reúne indústrias com elevado valor acrescentado e forte componente de inovação.

No período compreendido entre 2015 e 2025, a UE consolidou a sua posição como exportador líquido líquido deste setor, registando um crescimento acentuado tanto em valor como em preços médios. O presente relatório analisa a evolução do comércio extra-UE com base nos dados disponíveis, identificando as principais dinâmicas estruturais, geográficas e de preço que moldaram a evolução do setor ao longo da última década.

Para mais detalhes sobre o âmbito e definições do produto, consulte a página de visão geral do painel.


1. Crescimento sustentado e consolidação da vantagem competitiva europeia

1.1. Exportações superam as importações com margem crescente

A União Europeia registou ao longo do período uma evolução notável do seu saldo comercial no setor CN 33. Em 2015, o superavit comercial situava-se em 18 442 milhões de euros, tendo atingido 32 271 milhões de euros em 2025 — um crescimento acumulado de 75,0%. Este aumento reflecte tanto o crescimento das exportações como o facto de estas terem sempre ultrapassado significativamente as importações.

Indicador 2015 2025 Variação
Exportações (mil M€) 27 129 46 120 +70,0%
Importações (mil M€) 8 687 13 849 +59,4%
Saldo comercial (mil M€) 18 442 32 271 +75,0%

As exportações cresceram de forma consistente ao longo da década, atingindo o valor máximo de 46 375 milhões de euros em 2024, antes de uma ligeira redução em 2025. As importações, por seu turno, acompanharam a trajetória ascendente, embora a taxas inferiores. A dependência líquida em relação às importações reforçou-se consideravelmente, passando de -37,8% em 2015 para -132,0% em 2025 — um sinal inequívoco de que a UE é um exportador líquido cada vez mais expressivo.

1.2. Aumento de preços impulsiona o crescimento do valor

O crescimento do valor das exportações (+70,0%) foi significativamente superior ao crescimento das quantidades exportadas (+21,9%), o que indica uma subida acentuada dos preços médios. De facto, o preço médio de exportação subiu de 13 665 €/t em 2015 para 19 062 €/t em 2025, uma variação de +39,5%. Este fenómeno sugere uma progressão para segmentos de maior valor acrescentado, com produtos mais sofisticados e de marca.

Métrica 2015 2025 Variação
Volume exportado (mil t) 1 985 2 420 +21,9%
Preço médio exportação (€/t) 13 665 19 062 +39,5%
Volume importado (mil t) 737 890 +20,7%
Preço médio importação (€/t) 11 784 15 562 +32,1%

O mesmo padrão se observa do lado das importações, onde os preços subiram 32,1% (de 11 784 €/t para 15 562 €/t), embora a taxas mais moderadas. A intensidade comercial subiu de 53,4% para 82,9%, e a propensão exportadora passou de 45,2% para 79,1%, confirmando a crescente abertura e internacionalização do setor.

1.3. Fraca produção interna contrasta com o valor gerado

Um dado paradoxal emerge da análise da produção: a produção em volume diminuiu 52,2% (de 2 134 milhões de kg para 1 020 milhões de kg), mas o valor da produção subiu 117,4% (de 26 790 milhões de euros para 58 230 milhões de euros). Esta divergência evidencia uma transformação estrutural profunda — a indústria europeia concentra-se cada vez mais em produtos de elevado valor unitário, externalizando para terceiros países a produção de bens de menor valor acrescentado. O preço médio de produção passou de aproximadamente 12,6 €/kg para 57,1 €/kg, um aumento de 353%.


2. Reconfiguração geográfica e reforço das relações com mercados emergentes

2.1. O Reino Unido mantém-se como parceiro privilegiado, mas perde peso relativo

O Reino Unido continua a ser o principal destino das exportações europeias e a maior fonte de importações do setor. No entanto, a evolução revela dinâmicas distintas: enquanto as exportações para o Reino Unido cresceram 26,9% (de 4 209 milhões para 5 344 milhões de euros), as importações britânicas na UE recuaram ligeiramente (-6,1%). Este padrão pode reflectir os efeitos do Brexit nas cadeias de abastecimento e na reorientação do comércio.

2.2. A China como grande motor de crescimento

A China destaca-se como o parceiro comercial com maior crescimento acumulado em ambos os lados. As exportações europeias para a China cresceram 322,6% (de 700 milhões para 2 959 milhões de euros), tornando-a o terceiro destino das exportações da UE em 2025. Do lado das importações, o crescimento foi de 207,6% (de 518 milhões para 1 594 milhões de euros). A China é, simultaneamente, um fornecedor de matérias-primas e componentes e um mercado de destino cada vez mais relevante para os produtos cosméticos europeus, impulsionado pelo crescimento da classe média e pela crescente procura de marcas ocidentais.

Parceiro Exportações 2015 (mil M€) Exportações 2025 (mil M€) Variação
China 700 2 959 +322,6%
Emirados Árabes Unidos 1 078 2 339 +117,1%
Turquia 856 1 692 +97,6%
Suíça 1 185 1 961 +65,5%
Estados Unidos 4 827 7 651 +58,5%

2.3. Mercados do Médio Oriente e do Sudeste Asiático ganham relevância

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) e a Turquia registaram crescimentos notáveis nas exportações (+117,1% e +97,6% respetivamente). Os EAU funcionam cada vez mais como hub logístico e de redistribuição para a região do Golfo e para o Sudeste Asiático, enquanto a Turquia combina crescimento do consumo interno com funções de reexportação. Do lado das importações, a Turquia (+169,5%), o Brasil (+187,0%) e a Índia (+94,6%) registaram crescimentos significativos, reflectindo a diversificação das fontes de abastecimento da UE em direção a economias emergentes com vantagens em custos de produção ou acesso a matérias-primas naturais (como óleos essenciais tropicais).

2.4. Os Estados Unidos consolidam-se como principal mercado de exportação

As exportações para os EUA cresceram 58,5%, passando de 4 827 milhões para 7 651 milhões de euros, com um máximo de 9 656 milhões em 2023. Os EUA representam o destino singular mais importante para os cosméticos e perfumaria europeus. As importações provenientes dos EUA cresceram 45,0%, situando-se em 2 585 milhões de euros em 2025. A volatilidade das exportações para os EUA é, contudo, relativamente elevada (CV de 0,256), sugerindo flutuações significativas entre anos.

2.5. Menor concentração geográfica reduz riscos de abastecimento

O índice Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações diminuiu 40,4% (de 2 186 para 1 302), indicando uma diversificação substancial das fontes de abastecimento. Do lado das exportações, o HHI reduziu-se 15,2% (de 737 para 625), confirmando um padrão de destino mais distribuído. Esta menor concentração reduz a exposição a eventuais choques de abastecimento ou restrições comerciais de parceiros individuais.


3. Transformação estrutural do setor: especialização, segmentação e choques

3.1. França lidera a especialização europeia, com a Irlanda a consolidar posições

De acordo com o índice de especialização, a França é de longe o Estado-Membro mais especializado no setor CN 33, com um RSCA de 0,483 e um RCA de 2,87 em 2025 — reflectindo a tradição secular da indústria de perfumaria e cosmética francesa, com destaque para clusters como Grasse. A Irlanda apresenta o segundo maior grau de especialização (RSCA de 0,415, RCA de 2,42), provavelmente ligado à presença de multinais farmacêuticas e cosméticas no país.

Estado-Membro RSCA (2025) RCA (2025) Quota exportações do setor
França 0,483 2,871 22,4%
Irlanda 0,415 2,418 5,1%
Chipre 0,224 1,578 0,1%
Croácia 0,220 1,564 0,6%
Espanha 0,204 1,514 8,8%

Do lado oposto, a Finlândia (RSCA de -0,605), Portugal (-0,460) e Roménia (-0,429) apresentam os menores índices de especialização, indicando uma posição deficitária no setor. Importa notar, contudo, que os maiores exportadores em valor absoluto incluem a Alemanha, a Espanha, a Itália e os Países Baixos, que registaram crescimentos muito significativos — a Espanha cresceu 160,2% e a Itália 136,9%.

3.2. Produtos de beleza e cuidado da pele dominam o comércio; perfumaria acelera

A decomposição por sub-produto revela padrões distintos. Do lado das importações por volume, as preparações diversas (CN 3307 — desodorizantes, preparações para banho, etc.) lideram com 262 691 toneladas em 2025, seguidas pelos produtos de beleza e cuidado da pele (CN 3304) com 195 332 toneladas. Em termos de valor importado, o CN 3304 é o líder (4 934 milhões de euros), reflectindo o seu elevado preço médio.

Do lado das exportações, as preparações capilares (CN 3305) lideram em volume com 654 660 toneladas, mas os produtos de beleza e cuidado da pele (CN 3304) dominam o valor com 15 270 milhões de euros em 2025. Contudo, a evolução mais impressionante registou-se nos perfumes e águas-de-colónia (CN 3303): as exportações cresceram 96,3% em valor (de 5 615 milhões para 11 053 milhões de euros) e 35,4% em volume, com preços médios a subirem de 31 295 €/t para 45 475 €/t — uma valorização de 45,3%, a mais acentuada entre todos os subprodutos.

Sub-produto Exportações 2015 (mil M€) Exportações 2025 (mil M€) Variação valor
CN 3304 — Produtos beleza/pele 8 369 15 270 +82,5%
CN 3302 — Misturas odoríferas 7 745 11 595 +49,7%
CN 3303 — Perfumes/colónia 5 615 11 053 +96,9%
CN 3305 — Preparações capilares 2 340 3 719 +58,9%
CN 3307 — Outras preparações 1 601 2 308 +44,1%
CN 3306 — Higiene bucal 867 1 335 +54,0%
CN 3301 — Óleos essenciais 530 839 +58,3%

3.3. Choques pontuais e volatilidade desigual entre parceiros

A análise de volatilidade revela disparidades acentuadas entre parceiros comerciais. Os EAI apresentam o maior coeficiente de variação nas importações (CV de 1,053), seguidos da Coreia do Sul (0,846) e da Rússia (0,785), o que indica flutuações importações (CV de 1,053), seguidos da Coreia do Sul (0,846) e da Rússia (0,785), o que indica flutuações acentuadas nos fluxos comerciais. Do lado das exportações, a China (0,304), os EUA (0,256) e o México (0,194) registam maior volatilidade.

Foram detetados eventos de choque significativos, nomeadamente uma queda de preço nas importações dos EAU em 2020 (-15,9%) — possivelmente relacionada com os efeitos da pandemia COVID-19 no comércio global e na procura de fragrâncias. A Rússia, apesar de se manter como terceiro destino das exportações europeias (1 950 milhões de euros em 2025), apresentou um crescimento residual de 4,5% ao longo de toda a década, possivelmente condicionado pelas sanções impostas após 2022. A volatilidade das exportações para a Rússia (CV de 0,157) é, contudo, relativamente moderada, sugerindo que, apesar das sanções, a procura se manteve — possivelmente através de reexportação por países terceiros.


Conclusão

O setor CN 33 da União Europeia experienciou, entre 2015 e 2025, uma transformação profunda e multifacetada. O setor consolidou-se como um dos mais competitivos do comércio externo europeu, com um superavit que cresceu 75% e uma propensão exportadora que quase duplicou. O crescimento foi impulsionado tanto por aumentos de volume como, sobretudo, pela valorização dos preços médios, reflectindo a progressão para segmentos de maior valor acrescentado — com destaque para a perfumaria (CN 3303), cujos preços de exportação subiram 45%.

Do ponto de vista geográfico, observou-se uma reconfiguração significativa: os mercados emergentes — China, EAU, Turquia, Brasil — ganharam peso crescente, enquanto a concentração geográfica diminuiu, reduzindo os riscos sistémicos. A China, em particular, emergiu como o parceiro com maior crescimento acumulado em ambos os lados do comércio.

A análise por Estado-Membro confirma a liderança da França em especialização, mas revela também o dinamismo de Espanha, Itália e Países Baixos como polos de crescimento. A aparente contradição entre a queda da produção em volume (-52%) e o forte aumento do seu valor (+117%) sugere que a indústria europeia se está a reorientar para atividades de maior valor acrescentado — design, formulação, marketing e distribuição — deixando para terceiros países a produção de base.

Em suma, o setor dos óleos essenciais e cosméticos europeu encontra-se numa trajetória de crescimento sustentado e crescente sofisticação, reforçando a posição da UE como líder mundial neste segmento estratégico da economia da beleza.

Gerado em 2026-08-07. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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