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Evolução do mercado: Metais básicos e cerametais (CN 81) — 2015–2025

Introdução

O código NC 81 — Outros metais básicos; cerametais; e suas obras — abrange uma família alargada de metais estratégicos e de nicho, desde o titânio, tungsténio e cobalto até ao antimónio, magnésio, manganês, gálio, índio, germânio e nióbio, entre outros. Trata-se de materiais com aplicações críticas nas indústrias aeroespacial, de defesa, eletrónica, energias renováveis e, cada vez mais, na transição energética e na mobilidade elétrica (Perfil do produto).

Ao longo do período 2015–2025, o comércio externo da UE neste setor cresceu de forma expressiva em valor, mas de forma muito mais contida em volume. O valor das importações passou de 3 260 milhões de euros para 5 215 milhões (+60,0%), enquanto as exportações cresceram de 1 785 para 2 572 milhões de euros (+44,1%). O resultado é um défice comercial que se aprofundou de −1 475 para −2 643 milhões de euros (−79,2%), reflectindo uma crescente dependência estrutural da UE em relação a fornecedores terceiros.

Este relatório analisa as principais dinâmicas do período em três eixos: (i) a evolução do balanço comercial e o papel determinante da subida de preços; (ii) a transformação interna dos segmentos de produto, com destaque para o domínio do titânio e a revolução do antimónio; e (iii) a reorientação geográfica das relações comerciais, a concentração do abastecimento e a eclosão de choques de fornecimento.


1. Crescimento impulsionado por preços: o défice comercial aprofunda-se apesar da estagnação dos volumes

1.1 Os volumes comercializados praticamente estagnaram, mas os valores dispararam

Uma das características mais marcantes do período é o desfasamento entre a evolução dos volumes e a evolução dos valores. Os volumes importados pela UE passaram de 427 530 t para 410 278 t (−4,0%), enquanto os volumes exportados desceram ligeiramente de 94 942 t para 89 014 t (−6,2%). Contudo, os valores cresceram muito mais: +60,0% nas importações e +44,1% nas exportações (Visão geral do comércio).

Esta disparidade explica-se pela evolução dos preços médios unitários:

Indicador 2015 2025 Variação
Preço médio das importações (€/t) 7 626 12 710 +66,7 %
Preço médio das exportações (€/t) 18 801 28 887 +53,6 %
Défice comercial (milhões €) −1 475 −2 643 −79,2 %

A subida de preços das importações (+66,7%) ultrapassou a das exportações (+53,6%), agravando assim os termos de troca da UE. Os picos atingidos em 2022 — quando os preços de importação atingiram máximos históricos em vários segmentos, impulsionados pela crise energética e pelo conflito Rússia–Ucrânia — foram parcialmente revertidos em 2023, mas os preços de 2025 voltaram a situar-se em máximos, sobretudo no segmento do antimónio.

1.2 O aprofundamento do défice reflecte uma dependência estrutural crescente

O défice comercial da UE em metais básicos passou de −1 475 milhões de euros em 2015 para um mínimo (pior valor) de −3 259 milhões em determinado ano do período, antes de se situar nos −2 643 milhões em 2025. A dependência líquida de importações subiu de 22,9% para 31,3% (+36,7%), tendo atingido um pico de 49,8% — ou seja, num determinado momento, a UE dependia de fornecedores externos para metade das suas necessidades líquidas.

Paralelamente, a intensidade comercial (comércio total como proporção da produção) subiu de 29,6% para 55,0% (+85,9%), e a propensão para exportar passou de 5,1% para 23,7% (+368,6%). A propensão para exportar é, de longe, o indicador com maior variação relativa do período (pontuação de saliência de 394,9), sugerindo que a indústria europeia se tornou progressivamente mais integrada nas cadeias de valor globais, mas também mais exposta a disrupções externas.

1.3 A subida de preços afectou de forma desigual os diferentes segmentos

A subida agregada dos preços esconde disparidades consideráveis entre segmentos. O antimónio (NC 8110) registou a evolução mais extrema, com preços de importação a passarem de 6 733 €/t para 44 576 €/t (+562%), impulsionados por restrições à exportação chinesas. O magnésio (NC 8104), por sua vez, sofreu um pico abrupto em 2022, com preços de importação a atingirem 5 522 €/t face a uma média histórica próxima dos 2 200 €/t (segmentos de produto).


2. Transformação dos segmentos: o domínio estrutural do titânio e a explosão do antimónio

2.1 O titânio é o segmento dominante, com crescimento sustentado em ambos os fluxos

O titânio e suas obras (NC 8108) é, de forma consistente, o maior segmento tanto em importações como em exportações da UE. Em 2025, as importações de titânio totalizaram 2 102 milhões de euros (cerca de 40% do total das importações de CN 81) e as exportações atingiram 787 milhões (comércio por segmento).

Segmento Código Importações 2015 (M€) Importações 2025 (M€) Variação Exportações 2015 (M€) Exportações 2025 (M€) Variação
Titânio 8108 1 371 2 102 +53,3 % 462 787 +70,3 %
Antimónio 8110 127 811 +538,6 %
Cobalto 8105 319 375 +17,6 % 124 242 +95,2 %
Outros metais 8112 207 361 +74,4 % 145 328 +126,2 %
Magnésio 8104 366 359 −1,9 % 56 95 +71,0 %
Manganês 8111 165 200 +21,2 % 26 17 −36,1 %
Tungsténio 8101 111 230 +107,2 % 79 186 +136,5 %
Cerametais 8113 192 246 +28,1 %

O preço médio do titânio importado subiu de 27 638 €/t em 2015 para 35 643 €/t em 2025 (+29,0%), reflectindo a procura estrutural deste metal em setores como a aviação, a energia e a defesa. A subida de volumes importados (de 49 609 t para 58 963 t, +18,9%) aliada à de preços explica o crescimento acentuado do valor. Nas exportações, o crescimento foi ainda mais notável em valor (€/t passou de 19 513 para 32 987, +69,0%), apesar de os volumes exportados se terem mantido estáveis (≈24 000 t).

2.2 O antimónio registou a evolução mais dramática do período

O segmento do antimónio (NC 8110) é, sem dúvida, a história mais marcante do período. Em termos de volume, as importações mantiveram-se praticamente estáveis (≈18 000–19 000 t/ano), mas o preço médio de importação explodiu:

Ano Volume importado (t) Valor importado (M€) Preço médio (€/t)
2015 18 905 127 6 733
2018 21 558 148 6 854
2020 16 810 85 5 064
2022 20 748 257 12 387
2025 18 204 811 44 576

O preço de importação de antimónio multiplicou-se por 6,6 entre 2015 e 2025. A evolução mais acentuada ocorreu entre 2023 e 2025, coincidindo com as restrições à exportação de antimónio impostas pela China em 2024. Dado que a China é o maior produtor mundial de antimónio (com uma quota estimada acima dos 50%), estas restrições tiveram um impacto imediato e profundo nos mercados europeus, elevando o valor das importações de antimónio de 127 para 811 milhões de euros.

O tungsténio (NC 8101) também registou um crescimento significativo em valor (+107,2% em importações, +136,5% em exportações), embora com uma evolução de preços mais moderada (preço de importação: de 28 900 €/t para 37 165 €/t, +28,6%). O tungsténio é um metal crítico para aplicações de alta dureza e resistência térmica, com crescente atenção geopolítica.

2.3 O cobalto passou por um ciclo de pico e retração ligado à transição energética

O cobalto (NC 8105) ilustra de forma paradigmática a influência da transição energética nos mercados de metais. As importações atingiram um pico de 975 milhões de euros em 2018, impulsionado pela forte procura para baterias de ião-lítio (NMC 111 e 532), antes de recuarem significativamente:

Ano Importações (M€) Preço importação (€/t)
2015 319 28 514
2018 975 43 159
2020 431 22 876
2022 623 44 323
2025 375 30 959

O recuo face ao pico de 2018 explica-se em parte pela mudança tecnológica na composição das baterias (para químicas NMC 811 e LFP, que utilizam menos ou nenhum cobalto), bem como pela normalização dos preços após o frenesim especulativo de 2017–2018. Em 2025, as importações de cobalto situam-se em 375 milhões de euros, abaixo do nível de 2015 em termos de volume mas ligeiramente acima em valor.

Nas exportações, o cobalto apresentou um crescimento notável de 124 para 242 milhões de euros (+95,2%), sugerindo que a UE consolidou uma posição de transformação e reexportação de produtos de cobalto de maior valor acrescentado.


3. Reorientação geográfica, choques de preços e crescentes vulnerabilidades

3.1 A China mantém-se como principal fornecedor, mas a concentração das importações diminuiu

A China é, de longe, o principal fornecedor externo da UE em metais básicos, com importações a crescerem de 824 para 1 186 milhões de euros (+43,9%). No entanto, o peso relativo da China diminuiu face ao crescimento de outros fornecedores, como se reflecte na redução do índice de concentração HHI das importações por valor (de 1 739 para 1 464, −15,8%). Este valor abaixo de 1 500 indica um mercado de importação moderadamente desconcentrado.

Os principais parceiros de importação em 2025 foram:

Parceiro 2015 (M€) 2025 (M€) Variação CV (volatilidade)
Estados Unidos 820 1 289 +57,2 % 0,176
China 824 1 186 +43,9 % 0,094
Reino Unido 382 540 +41,4 % 0,410
Tajiquistão 6 467 +7 897 % 0,648
Japão 115 209 +81,4 % 0,239
Federação Russa 254 210 −17,4 % 0,259

Destaca-se a estabilidade do fornecimento chinês, com o menor coeficiente de variação (CV = 0,094) de todos os parceiros, o que confere à China uma posição de fornecedor de base previsível — mas também de dependência estrutural. Os Estados Unidos superaram a China como principal fornecedor em 2025 (1 289 M€ vs 1 186 M€).

Nas exportações, os EUA consolidaram a posição de principal destino (de 508 para 915 M€, +80,2%), seguidos do Reino Unido (297 para 312 M€) e da Suíça (94 para 139 M€). O HHI das exportações por valor subiu de 1 505 para 1 701 (+13,0%), e em volume de 1 638 para 2 450 (+49,6%), indicando uma concentração crescente das exportações em poucos mercados de destino.

3.2 O Tajiquistão emergiu como fornecedor-chave de antimónio

Das evoluções geográficas mais notáveis do período, destaca-se a ascensão do Tajiquistão como parceiro comercial da UE. As importações originárias do Tajiquistão passaram de 5,8 milhões de euros em 2015 para 467 milhões em 2025 — uma variação de +7 897%. O Tajiquistão é um dos maiores produtores mundiais de antimónio, e a sua ascensão como fornecedor da UE está directamente ligada à explosão de preços e valor do segmento 8110 (antimónio), bem como à necessidade de diversificar o abastecimento face às restrições chinesas. O coeficiente de variação elevado (0,648) indica, porém, que este fornecimento é volátil e relativamente recente.

Por outro lado, a Federação Russa registou uma quebra de 17,4% no valor das exportações para a UE (de 254 para 210 M€), com o valor mínimo do período a coincidir com o último ano (2025). Esta evolução reflete provavelmente o impacto das sanções e restrições comerciais impostas no contexto do conflito na Ucrânia a partir de 2022.

3.3 Os choques de 2022 evidenciaram vulnerabilidades estruturais

A análise de eventos de choque identificou três disrupções significativas, todas centradas em 2022:

Evento Tipo Fluxo Anomalia Desvio Participação no valor
Estados Unidos Preço Importações 69,7 +28,4 % 33,6 %
Federação Russa Preço Importações 7,7 +41,9 % 11,1 %
Brasil Preço Exportações 7,1 +39,3 % 3,2 %

O choque mais severo detectado nas importações dos EUA — com uma anomalia de 69,7 — reflecte a subida de preços de metais estratégicos fornecidos pelos EUA, no contexto da crise energética global e das disrupções nas cadeias de abastecimento pós-COVID-19. O choque nas importações da Rússia (anomalia 7,7, desvio de +41,9%) está ligado ao impacto das sanções e à escalada de preços da energia e das matérias-primas em 2022.

Entre os parceiros com maior volatilidade nas importações (coeficiente de variação), destacam-se o Tajiquistão (0,648), a África do Sul (0,487), o Vietname (0,482), Israel (0,476) e o Reino Unido (0,410). Nos destinos de exportação, os fluxos mais voláteis foram os da Sérvia (0,604), Ucrânia (0,448), Reino Unido (0,391) e China (0,319).

3.4 A especialização europeia é heterogénea e geograficamente concentrada

A análise de especialização de 2025 revela uma acentuada heterogeneidade intra-europeia. Os Estados-Membros com vantagem comparativa revelada (RSCA > 0) concentram-se no centro e norte da Europa:

País mais especializado RSCA RCA Quota prod. CN 81 Quota total
Áustria 0,598 3,971 13,1 % 3,3 %
Luxemburgo 0,520 3,168 1,0 % 0,3 %
Países Baixos 0,325 1,962 28,5 % 14,5 %
França 0,246 1,652 12,9 % 7,8 %
Estónia 0,209 1,528 0,5 % 0,3 %
País menos especializado RSCA RCA
Chipre −0,999 0,001
Malta −0,998 0,001
Irlanda −0,926 0,039
Portugal −0,858 0,076
Lituânia −0,842 0,086

No lado das exportações intra-UE, os maiores exportadores em 2025 foram a Alemanha (982 M€, +42,6% vs 2015), a França (714 M€, +83,1%) e a Áustria (236 M€, +10,2%). A Bélgica registou o maior crescimento relativo (+230,9%, de 36 para 119 M€). Em contraste, a Finlândia — outrora um exportador significativo (144 M€ em 2015) — registou uma quebra de 67,4% para 47 M€ em 2025, possivelmente reflectindo reestruturações industriais no setor do cobalto e da transformação de metais (principais exportadores da UE).


Conclusão

O período 2015–2025 foi marcado por uma transformação profunda do mercado europeu de metais básicos, cerametais e suas obras (CN 81). Três tendências estruturais dominam a análise:

Em primeiro lugar, o crescimento do valor comercial foi esmagadoramente impulsionado por preços e não por volumes. As quantidades importadas e exportadas mantiveram-se estáveis ou diminuíram ligeiramente, mas os preços subiram significativamente — +66,7% nas importações e +53,6% nas exportações — aprofundando o défice comercial de −1 475 para −2 643 milhões de euros.

Em segundo lugar, a composição interna do setor alterou-se de forma substancial. O titânio consolidou a sua posição como segmento dominante (≈40% do valor importado), mas o antimónio registou uma transformação sem precedentes, com preços de importação a multiplicarem-se por 6,6 e valor a crescer de 127 para 811 milhões de euros, em grande parte devido às restrições chinesas à exportação. O cobalto, por seu lado, completou um ciclo de pico (2018) e retração, reflectindo a evolução tecnológica das baterias.

Em terceiro lugar, o mapa geográfico do abastecimento reorientou-se. A concentração das importações diminuiu (HHI de 1 739 para 1 464), o Tajiquistão emergiu como fornecedor-chave de antimónio (+7 897%) e a Rússia perdeu peso como fornecedor. Contudo, a UE tornou-se simultaneamente mais dependente do exterior (dependência líquida de 31,3%) e mais exposta a choques de preços, como evidenciado pelas disrupções severas de 2022. A concentração das exportações em poucos mercados de destino (HHI em volume de 2 450) acrescenta uma vulnerabilidade adicional.

Estas dinâmicas sublinham a importância estratégica de políticas europeias de diversificação de fornecimentos, desenvolvimento de capacidade de produção intra-UE e reciclagem de metais críticos — elementos centrais da autonomia estratégica aberta da União Europeia.

Gerado em 2026-08-07. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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