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Evolução do mercado: Zinco e obras de zinco (CN 79) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) no setor do zinco e suas obras (posição aduaneira CN 79) ao longo do período 2015–2025. A posição 79 abrange zincos em formas brutas, desperdícios e resíduos, poeiras e pós, chapas e folhas, barras e perfis, além de outras obras de zinco.

O período em análise é marcado por uma profunda transformação estrutural: a UE passou de uma posição de dependência líquida de importações para um superávit comercial robusto. Entre 2015 e 2025, as exportações cresceram 72,9% em valor (de mil milhões de euros para 1,74 mil milhões), enquanto as importações cresceram apenas 13,4% (de 796 milhões para 902 milhões de euros). O resultado foi um superávit comercial que saltou de 213 milhões para 841 milhões de euros — um crescimento de 295%.


1. A inversão da balança comercial: da dependência líquida ao superávit estrutural

1.1 O ponto de viragem: de 2019 a 2022

O indicador de dependência líquida de importações revela a mudança mais significativa do período. Em 2015, a UE apresentava uma dependência positiva de 8,0%, sinalizando que importava mais do que exportava. Em 2025, esse indicador inverteu-se para -11,0%, o que equivale a dizer que a UE se tornou um exportador líquido de zinco e suas obras.

A produção interna da UE cresceu 107,4% em quantidade (de 2,68 milhões de toneladas para 5,55 milhões) e 36,0% em valor (de 6,7 mil milhões para 9,1 mil milhões de euros), sugerindo que o aumento da capacidade produtiva europeia foi o motor central desta transformação. A propensão exportadora quase duplicou, passando de 9,4% para 19,7% (+109,3%).

1.2 A trajetória das exportações: volume e valor em crescimento

Indicador 2015 2025 Variação
Valor das exportações 1 008 M€ 1 743 M€ +72,9%
Quantidade exportada 484 326 t 609 950 t +25,9%
Preço médio exportação 2 082 €/t 2 858 €/t +37,2%

O pico exportador ocorreu em 2022, com 709 111 toneladas e 1 945 milhões de euros, impulsionado pela escalada de preços das matérias-primas e pela forte procura global no pós-pandemia. Em 2023 houve uma contração, seguida de recuperação parcial em 2024–2025.

1.3 A evolução das importações: queda em volume, crescimento em preço

Indicador 2015 2025 Variação
Valor das importações 796 M€ 902 M€ +13,4%
Quantidade importada 342 073 t 263 379 t -23,0%
Preço médio importação 2 326 €/t 3 424 €/t +47,3%

As importações apresentam um padrão inverso ao das exportações em termos de volume: caíram 23% em quantidade, mas cresceram 47,3% em preço médio. O ano de 2022 representou o pico de valor importado (1 822 milhões de euros), reflectindo o choque de preços das commodities metálicas nesse período.


2. Reconfiguração das parcerias comerciais

2.1 A consolidação da Noruega e do Peru como fornecedores-chave

A evolução dos principais parceiros de importação revela uma concentração crescente em dois países nórdicos e sul-americanos:

Parceiro (importações) 2015 2025 Variação
Noruega 186 M€ 359 M€ +92,4%
Peru 166 M€ 237 M€ +42,6%
Reino Unido 125 M€ 35 M€ -72,1%
México 49 M€ 15 M€ -68,3%
Namíbia 84 M€ 0,6 M€ -99,3%
Cazaquistão 3,5 M€ 0,003 M€ -99,9%

A Noruega consolidou-se como o maior fornecedor externo de zinco à UE, praticamente duplicando o seu valor exportado. O Peru mantém uma posição estável e crescente. Em contrapartida, registra-se um colapso acentuado das importações provenientes de Namíbia e Cazaquistão, que passaram de fornecedores relevantes a marginais.

2.2 O impacto do Brexit e a reorientação para mercados emergentes

O Reino Unido, que em 2015 era o terceiro maior fornecedor da UE com 125 milhões de euros, viu as suas exportações para o bloco cair 72,1%, para apenas 35 milhões em 2025. Este declínio acentuado coincide com a saída do Reino Unido do mercado único europeu (Brexit, formalizado em 2020), tendo as importações atingido o seu mínimo em 2021 (32 milhões de euros).

Do lado das exportações, a transformação é igualmente notável. A evolução dos principais destinos de exportação mostra:

Parceiro (exportações) 2015 2025 Variação
Turquia 146 M€ 409 M€ +180,7%
China 88 M€ 33 M€ -61,8%
Estados Unidos 243 M€ 78 M€ -67,8%
Índia 21 M€ 115 M€ +441,9%
Singapura 13 M€ 91 M€ +572,8%
Reino Unido 83 M€ 93 M€ +12,6%

A Turquia tornou-se o principal destino das exportações europeias de zinco, multiplicando quase por três o seu valor. Simultaneamente, destaca-se o crescimento exponencial das exportações para a Índia (+441,9%) e Singapura (+572,8%), reflectindo a reorientação geográfica do comércio europeu para mercados asiáticos em rápida industrialização.

2.3 O peso dos Estados-membros: Espanha e os Países Baixos lideram

Os principais Estados-membros exportadores evidenciam uma forte concentração em dois países:

Estado-membro (exportações) 2015 2025 Variação
Espanha 387 M€ 730 M€ +88,5%
Bélgica 165 M€ 305 M€ +84,7%
Alemanha 167 M€ 213 M€ +27,8%
Países Baixos 69 M€ 124 M€ +79,9%

Espanha, com 730 milhões de euros em exportações em 2025, é de longe o maior exportador europeu de zinco, representando cerca de 42% do total da UE. Do lado das importações, os Países Baixos emergiram como o maior importador (316 milhões de euros), reflectindo provavelmente o seu papel como hub logístico europeu, com o porto de Roterdão como ponto de entrada central.


3. Preços, volatilidade e estrutura de mercado

3.1 A escalada de preços e o choque de 2022

Os preços do zinco registaram um aumento generalizado ao longo da década. Os preços de importação subiram de 2 326 €/t (2015) para 3 424 €/t (2025), enquanto os preços de exportação passaram de 2 082 €/t para 2 858 €/t. O pico ocorreu em 2022, com preços de importação a atingirem 3 994 €/t e preços de exportação a rondarem 3 488 €/t, no contexto da crise energética europeia pós-invasão da Ucrânia e das disrupções nas cadeias de abastecimento globais.

Ao nível dos segmentos de produto, destaca-se a evolução por código CN. Os artigos de zinco (CN 7907) apresentam preços significativamente mais elevados do que o zinco em formas brutas (CN 7901), reflectindo o valor acrescentado da transformação:

Segmento Preço médio importação 2025 Preço médio exportação 2025
7901 — Zinco em formas brutas 2 786 €/t 2 633 €/t
7907 — Artigos de zinco, n.e. 10 721 €/t 14 792 €/t
7905 — Chapas, folhas e tiras 3 543 €/t 4 896 €/t
7904 — Barras, perfis e fios 3 722 €/t 4 626 €/t

A margem positiva nas exportações de 7907 (14 792 €/t vs. 10 721 €/t nas importações) sugere que a UE exporta artigos de zinco com maior valor acrescentado, enquanto importa zinco bruto a preços mais baixos para transformação interna — um padrão típico de uma economia industrializada.

3.2 Volatilidade e choques de abastecimento

A análise de volatilidade revela que os parceiros mais voláteis em importação são a Índia (coeficiente de variação de 2,52) e a Coreia do Sul (CV 2,06), enquanto em exportação Singapura (CV 1,47) e a China (CV 1,31) apresentam as maiores flutuações. A Noruega, apesar de ser o maior fornecedor, mantém uma volatilidade relativamente baixa (CV 0,11 nas importações), conferindo estabilidade à cadeia de abastecimento europeia.

Os principais choques de abastecimento detetados incluem:

Evento Tipo Fluxo Ano Variação de preço
Arábia Saudita Preço Exportação 2022 +379,7%
Malásia Preço Exportação 2017 +43,1%
México Preço Importação 2017 +39,7%

O choque mais expressivo ocorreu nas exportações para a Arábia Saudita em 2022, com um aumento de preço de quase 380%, refletindo a conjuntura global de escassez e inflação de preços das matérias-primas nesse ano.

3.3 Concentração do mercado e especialização produtiva

O índice de concentração HHI das importações subiu de 1 536 para 2 520 (+64,1%), sinalizando uma concentração crescente das fontes de abastecimento em poucos parceiros (nomeadamente Noruega e Peru). Em contrapartida, o HHI das exportações diminuiu de 1 105 para 826 (-25,3%), indicando que a UE diversificou os seus mercados de destino — em linha com o crescimento das exportações para a Índia, Singapura e Turquia.

A análise de especialização revela que a Finlândia é o Estado-membro mais especializado em zinco (RSCA de 0,85; RCA de 12,20), seguida pela Bulgária (RSCA 0,49) e Bélgica (RSCA 0,39). Em contraste, países como Chipre, Irlanda e Malta apresentam níveis mínimos de especialização neste setor.


Conclusão

O período 2015–2025 foi decisivo para o sector do zinco na UE. A combinação entre o crescimento da produção interna (+107% em volume), o aumento da propensão exportadora (+109%) e a reconfiguração das parcerias comerciais transformou a UE num exportador líquido de zinco e suas obras.

Três tendências estruturais merecem destaque: (i) a consolidação da Noruega como principal fornecedor estável e o colapso de fornecedores periféricos como Namíbia e Cazaquistão; (ii) a reorientação das exportações europeias para mercados emergentes (Turquia, Índia, Singapura) em detrimento dos destinos tradicionais (Estados Unidos, China); e (iii) a crescente concentração das importações em poucos parceiros, contrastando com a diversificação dos mercados de destino das exportações.

O choque de preços de 2022, associado à crise energética e geopolítica, foi um ponto de inflexão que acelerou a reestruturação das cadeias de valor, evidenciando simultaneamente a vulnerabilidade da UE a flutuações de preços das commodities metálicas e a sua crescente resiliência enquanto produtor e exportador de zinco transformado.

Gerado em 2026-08-07. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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