Evolução do mercado: Pó de zinco (CN 7903) — 2015–2025
Introdução
Este relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) referente ao código aduaneiro 7903 (Poeiras, pós e escamas, de zinco) no período entre 2015 e 2025. Com base nos dados disponíveis, explora-se as dinâmicas de importação, exportação, estrutura de mercado e vulnerabilidades, oferecendo uma interpretação das principais tendências e choques que marcaram este setor.
1. Desempenho Exportador Sustentado Apesar do Crescimento das Importações
A análise do período revela que a UE manteve uma posição de superávit comercial consistente para o pó de zinco. No entanto, tanto as exportações quanto as importações apresentaram um crescimento significativo, refletindo uma integração comercial aprofundada. As exportações da UE cresceram em valor em 53,5%, passando de 67,7 milhões EUR para 103,9 milhões EUR, enquanto as importações cresceram 55,5%, atingindo 37,9 milhões EUR em 2025. Este crescimento das importações, embora mais acentuado em termos percentuais, partiu de uma base inferior, mantendo o superávit comercial.
O crescimento das exportações foi sustentado por um aumento de 12,6% no volume (de 39.496 toneladas para 44.457 toneladas) combinado com uma subida de 36,4% no preço médio. Este padrão sugere uma valorização do produto europeu ou uma mudança para segmentos de maior valor acrescentado. O saldo comercial da UE permaneceu sempre positivo, variando entre 43,4 milhões EUR e 151,2 milhões EUR, demonstrando a robustez da indústria exportadora.
Evolução do Comércio Total da UE (CN 7903)
| Indicador | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Exportações (Valor, EUR) | 67,7 milhões | 103,9 milhões | +53,5% |
| Exportações (Quantidade, t) | 39.496 t | 44.457 t | +12,6% |
| Importações (Valor, EUR) | 24,4 milhões | 37,9 milhões | +55,5% |
| Importações (Quantidade, t) | 9.101 t | 10.298 t | +13,2% |
| Saldo Comercial (EUR) | 43,3 milhões | 66,0 milhões | +52,4% |
As principais economias exportadoras dentro da UE foram a Bélgica (crescimento de 100,9% para 50,8 milhões EUR), a Suécia (+151,6%) e a Alemanha, que registou uma ligeira contração (-20,5%). A concentração das exportações diminuiu, como evidenciado pela queda do índice HHI de 2.823 para 1.902, indicando uma base exportadora mais diversificada.
2. Redefinição das Parcerias Comerciais e Diversificação dos Fornecedores
A geografia comercial da UE para o pó de zinco passou por uma reconfigurada significativa. As importações tornaram-se menos dependentes de uma única fonte, com o HHI a cair 29,5% (de 6.392 para 4.506). A Noruega manteve-se como o maior fornecedor extra-bloco, mas o seu peso relativo diminuiu face ao crescimento exponencial de outros parceiros.
Dentro dos principais parceiros de importação, destaca-se a ascensão da Índia, que cresceu 1.299% em valor, e do Irão (+381,7%). Por outro lado, as importações dos Estados Unidos registaram uma queda dramática de 90%. No lado das exportações, os Estados Unidos continuaram a ser o principal destino, mas houve um crescimento notável das vendas para a Indonésia (+949,5%) e o Canadá (de 4.183 EUR para 3,7 milhões EUR). Este movimento sugere uma reorientação das exportações da UE para mercados asiáticos e norte-americanos em crescimento.
Principais Destinos e Origens do Comércio Extra-UE (2025)
| Exportações da UE | Valor (EUR) | Importações para a UE | Valor (EUR) |
|---|---|---|---|
| 1. Noruega | 25,4 milhões | 1. Noruega | 24,8 milhões |
| 2. Estados Unidos | 34,7 milhões | 2. Índia | 3,4 milhões |
| 3. Singapura | 7,5 milhões | 3. Suiça | 3,4 milhões |
| 4. Reino Unido | 2,8 milhões | 4. Irão | 2,1 milhões |
A especialização produtiva na UE é altamente concentrada. A Bélgica (RSCA: 0,705) e a Suécia (0,636) exibem uma vantagem comparativa revelada significativa, enquanto países como a Hungria, Letónia e Eslováquia (menores especializados) mostram uma produção quase nula, refletindo uma especialização geográfica dentro do bloco.
3. Preços em Ascensão, Volatilidade e Impactos no Mercado
A última década foi marcada por uma clara tendência de alta nos preços. O preço médio de exportação da UE subiu de 1.714 EUR/t para 2.337 EUR/t (+36,4%), enquanto o preço de importação aumentou de 2.675 EUR/t para 3.677 EUR/t (+37,4%). Os picos de preço ocorreram predominantemente entre 2021 e 2023, período que coincide com disrupções nas cadeias de abastecimento globais e pressões inflacionárias.
A análise de volatilidade revela que as relações com alguns parceiros foram particularmente instáveis. As importações da Índia (CV: 1,50) e dos EUA (CV: 1,44) apresentaram elevada volatilidade. Foram detetados choques de preço significativos, como o pico anómalo de 616,8% no preço das importações do Reino Unido em 2023 e o choque de 48,9% nas exportações para os EUA em 2022, que representa um peso de 54,4% no valor total, indicando a sua enorme influência.
A segmentação por produto mostra uma clara diferenciação. O subproduto 790390 (pós e escamas, excl. poeiras) é consistentemente mais valorizado, atingindo um preço de importação de 6.227 EUR/t em 2025, contra 3.475 EUR/t para as poeiras de zinco (790310). As exportações da UE de 790390 também comandam um preço superior (4.044 EUR/t vs. 1.689 EUR/t para 790310 em 2025), sugerindo que a UE se concentra na exportação de produtos de maior valor acrescentado.
Conclusão
Entre 2015 e 2025, o mercado europeu do pó de zinco (CN 7903) consolidou a sua posição como exportador líquido, apesar de um crescimento das importações quase equivalente. O setor demonstrou resiliência, mantendo superávits comerciais significativos. As principais dinâmicas foram a diversificação dos parceiros comerciais, tanto a nível de fornecedores quanto de mercados de destino, e uma forte valorização dos preços, impulsionada por choques externos e, possivelmente, por uma produção de maior valor.
A especialização produtiva permaneceu fortemente concentrada em poucos Estados-Membros, enquanto a volatilidade dos preços, especialmente com parceiros chave, sublinhou a exposição do seteur a disrupções nas cadeias de abastecimento globais. A distinção de valor entre os subprodutos sugere uma vantagem competitiva da UE na transformação de pós e escamas de maior valor. A autonomia do bloco, medida pela dependência líquida de importações, fortaleceu-se (de -20,9% para -31,0%), reforçando a sua posição de força no comércio global deste produto.