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Evolução do mercado: Coque de petróleo (CN 2713) — 2015–2025

Introdução

O código combinado (CN) 2713 abrange uma família de produtos residuais do refino de petróleo — coque de petróleo (calcinado e não calcinado), betume de petróleo e outros resíduos de óleos betuminosos. Estes produtos desempenham papéis industriais distintos: o coque de petróleo serve como matéria-prima para a produção de alumínio (anodos) e como combustível em centrais de cimento; o betume de petróleo é fundamental para a construção e manutenção de infraestruturas rodoviárias; os demais resíduos encontram aplicações energéticas e em pavimentação. O período 2015–2025 abrangeu ciclos de preços do petróleo profundamente díspares, a pandemia de COVID-19, e as sanções europeias à Rússia em 2022 — eventos que moldaram de forma decisiva o comércio externo da UE neste setor.

O presente relatório analisa a evolução das importações e exportações da União Europeia com países terceiros ao longo deste período de onze anos, com base em dados da Dashboard de Comércio da UE. A análise incide sobre três dinâmicas centrais: a consolidação da UE como exportador líquido, a reconfiguração geográfica dos fluxos comerciais, e a volatilidade dos preços que marcou o período.


1. Consolidação da UE como exportador líquido com excedente crescente

Ao longo da década analisada, a UE reforçou a sua posição como exportador líquido de produtos CN 2713. O balanço comercial passou de €471 milhões em 2015 para €1 225 milhões em 2025, registando um crescimento de 160,2%. Esta evolução reflete dinâmicas assimétricas entre exportações e importações, tanto em volume como em preço.

1.1. Exportações crescentes em volume e valor

As exportações da UE de CN 2713 para países terceiros apresentaram um crescimento robusto ao longo do período:

Indicador 2015 2022 (máx.) 2025 Variação 2015–2025
Valor (mil milhões EUR) 1,40 2,89 2,35 +67,7%
Volume (milhões t) 6,78 8,56 8,56 +26,2%
Preço médio (EUR/t) 207 395 275 +32,9%

O ano de 2022 representou o auge do ciclo exportador, com o valor a atingir €2,89 mil milhões — impulsionado simultaneamente por volumes elevados e preços historicamente altos ligados à crise energética global. Embora os valores tenham recuado face a esse pico, as exportações de 2025 permanecem substancialmente acima dos níveis pré-pandemia. O crescimento do volume exportado (+26,2%) evidencia que a expansão das exportações não se deveu exclusivamente ao aumento dos preços, mas também a um aumento real da capacidade de escoamento para mercados externos.

O betume de petróleo (271320) constitui a principal componente das exportações, representando 4,59 milhões de toneladas (54% do volume total) em 2025. O coque de petróleo não calcinado (271311) é o segundo maior segmento exportador, com 3,87 milhões de toneladas.

1.2. Importações em contração volumétrica, apesar da valorização em euros

Em contraste com as exportações, as importações apresentaram uma evolução divergente entre volume e valor:

Indicador 2015 2020 (mín.) 2022 (máx. valor) 2025 Variação 2015–2025
Valor (mil milhões EUR) 0,93 0,74 2,06 1,13 +21,0%
Volume (milhões t) 8,04 4,65 5,35 −33,5%
Preço médio (EUR/t) 116 96 352 211 +82,0%

O volume importado atingiu o mínimo histórico em 2020 (4,65 milhões de toneladas), refletindo a contração da procura industrial durante a pandemia, e não recuperou para os níveis anteriores. Em 2025, as importações volumétricas situam-se 33,5% abaixo de 2015. Contudo, o valor das importações em euros cresceu 21,0%, impulsionado inteiramente pela subida dos preços (+82,0%).

O coque de petróleo não calcinado (271311) é o produto dominante nas importações, com 3,70 milhões de toneladas em 2025 (69% do volume total), mas registou uma queda acentuada face aos 6,47 milhões de toneladas de 2015 (−42,8%). Este declínio sugere uma redução estrutural da dependência da UE em relação a fornecedores externos de coque não calcinado. Por outro lado, as importações de betume de petróleo (271320) cresceram de 415 mil para 639 mil toneladas (+54%), acompanhando o aumento da procura de infraestruturas.

1.3. Impacto assimétrico dos preços no balanço comercial

A divergência entre a evolução dos preços de exportação e importação constitui um fator-chave para a melhoria do excedente comercial:

Preço médio 2015 2022 2025
Exportação (EUR/t) 207 395 275
Importação (EUR/t) 116 352 211
Prémio exportação +78% +12% +30%

Os preços de exportação mantiveram-se consistentemente superiores aos de importação, mas o prémio contraiu-se significativamente em 2022 (apenas 12%), altura em que os picos de preços de energia afetaram ambos os lados de forma mais simétrica. Em 2025, o prémio recuperou parcialmente para +30%, refletindo a maior valorização dos produtos exportados pela UE face aos produtos importados — em parte porque as exportações da UE incluem uma proporção superior de produtos de maior valor acrescentado (betume e coque calcinado).


2. Reconfiguração geográfica dos fluxos comerciais e impacto das sanções

O período 2015–2025 assistiu a uma profunda reconfiguração das rotas de abastecimento e escoamento da UE, com mudanças radicais na distribuição geográfica dos parceiros comerciais. As sanções à Rússia, a instabilidade política na Venezuela e o surgimento de novos fornecedores moldaram decisivamente o padrão de comércio.

2.1. O colapso de fornecedores tradicionais e o surgimento de novos parceiros

A tabela abaixo sintetiza a evolução dos principais parceiros de importação:

Parceiro Importações 2015 (milhões EUR) Importações 2025 (milhões EUR) Variação
Estados Unidos 583 580 −0,6%
Reino Unido 63 148 +134,5%
Turquia 5 217 +4 233%
Venezuela 53 2 −96,7%
Rússia 7 32 +355,3%
Sérvia 49 6 −88,0%
Noruega 7 32 +338,4%

A Turquia emergiu como o caso mais dramático de crescimento, passando de fornecedor marginal (€5 milhões) para o terceiro maior fornecedor (€217 milhões) — um aumento de mais de 4 200%. Este crescimento reflete provavelmente a posição geográfica da Turquia como entreposto logístico e a capacidade das suas refinarias de fornecer produtos residuais de petróleo ao mercado europeu.

Os Estados Unidos mantiveram-se como o principal fornecedor ao longo de todo o período, com um valor praticamente estável em torno de €580 milhões, mas com uma volução muito mais elevada entre anos — o que indica uma dependência sujeita a flutuações significativas.

Por outro lado, a Venezuela praticamente desapareceu do mapa das importações (de €53 milhões para €2 milhões, −96,7%), refletindo o colapso da indústria petrolífera venezuelana e as sanções internacionais. A Sérvia também registou uma queda acentuada (−88,0%), passando de €49 milhões para €6 milhões.

2.2. Sanções à Rússia: impacto limitado mas em reconfiguração

O caso russo é particularmente revelador. As importações da UE provenientes da Rússia começaram em níveis modestos (€7 milhões em 2015), cresceram substancialmente até 2019 (atingindo €152 milhões — o máximo do período), e registaram depois uma trajetória errática. Em 2025, as importações situam-se em €32 milhões. Apesar das sanções de 2022, não houve uma eliminação completa das importações russas de CN 2713, o que pode refletir isenções específicas para determinados produtos energéticos ou a complexidade das cadeias de abastecimento.

2.3. Exportações da UE: redirecionamento para a bacia do Mediterrâneo e África

No lado das exportações, a distribuição dos parceiros revela uma concentração crescente na bacia do Mediterrâneo e no Norte de África:

Parceiro Exportações 2015 (milhões EUR) Exportações 2025 (milhões EUR) Variação
Reino Unido 158 377 +138,9%
Argélia 219 281 +28,5%
Marrocos 50 181 +258,7%
Egito 100 82 −17,5%
Tunísia 69 53 −22,8%
Estados Unidos 124 52 −58,1%
Noruega 155 165 +5,9%

O Reino Unido consolidou-se como o principal destino das exportações da UE, com um crescimento de +138,9% — em parte resultado do Brexit, que converteu o comércio anteriormente intra-UE em comércio com países terceiros. Marrocos registou o crescimento mais expressivo (+258,7%), refletindo provavelmente a industrialização crescente do país e a sua procura de matérias-primas energéticas e de construção.

Em contraste, as exportações para os EUA diminuíram 58,1%, possivelmente devido ao aumento da capacidade de refino doméstica norte-americana e à menor necessidade de importar produtos residuais da UE.

2.4. Decomposição do comércio intra-UE: os Estados-Membros como motores do fluxo

Os dados dos principais Estados-Membros exportadores e importadores revelam a heterogeneidade interna da UE:

Principais exportadores intra-UE (2025):

Estado-Membro Exportações 2015 (milhões EUR) Exportações 2025 (milhões EUR) Variação
Espanha 388 544 +40,0%
Grécia 175 433 +146,9%
Itália 282 203 −27,7%
Países Baixos 99 375 +278,3%
Alemanha 102 103 +0,9%
Suécia 146 103 −29,7%
França 34 110 +222,9%

A Espanha e a Grécia dominam as exportações, o que é consistente com a localização das suas refinarias costeiras e a proximidade geográfica dos mercados do Norte de África e Médio Oriente. Os Países Baixos registaram o crescimento mais espetacular (+278,3%), refletindo o papel de Roterdão como hub logístico europeu. A França também apresentou um crescimento expressivo (+222,9%).

Principais importadores intra-UE (2025):

Estado-Membro Importações 2015 (milhões EUR) Importações 2025 (milhões EUR) Variação
Espanha 151 177 +17,2%
Países Baixos 171 190 +11,3%
França 105 165 +57,1%
Itália 104 168 +60,9%
Alemanha 66 52 −22,2%
Bélgica 42 120 +187,3%
Grécia 84 55 −33,8%

É notável que a Espanha, a Grécia e os Países Baixos figurem simultaneamente entre os maiores exportadores e importadores — evidência do papel destes países como intermediários e transformadores que importam matérias-primas (coque não calcinado) e exportam produtos processados (betume, coque calcinado).


3. Volatilidade dos preços, choques de abastecimento e estrutura de mercado

O período em análise foi marcado por episódios de volatilidade de preços excepcional, afetando de forma desigual os diferentes parceiros e produtos.

3.1. Choques de preços identificados

A análise de volatilidade e choques de abastecimento identificou três eventos de anomalia significativa:

Evento Tipo Fluxo Centro Variação Abnormalidade Quota de valor
Reino Unido Preço Importações 2018 +144,0% 21,9 15,8%
Turquia Preço Importações 2019 +314,6% 19,9 8,1%
China Preço Exportações 2021 +167,8% 15,8 4,3%

O choque de preços das importações do Reino Unido em 2018 (+144%) coincide com o período de incerteza pré-Brexit e com flutuações nos preços do petróleo bruto. O choque da Turquia em 2019 (+315%) reflete a entrada abrupta de um novo fornecedor com preços inicialmente muito baixos, seguida de uma normalização. O choque das exportações para a China em 2021 (+168%) está possivelmente ligado à recuperação económica pós-COVID e à procura chinesa de matérias-primas industriais.

3.2. Volatilidade por parceiro comercial

O coeficiente de variação (CV) permite comparar a estabilidade dos diferentes parceiros:

Importações — volatilidade por parceiro (CV):

Parceiro CV
China 0,17
Estados Unidos 0,19
Reino Unido 0,20
Noruega 0,50
Sérvia 0,50
Turquia 0,47
Rússia 0,69
Venezuela 0,65
Bósnia e Herzegovina 1,26
Argentina 1,00

Os parceiros com maior volatilidade (Bósnia e Herzegovina, Argentina, Rússia, Venezuela) são precisamente aqueles que apresentaram os maiores declínios ou flutuações nas suas exportações para a UE — confirmando que a instabilidade dos fornecedores se reflete diretamente na volatilidade dos fluxos comerciais.

Exportações — volatilidade por parceiro (CV):

Parceiro CV
Suíça 0,14
Marrocos 0,14
Argélia 0,18
Noruega 0,21
Tunísia 0,22
Reino Unido 0,25
Estados Unidos 0,38
Turquia 0,40
Bahrein 0,43
Egito 0,35

As exportações da UE para os parceiros do Norte de África (Marrocos, Argélia, Tunísia) apresentam a menor volatilidade, sugerindo relações comerciais estáveis e previsíveis. Os parceiros mais distantes ou em mercados emergentes (Bahrein, Togo, China) exibem maior instabilidade.

3.3. Evolução dos preços por segmento de produto

A decomposição por subproduto CN revela padrões de preços muito distintos:

Preços de importação (EUR/t):

Subproduto 2015 2022 (máx.) 2025 Variação
271311 — Não calcinado 65 206 101 +56%
271312 — Calcinado 376 1 035 575 +53%
271320 — Betume 290 518 421 +45%
271390 — Outros resíduos 158 394 257 +63%

Preços de exportação (EUR/t):

Subproduto 2015 2022 (máx.) 2025 Variação
271311 — Não calcinado 100 310 182 +82%
271312 — Calcinado 369 953 473 +28%
271320 — Betume 243 468 348 +43%
271390 — Outros resíduos 402 534 566 +41%

O coque calcinado (271312) é consistentemente o produto de maior valor unitário, com preços de importação a atingirem €1 035/t em 2022. Os "outros resíduos" (271390) apresentam a maior variabilidade, com preços de exportação a atingirem €1 175/t em 2024 — uma anomalia que pode refletir transações pontuais de elevado valor. Os preços de 2022 representam, em todos os subprodutos, o pico do período, ligado à crise energética global pós-invasão da Ucrânia.

3.4. Concentração de mercado e estrutura competitiva

A concentração de mercado, medida pelo Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI), apresentou uma evolução distinta entre importações e exportações:

HHI (valor) 2015 2025 Variação
Importações 4 336 3 257 −24,9%
Exportações 794 691 −13,0%

A concentração das importações diminuiu significativamente (−24,9%), refletindo a diversificação das fontes de abastecimento. Em 2015, as importações estavam fortemente concentradas nos Estados Unidos; em 2025, o surgimento da Turquia e o crescimento do Reino Unido e da Noruega distribuíram os fluxos por mais parceiros. A concentração das exportações, já inferior, também diminuiu, indicando uma diversificação dos mercados de destino da UE.

Os índices de especialização (RSCA) para 2025 revelam que a Grécia (RSCA = 0,84) e a Lituânia (RSCA = 0,80) são os Estados-Membros mais especializados na exportação de CN 2713, enquanto países como a Croácia e o Luxemburgo apresentam índices próximos de zero, indicando ausência de vantagem comparativa neste setor.


Conclusão

O mercado europeu de coque de petróleo, betume de petróleo e resíduos associados (CN 2713) experimentou uma transformação significativa entre 2015 e 2025. Três conclusões principais emergem da análise:

Primeiro, a UE consolidou a sua posição como exportador líquido, com o excedente comercial a crescer 160% (de €471 milhões para €1 225 milhões). Esta evolução resultou da combinação de um crescimento sustentado das exportações (+67,7% em valor) com uma contração das importações volumétricas (−33,5%) — parcialmente compensada pela subida dos preços de importação (+82,0%).

Segundo, o período foi marcado por uma profunda reconfiguração geográfica. O colapso da Venezuela como fornecedor, o crescimento meteórico da Turquia (+4 233%), a consolidação dos EUA como parceiro estável, e a redução das relações com a Rússia e a Sérvia redesenharam o mapa das importações. No lado das exportações, o Brexit transformou o Reino Unido no principal destino, enquanto os mercados do Norte de África (Marrocos, Argélia) consolidaram a sua importância.

Terceiro, os preços de 2022 representaram um ponto de inflexão. A crise energética global elevou os preços a máximos históricos em todos os subprodutos — com o coque calcinado a atingir €1 035/t nas importações e €953/t nas exportações. Embora os preços tenham entretanto recuado, situam-se ainda significativamente acima dos níveis pré-2020, e a volatilidade permanece elevada, particularmente para parceiros de abastecimento menos consolidados.

O período 2015–2025 demonstra que o mercado de CN 2713 na UE é resiliente mas sensível a choques geopolíticos e energéticos. A capacidade da UE de manter um excedente comercial crescente, apesar das perturbações na cadeia de abastecimento, sugere uma base industrial robusta — sobretudo nos países do Sul da Europa (Espanha, Grécia, Itália) e nos Países Baixos — capaz de transformar matérias-primas importadas em produtos de maior valor acrescentado para exportação.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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