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Evolução do mercado: Coque (CN 2704) — 2015–2025

Introdução

Este relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) com países terceiros para o código NC 2704 — Coques e semicoques, de hulha, de linhite ou de turfa, mesmo aglomerados; carvão de retorta — no período de 2015 a 2025. A análise baseia-se nos dados de valor, volume e preço das importações e exportações, bem como na estrutura geográfica e na volatilidade do mercado. Os dados revelam um período de crescimento significativo, marcado por grandes mudanças na origem das importações e por um aumento da concentração do fornecimento.

1. Crescimento de Valor Supera a Expansão do Volume: Preços como Motor Principal

A dinâmica comercial do coque na UE entre 2015 e 2025 foi caracterizada por um aumento acentuado do valor transacionado que superou, em muito, o crescimento das quantidades físicas trocadas. Isso indica que o aumento dos preços internacionais foi o principal fator por trás da expansão do mercado.

1.1. Comércio crescente, mas com desempenhos distintos entre importações e exportações

As importações e exportações da UE cresceram em valor, mas as importações apresentaram uma taxa de crescimento substancialmente mais elevada. O valor das importações da UE cresceu 89,5% (de 189,8 milhões EUR em 2015 para 359,7 milhões EUR em 2025), enquanto o das exportações cresceu 63,8% (de 391,3 milhões EUR para 641,1 milhões EUR). Em termos de volume, o crescimento foi mais modesto: as importações aumentaram 26,2% (de 1,36 milhões de toneladas para 1,72 milhões de toneladas) e as exportações 10,5% (de 2,23 milhões de toneladas para 2,47 milhões de toneladas). A evolução detalhada pode ser consultada no Painel Geral.

1.2. Aumentos generalizados dos preços, com maior impacto nas importações

Os preços unitários médios subiram significativamente tanto nas importações como nas exportações, reforçando a tese de que os fatores de preço foram determinantes. O preço médio de importação aumentou 50,1% (de 139,1 EUR/t para 208,8 EUR/t), enquanto o preço médio de exportação subiu 48,3% (de 175,3 EUR/t para 260,0 EUR/t). Apesar do crescimento percentual semelhante, o preço de exportação da UE manteve-se consistentemente superior ao de importação, contribuindo para a manutenção de um superavit comercial. O saldo comercial da UE (em valor) cresceu 39,7% ao longo do período.

1.3. Principais choques de preço em 2017 afetaram parceiros chave

O período em análise foi marcado por eventos de volatilidade de preços. Em 2017, registaram-se choques de preço significativos nas importações da Colômbia (um aumento de 71,4% no preço, com uma elevada quota de valor de 25,8%) e nas exportações para a Índia (um aumento de 70,8% no preço, com uma quota de valor de 33,3%). Estes eventos, detalhados na análise de choques de abastecimento, contribuíram para a trajetória ascendente dos preços médios registada a partir desse ano.

2. Reconfiguração Geográfica: Concentração e Novos Fornecedores

A geografia do comércio de coque da UE sofreu transformações profundas, com mudanças drásticas na composição dos principais parceiros comerciais, tanto nas importações como nas exportações.

2.1. Nas importações: Surgimento da Indonésia e queda dos EUA e do Reino Unido

O mapa das importações foi redesenhado. A Rússia tornou-se o maior fornecedor, crescendo 202,6% em valor, mas a mudança mais dramática foi o surgimento da Indónesia, que passou de exportações marginais (2,5 mil EUR) em 2015 para 161,7 milhões EUR em 2025, representando um crescimento de quase 6.522.000%. Em contraste, as importações dos Estados Unidos e do Reino Unido caíram drasticamente (-98,9% e -43,9%, respetivamente). A Colômbia consolidou-se como segundo maior fornecedor, com um crescimento de 324,9%. Estas alterações são detalhadas nos principais parceiros por valor.

2.2. Nas exportações: Índia torna-se o principal destino, com Polónia a dominar a oferta da UE

No lado das exportações, a Índia tornou-se o principal destino, com um crescimento de 320,8% no valor importado da UE. A Ucrânia, a Noruega e a Sérvia continuaram como mercados importantes. No seio da UE, a Polónia consolidou a sua posição como o maior exportador de coque para países terceiros, representando mais de 85% do valor total das exportações da UE em 2025 (550,7 milhões EUR). Os principais exportadores da UE mostram que a sua quota cresceu de 73% para 85% no período, enquanto outros Estados-Membros como os Países Baixos viram a sua quota desaparecer.

2.3. Aumento da concentração das importações e especialização da produção interna

A concentração do fornecimento de importações aumentou significativamente. O Índice de Hirfindahl-Hirschman (HHI) das importações em valor subiu de 1871 para 3125, um aumento de 67,1%, indicando um mercado de importação menos diversificado e mais dependente de um menor número de fornecedores. Por outro lado, a concentração das exportações manteve-se relativamente estável. A análise da especialização revela que a Polónia tem uma vantagem comparativa revelada (RCA) extremamente elevada (8,44) na produção de coque, especialização que se acentuou ao longo do tempo. Outros Estados-Membros como a Alemanha e a Itália, por outro lado, tornaram-se menos especializados (RCA < 1).

3. Volatilidade e Dependência: Riscos Emergentes na Cadeia de Abastecimento

A análise da volatilidade dos fluxos comerciais por parceiro revela padrões de risco significativos e destaca a vulnerabilidade da UE a perturbações em fornecedores específicos.

3.1. Elevada volatilidade nas importações de parceiros não tradicionais

O coeficiente de variação (CV) dos fluxos de importação é particularmente elevado para alguns dos parceiros que ganharam importância recente, como a Indonésia (CV=1,43), a Índia (CV=1,67) e a Turquia (CV=1,46). Isto indica uma grande variabilidade ano-a-ano nas quantidades e valores importados, sugerindo que estes fluxos podem ser mais sensíveis a choques ou decisões comerciais pontuais. Em contraste, fornecedores mais estabelecidos como a Rússia (CV=0,29) e a Colômbia (CV=0,54) apresentaram uma volatilidade relativamente mais baixa. A análise de volatilidade sublinha estes riscos.

3.2. Dependência crescente de fornecedores com perfis de risco variados

A combinação do aumento da concentração (HHI) e da elevada volatilidade de alguns parceiros chave cria um cenário de risco. A dependência da Indonésia, um parceiro com volatilidade extremamente alta e cujas importações cresceram exponencialmente num curto espaço de tempo, representa uma vulnerabilidade potencial. Da mesma forma, a forte dependência da Rússia como fornecedor, apesar da sua menor volatilidade, poderia ser vista como um risco de concentração geopolítica, embora os dados não cubram explicitamente o período pós-2022 onde este fator se tornou predominante.

3.3. Os mercados de exportação da UE mostram padrões mais estáveis

A volatilidade das exportações da UE é, em geral, mais moderada. Os mercados mais importantes como a Índia (CV=0,26) e a Noruega (CV=0,13) demonstram uma grande estabilidade, o que é positivo para os exportadores da UE. No entanto, existem exceções de elevada volatilidade em mercados menores, como as exportações para a China (CV=2,84) e o Brasil (CV=1,58). Esta estabilidade relativa no lado da exportação, combinada com a instabilidade no lado da importação, sugere que os riscos da cadeia de abastecimento da UE para este produto se concentram mais na aquisição de matérias-primas do que na colocação do seu produto no mercado internacional.

Conclusão

O mercado do coque (CN 2704) na UE entre 2015 e 2025 foi marcado por um forte crescimento do valor comercial, impulsionado sobretudo por aumentos de preço. Geograficamente, registou-se uma profunda reconfiguração, com a ascensão da Indonésia e da Rússia como fornecedores dominantes e a consolidação da Polónia como o coração exportador da UE, para a Índia. Esta evolução trouxe consigo um aumento significativo da concentração do abastecimento de importações e uma exposição a parceiros com elevada volatilidade nos fluxos. Estes fatores sugerem que, embora o setor tenha apresentado crescimento em valor, a UE se tornou mais dependente de uma base de fornecimento menos diversificada e potencialmente mais instável. A especialização intensiva da Polónia em exportações representa simultaneamente uma força competitiva da UE e um ponto de concentração de risco interno. A monitorização contínua das fontes de abastecimento e da sua estabilidade será crucial para gerir os riscos inerentes a este setor estratégico.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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