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Evolução do mercado: Amianto (CN 2524) — 2015–2025

Introdução

O amianto (código NC 2524) é um produto mineral cujo uso comercial foi proibido na União Europeia ao abrigo da Diretiva 1999/77/CE e, mais recentemente, regulamentado de forma ainda mais restritiva pelo Regulamento (UE) 2024/3190. Apesar da proibição em vigor desde 2005, persistem fluxos residuais de comércio externo da UE, ligados sobretudo a amostras para investigação científica, operações de descontaminação e gestão de resíduos. O período em análise (2015–2025) permite observar de que forma o quadro regulamentar moldou a estrutura do mercado, a evolução dos preços e a concentração das fontes de abastecimento. Este relatório descreve e interpreta as principais dinâmicas observadas com base nos dados disponíveis.


1. Colapso estrutural do comércio externo da UE

O período 2015–2025 é marcado por uma contração acentuada dos volumes comercializados, tanto em importação como em exportação, refletindo o impacto cumulativo das proibições europeias e da crescente pressão social e ambiental contra o amianto.

1.1. As importações perderam três quartos do seu volume

O volume importado desceu de 163,14 t em 2015 para 37,59 t em 2025, uma queda de -77,0%. Apesar disso, o valor total das importações subiu de €3.264 para €7.763 (+137,8%), devido ao aumento exponencial do preço unitário. A seguir, a evolução sintetizada:

Indicador 2015 2025 Variação
Volume importado (t) 163,14 37,59 -77,0%
Valor importado (€) 3.264 7.763 +137,8%
Preço médio (€/t) 20,01 164,82 +723,8%

1.2. As exportações da UE tornaram-se residuais

As exportações praticamente desapareceram. O valor passou de €365 em 2015 para apenas €1 em 2025 (−99,7%), e o volume caiu de 0,14 t para 0,001 t (−93,3%). O máximo registado foi em 2022 (€26.660; 38,79 t), correspondente a uma exportação pontual — provavelmente uma amostra ou envio de cariz científico — sem que tal tenha constituído tendência.

Indicador 2015 2025 Variação
Volume exportado (t) 0,14 0,001 -99,3%
Valor exportado (€) 365 1 -99,7%

1.3. O défice comercial persiste mas diminui em intensidade relativa

A dependência líquida de importações desceu de 37,6% em 2015 para 24,5% em 2025 (−34,8%), refletindo uma redução das necessidades de importação face à produção interna. A intensidade comercial seguiu a mesma trajetória, descendo de 57,9% para 48,2% (−16,8%), sugerindo uma economia progressivamente mais fechada para este produto.


2. Reconfiguração geográfica e concentração das trocas

A redução dos volumes globais esconde uma profunda reconfiguração dos parceiros comerciais da UE, tanto do lado das importações como das exportações.

2.1. A Suíça perdeu o estatuto de principal fornecedor

Em 2015, a Suíça era o maior fornecedor de amianto à UE, com €20.900 em valor. Em 2025, esse valor desceu para €2.041 (−90,2%). A Noruega manteve-se como fornecedor relevante, mas também em declínio (de €5.135 para €2.345, −54,3%). A Nigéria surge como fornecedor pontual (€29.617), associada a uma importação única por Portugal em 2015, e Gibraltar registou um crescimento acentuado (de €608 para €16.876).

Parceiro 2015 (€) 2025 (€) Variação
Suíça 20.900 2.041 -90,2%
Noruega 5.135 2.345 -54,3%
Gibraltar 608 16.876 +2.676%
Andorra 1.540 100 -93,5%

2.2. A Alemanha e Portugal saíram do mapa das importações

Do lado dos Estados-Membros importadores, as mudanças foram drásticas. A Alemanha passou de €27.739 para €19 (−99,9%), e Portugal de €29.617 para €1.535 (−94,8%). Em contrapartida, os Países Baixos registaram um crescimento exponencial, de €2 para €4.415, possivelmente associado a trânsitos portuários ou a operações de gestão de resíduos.

Estado-Membro 2015 (€) 2025 (€) Variação
Alemanha 27.739 19 -99,9%
Portugal 29.617 1.535 -94,8%
França 18.400 5.814 -68,4%
Países Baixos 2 4.415 +220.650%

2.3. A concentração das importações diminuiu, a das exportações tornou-se absoluta

O Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações por valor desceu de 8.032 para 4.129 (−48,6%), indicando uma maior diversificação das fontes de abastecimento. Pelo contrário, o HHI das exportações subiu de 7.596 para 10.000 (máximo possível), sinalizando que as escassas exportações da UE se concentraram num único destino — provavelmente um parceiro pontual.

Fluxo HHI 2015 HHI 2025 Variação
Importações 8.032 4.129 -48,6%
Exportações 7.596 10.000 +31,6%

3. Disparidade de preços e choques pontuais

A evolução dos preços revela as tensões entre a escassez progressiva de oferta e a natureza residual da procura, gerando volatilidade e episódios de choque esporádicos.

3.1. O preço médio de importação multiplicou-se por oito

O preço médio de importação subiu de €20,01/t para €164,82/t (+723,8%) ao longo do período. Este aumento acentuado reflete a crescente dificuldade em obter amianto no mercado internacional, à medida que os países produtores também restringem as exportações e os volumes disponíveis se reduzem. Adicionalmente, os custos regulamentares (certificação, transporte especial, destinação final controlada) agravam o preço final. A crocidolite (NC 252410), subproduto de risco particularmente elevado, apresentou preços unitários muito superiores (até €6.960/t em 2016), embora em volumes residuais.

Segmento Preço médio 2015 (€/t) Preço médio 2025 (€/t)
NC 252490 (outro amianto) 20,01 164,70
NC 252410 (crocidolite) n.d. 4.689,00

3.2. O choque de 2021 nas importações dos EUA

A análise de choques detetou um episódio significativo em 2021: as importações dos EUA registaram um aumento de preço de +7.683,9% face ao ano anterior, com um grau de anormalidade de 102,2. Este choque, que representou 17,7% do valor total das importações nesse ano, pode estar associado a uma encomenda pontual para investigação ou a uma reclassificação estatística. Um choque secundário, de menor magnitude, foi registado nas importações da China em 2021 (+113,9%).

Evento Tipo Fluxo Ano Desvio (%) Peso no valor
EUA Preço Importação 2021 +7.683,9% 17,7%
China Preço Importação 2021 +113,9% 4,0%
Andorra Preço Importação 2020 -40,5% 2,0%

3.3. A volatilidade é mais acentuada nos parceiros marginais

Os coeficientes de variação mais elevados registam-se precisamente nos parceiros com volumes mais baixos e intermitentes. Os EUA apresentam CV de 2,59 nas importações, o Reino Unido 1,48, e a Suíça 1,23. Estes valores refletem operações esporádicas — amostras, envios de investigação, ou reexportações — mais do que relações comerciais estáveis. A Noruega, com CV de 0,46, é o parceiro mais regular do lado das importações.


Conclusão

O mercado europeu do amianto (CN 2524) entre 2015 e 2025 apresenta um padrão inequívoco de contração estrutural. Os volumes importados diminuíram 77%, as exportações tornaram-se praticamente inexistentes, e o preço médio multiplicou-se por oito. A proibição europeia de 2005 e as subsequentes restrições internacionais moldaram um mercado residual, onde as transações remanescentes se explicam sobretudo por necessidades de descontaminação, investigação científica e gestão de resíduos de amianto existente.

A geografia do comércio reconfigurou-se significativamente: parceiros tradicionais como a Suíça e a Noruega perderam relevância, enquanto surgiram fornecedores pontuais como a Nigéria (associada a uma importação única de Portugal) e Gibraltar. A concentração das importações diminuiu (HHI −49%), mas o mercado tornou-se mais volátil e dependente de transações esporádicas.

Em termos de autonomia, a UE reduziu a sua dependência externa de importação (de 37,6% para 24,5%), mas o produto permanece como um caso emblemático de exposição regulamentar: qualquer interrupção nas escassas fontes de abastecimento remanescentes teria impacto desproporcionado num mercado onde volumes e preços oscilam de forma acentuada. A entrada em vigor do Regulamento (UE) 2024/3190, com proibições adicionais, deverá agravar ainda mais esta tendência de contração nos próximos anos.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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