Evolução do mercado: Mármores e travertinos (CN 2515) — 2015–2025
Introdução
O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) relativamente à posição pautal CN 2515 — Mármores, travertinos, granitos belgas e outras pedras calcárias de cantaria ou de construção, no período compreendido entre 2015 e 2025. Esta posição abrange mármores e travertinos em bruto ou desbastados (251511), simplesmente cortados à serra (251512), bem como granitos belgas, pedras calcárias de construção e alabastro (251520).
A UE é um exportador líquido estrutural neste setor, apresentando ao longo de todo o período um saldo comercial positivo significativo. Entre 2015 e 2025, as exportações totais atingiram um máximo de 834 milhões de euros e um mínimo de 521 milhões de euros, enquanto as importações oscilaram entre 82 milhões e 140 milhões de euros. A análise que se segue organiza-se em três eixos principais: as tendências agregadas do comércio, a estrutura geográfica e produtiva do mercado, e as dinâmicas de preço e segmentação por produto.
1. Tendências agregadas: contração de volume, crescimento de valor unitário
1.1. Exportações em claro declínio volumétrico
O indicador mais marcante do período é a queda acentuada do volume exportado pela UE. Em 2015, as exportações totalizaram 3.361.868 toneladas; em 2025, apenas 2.371.395 toneladas — uma redução de 29,5%. O ponto mínimo registou-se em 2023, com 2.241.884 toneladas, sugerindo uma ligeira recuperação nos dois últimos anos.
Em termos de valor, a redução foi mais moderada (de 684 milhões para 643 milhões de euros, -6,0%), o que indica que a valorização dos preços compensou parcialmente a perda de volume. Este desacoplamento entre volume e valor é uma das características centrais do período em análise.
| Indicador Exportações | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Valor (M EUR) | 684,1 | 643,0 | -6,0 |
| Quantidade (kt) | 3.362 | 2.371 | -29,5 |
| Preço médio (EUR/t) | 203,5 | 271,2 | +33,2 |
1.2. Importações relativamente estáveis em volume, com crescimento moderado em valor
Do lado das importações, o comportamento é substancialmente diferente. A quantidade importada cresceu apenas 4,8% (de 336.159 para 352.414 toneladas), mas o valor aumentou 18,2% (de 104 milhões para 123 milhões de euros), impulsionado por um aumento do preço médio de importação de 311 para 350 EUR/t (+12,7%).
As importações atingiram o seu máximo em 2019, tanto em volume (425.392 toneladas) como em valor (140 milhões de euros), tendo depois registado uma correção significativa durante a pandemia de 2020.
| Indicador Importações | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Valor (M EUR) | 104,5 | 123,5 | +18,2 |
| Quantidade (kt) | 336 | 352 | +4,8 |
| Preço médio (EUR/t) | 310,7 | 350,3 | +12,7 |
1.3. O impacto da pandemia de 2020 como ponto de rutura
O ano de 2020 constitui um ponto de inflexão claro em ambas as faces do comércio. As exportações caíram para 521 milhões de euros (mínimo da série) e as importações desceram para 82 milhões de euros. As exportações volumétricas atingiram igualmente o mínimo em 2020 (não disponível diretamente, mas evidenciado pelo comportamento dos subprodutos — ver dados de segmentação por produto).
A recuperação pós-pandémica foi assimétrica: o valor das exportações recuperou mais rapidamente do que o volume, reforçando a tendência de valorização dos preços unitários que já se vinha a registar desde 2019.
2. Concentração crescente e reconfiguração das parcerias comerciais
2.1. Itália como polo dominante das exportações da UE
A estrutura das exportações da UE para países terceiros é altamente concentrada. O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) para o valor das exportações subiu de 2.799 em 2015 para 4.253 em 2025 (+51,9%), atingindo o máximo em 2022 (4.861). Este nível de concentração reflete a dominância da Itália, que sozinha representa 59,7% do valor total exportado em 2025 (383,8 milhões de euros), crescendo 19,7% ao longo do período.
Os principais destinos das exportações da UE são a China (410 milhões de euros em 2025, +22,3%), a Índia (75 milhões, -18,6%) e o Egito (14,7 milhões, +33,3%). A China constitui, de longe, o mercado mais importante, absorvendo mais de metade do valor exportado.
| Principais destinos (2025) | Valor (M EUR) | Variação 2015–25 (%) |
|---|---|---|
| China | 409,9 | +22,3 |
| Índia | 75,3 | -18,6 |
| Egito | 14,7 | +33,3 |
| Argélia | 15,0 | -20,8 |
| Suíça | 6,2 | +7,9 |
| Hong Kong | 7,0 | -62,5 |
2.2. Origens das importações: diversificação parcial com novos atores
O lado das importações apresenta uma concentração mais baixa (HHI de 1.060 em 2025), mas com uma tendência crescente (+20,9%). A evolução dos principais fornecedores revela mudanças significativas:
- Turquia consolidou-se como o maior fornecedor externo, crescendo 67,5% (de 18,3 para 30,6 milhões de euros).
- Albânia registou o crescimento mais espetacular: de 1,0 milhão em 2015 para 7,1 milhões em 2025 (+604,5%), refletindo o desenvolvimento da sua indústria extractiva.
- Namíbia cresceu 65,3%, atingindo 17,1 milhões de euros.
- Macedónia do Norte e Tunísia registaram quedas acentuadas (-33,2% e -60,2%, respetivamente).
| Principais origens (2025) | Valor (M EUR) | Variação 2015–25 (%) |
|---|---|---|
| Turquia | 30,6 | +67,5 |
| Namíbia | 17,1 | +65,3 |
| Albânia | 7,1 | +604,5 |
| Índia | 5,2 | +33,9 |
| Irão | 6,8 | -37,7 |
| Macedónia do Norte | 8,3 | -33,2 |
2.3. O peso das economias mediterrânicas na produção europeia
A análise de especialização evidencia que a Grécia (RSCA de 0,90), a Croácia (0,87) e Portugal (0,87) possuem as maiores vantagens comparativas reveladas neste setor. A Itália, apesar de dominante em termos absolutos, apresenta um RSCA mais moderado (0,47), refletindo a sua elevada diversificação exportadora.
A produção industrial da UE (dados PRODCOM) diminuiu significativamente: a quantidade caiu 41,5% (de 25,5 mil milhões para 14,9 mil milhões de kg) e o valor recuou 24,1% (de 1.320 milhões para 1.002 milhões de euros). Esta redução sugere uma reestruturação produtiva, com possível deslocalização de parte da transformação para países terceiros ou concentração em segmentos de maior valor acrescentado.
3. Dinâmicas de preço e segmentação por produto
3.1. Desacoplamento preço-volume: a aposta na valorização
Um dos dados mais relevantes do período é o aumento consistente dos preços médios de exportação, que subiram de 203,5 para 271,2 EUR/t (+33,2%). Este fenómeno ocorre em simultâneo com a queda de volume, sugerindo uma reorientação do comércio europeu para produtos de maior valor unitário.
O preço médio de importação é consistentemente superior ao de exportação (350 vs. 271 EUR/t em 2025), o que pode indicar que a UE importa sobretudo produtos de especialidade ou de qualidade superior, enquanto exporta maioritariamente blocos e placas em bruto.
3.2. O contraste entre os subprodutos 251511 e 251512
A segmentação por produto revela dinâmicas distintas entre as duas principais subcategorias:
Exportações:
- 251511 (em bruto ou desbastados): O volume caiu de 1.970.442 para 1.264.623 toneladas (-35,8%), mas o valor unitário subiu de 193 para 300 EUR/t (+55,3%). É o principal segmento exportador (379,6 milhões de euros em 2025).
- 251512 (simplesmente cortados à serra): O volume diminuiu de 934.369 para 670.166 toneladas (-28,3%), com aumento de preço de 269 para 291 EUR/t (+8,1%).
- 251520 (granitos belgas, calcários, alabastro): Segmento mais pequeno, com 436.606 toneladas exportadas em 2025 e preço de 157 EUR/t.
Importações:
- 251511 (em bruto): Apresenta a maior queda volumétrica — de 250.965 para 225.948 toneladas (-9,9%) —, embora com recuperação de preço (de 319 para 333 EUR/t).
- 251512 (cortados à serra): Registou crescimento substancial em volume (+48,2%, de 73.844 para 109.446 toneladas) e em preço (+34,5%, de 290 para 390 EUR/t). Este é o segmento que mais cresceu em termos de importações.
- 251520: Volumes reduzidos (17.021 toneladas em 2025), com preço de 321 EUR/t.
3.3. Volatilidade e choques de abastecimento
A análise de volatilidade identifica choques pontuais relevantes. O mais significativo ocorreu em 2020 nas importações da Macedónia do Norte, com uma descida de preço de 35,5% e uma anomalia de 6,0 desvios-padrão, em simultâneo com a pandemia COVID-19. Este choque representou 14,7% do valor das importações desse ano.
Entre os parceiros de exportação, Hong Kong apresenta a maior volatilidade (CV de 0,61), seguido do Líbano (0,60) e da Arábia Saudita (0,67). Do lado das importações, a Tunísia (0,51) e os Estados Unidos (0,44) exibem os maiores coeficientes de variação, sugerindo padrões de comércio mais instáveis com estes parceiros.
Conclusão
O mercado europeu de mármores, travertinos e pedras calcárias (CN 2515) entre 2015 e 2025 caracteriza-se por três grandes dinâmicas interligadas:
-
Contração estrutural do volume comercializado, com as exportações a recuarem quase 30% em tonelagem, refletindo possivelmente a concorrência internacional, a redução da produção europeia (-41,5% em quantidade) e a reorientação para segmentos de maior valor.
-
Valorização crescente dos preços, que permite manter o valor das exportações num patamar relativamente estável apesar da queda de volume. Os preços de exportação cresceram 33% e os de importação 13%, evidenciando uma dinâmica de premiumização do setor.
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Reconfiguração geográfica, com a consolidação da Turquia e o surgimento da Albânia como fornecedores relevantes, ao passo que parceiros tradicionais como a Tunísia e o Irão perderam quota. Do lado das exportações, a China continua a ser o mercado de destino dominante.
A UE mantém uma posição de superavit comercial robusto (520 milhões de euros em 2025), mas o aumento da dependência líquida relativa e a crescente concentração das exportações em poucos parceiros (HHI de 4.253) constituem riscos que merecem acompanhamento. O crescimento do segmento de produtos cortados à serra (251512) nas importações sugere, adicionalmente, uma evolução procura de matérias-primas semi-transformadas de origem externa, possivelmente em resposta à redução da capacidade produtiva doméstica.