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Evolução do mercado: Tomates frescos (CN 0702) — 2015–2025

Introdução

Este relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) de tomates frescos ou refrigerados (código aduaneiro 0702) no período entre 2015 e 2025. A análise baseia-se em dados de valor, volume e parceiros comerciais, com foco nas principais tendências estruturais. Os dados revelam uma transformação significativa no perfil comercial da UE, marcada por um crescimento expressivo das importações, uma reconfiguração geográfica das origens e destinos, e uma dinâmica de preços complexa, levando a uma alteração fundamental na balança comercial do produto.

1. A transformação estrutural da posição comercial da UE

A posição comercial da UE em tomates frescos passou por uma inversão fundamental ao longo da década analisada. O bloco, que em 2015 apresentava um superávit comercial de aproximadamente 255 milhões de euros, terminou o período em 2025 com um déficit de cerca de 588 milhões de euros. Esta mudança drástica é resultado de trajetórias opostas nas importações e exportações.

1.1. Crescimento exponencial das importações

As importações da UE apresentaram um crescimento acentuado, tanto em valor como em volume. No período, o valor total das importações subiu 218,3%, de 432 milhões de euros para 1,375 mil milhões de euros. O volume importado acompanhou esta tendência, aumentando 73,7%, passando de 445.478 toneladas para 773.762 toneladas. Este crescimento sustentado indica um aumento da dependência europeia de fornecedores externos para abastecer o mercado interno.

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1.2. Encolhimento do volume exportado apesar da valorização

Por outro lado, as exportações da UE, embora tenham crescido 14,5% em valor (de 687 para 787 milhões de euros), viram o seu volume diminuir 32,2% (de 565.037 para 383.128 toneladas). Este padrão sugere uma concentração das exportações em segmentos de maior valor unitário ou uma redução da competitividade em termos de volume, possivelmente devido à crescente pressão das importações e a uma realocação de recursos produtivos internos.

2. A reconfiguração geográfica do comércio: o domínio marroquino e a consolidação dos parceiros

A origem das importações e o destino das exportações da UE sofreram mudanças notáveis, alterando o mapa de dependência e oportunidade comercial do bloco.

2.1. Marrocos como pilar central da abastecimento europeu

Marrocos solidificou a sua posição como o principal fornecedor de tomates à UE. O valor das importações da UE originárias de Marrocos saltou 209,8%, atingindo mais de 1,045 mil milhões de euros em 2025, o que representa uma quota dominante no total das importações. A Turquia e a Tunísia também registaram crescimentos significativos (470,6% e 532,8%, respetivamente), consolidando-se como os segundo e terceiro maiores fornecedores. O crescimento destes parceiros do sul e leste do Mediterrâneo sublinha uma reorientação das cadeias de abastecimento em direção a proximidades geográficas com vantagens sazonais.

Analisar parceiros de importação

2.2. Reorientação das exportações europeias e estabilidade no topo

No que diz respeito às exportações, o Reino Unido continua a ser o destino principal, tendo o valor enviado aumentado 23,6%, para 573 milhões de euros. A Suíça e a Ucrânia tornaram-se mercados de destino cada vez mais importantes (crescimento de 83,6% e 467,2%, respetivamente). Por outro lado, as exportações para a Bielorrússia e a Rússia registaram quedas drásticas (-90,1% e -97,5%), refletindo provavelmente sanções e instabilidade geopolítica. Esta dinâmica revela uma consolidação das exportações da UE em mercados europeus próximos, estáveis e de elevado poder de compra.

2.3. A especialização interna da UE na produção

Dentro da própria UE, a especialização na produção de tomates é heterogénea. De acordo com os indicadores de especialização, a Espanha (RSCA: 0,587) e os Países Baixos (RSCA: 0,458) demonstram a maior vantagem comparativa revelada na produção e exportação deste produto. Em contrapartida, países como a Irlanda, a Finlândia e a Suécia apresentam uma especialização negativa, indicando uma baixa produção doméstica e alta dependência das importações, o que contribui para a procura agregada de importações pelo bloco.

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3. Dinâmica de preços, volatilidade e um choque de abastecimento

O período foi caracterizado por uma inflação significativa nos preços do tomate, tanto nas importações como nas exportações, acompanhada por episódios de elevada volatilidade em determinados parceiros.

3.1. Aumento generalizado dos preços unitários

Os preços médios de importação e exportação registaram subidas acentuadas. O preço médio de importação subiu 83,3%, de 970 para 1.777 euros por tonelada. De forma semelhante, o preço médio de exportação aumentou 68,8%, de 1.217 para 2.053 euros por tonelada. Este cenário de preços crescentes pode refletir aumentos nos custos de produção, logística, energia, bem como uma maior procura global ou eventos de oferta adversos.

3.2. Identificação de volatilidade e um choque de preço da Turquia

A análise da volatilidade, medida pelo coeficiente de variação (CV), revela que as importações de alguns parceiros, como Israel (CV: 1,50) e o Reino Unido (CV: 0,88), foram particularmente instáveis. No entanto, o evento mais significativo detetado foi um choque de preço nas importações provenientes da Turquia em 2022. Este choque apresentou uma anormalidade de 35,1 e um aumento de preço de 32,4%, coincidindo com um aumento da quota de valor das importações turcas para 19,3% nesse ano. Este episódio ilustra como distúrbios específicos num parceiro-chave podem ter um impacto desproporcionado no mercado europeu.

Explorar eventos de choque de oferta

Conclusão

Entre 2015 e 2025, o mercado europeu de tomates frescos passou por uma reestruturação profunda. A UE transformou-se de um exportador líquido num importador líquido significativo, com um déficit comercial que atingiu quase 590 milhões de euros em 2025. Esta transição foi impulsionada por um crescimento robusto das importações, liderado por Marrocos, Turquia e Tunísia, que se tornaram fornecedores essenciais. Paralelamente, as exportações da UE mantiveram valor, mas perderam volume, redirecionando-se para mercados próximos como o Reino Unido e a Suíça. O período foi ainda marcado por uma forte inflação nos preços do tomate e por episódios de volatilidade, sublinhando os riscos de uma cadeia de abastecimento cada vez mais globalizada e interdependente. A especialização interna desigual da UE sugere que esta dinâmica comercial continuará a ser moldada pela complementaridade entre os grandes produtores exportadores do bloco e os estados-membros altamente dependentes de importações.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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