Evolução do mercado: Couros de outros animais (CN 4106) — 2015–2025
Introdução
O código combinado nomenclatura (CN) 4106 abrange couros e peles depilados de animais distintos do bovino, suíno, ovino e caprino — incluindo peles de répteis — curtidos ou em crust, mesmo divididos, mas não preparados de outro modo. Trata-se de um setor intermédio da indústria curtumeira europeia, que fornece matéria-prima semi-acabada para a produção de calçado, vestuário, artigos de marroquinaria e acessórios de luxo.
O período 2015–2025 foi marcado por uma transformação estrutural profunda no comércio externo da UE neste produto. As importações sofreram uma contração severa em valor, volume e unidades suplementares, refletindo simultaneamente a redução da procura industrial europeia e a reconfigurada das cadeias de abastecimento globais. As exportações, embora mais modestas em dimensão absoluta, revelaram uma notável reorientação geográfica, com os fluxos a redirecionarem-se para mercados asiáticos, em especial a China. A produção interna da UE registou igualmente um colapso acentuado, sinalizando uma reestruturação do setor a nível continental.
Este relatório analisa as principais dinâmicas observáveis com base nos dados disponíveis, estruturado em três eixos: a evolução das importações e da produção; a reconfiguração das exportações; e os fatores de volatilidade e vulnerabilidade que caracterizam o mercado.
Descrição detalhada do produto CN 4106
1. Queda acentuada das importações e transformação da base produtiva europeia
1.1. Contracção generalizada do comércio importador da UE
O período em análise foi dominado por um declínio persistente e pronunciado das importações da UE de couros CN 4106 provenientes de países terceiros. Entre 2015 e 2025, o valor das importações caiu de €224,0 milhões para €73,4 milhões, uma redução de 67,3%. Em volume, a quebra foi ainda mais acentuada: de 14 906 toneladas para 4 399 toneladas (–70,5%), e em unidades suplementares (número de peles) de 35,3 milhões para 10,1 milhões (–71,3%).
| Indicador | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Valor (€ milhões) | 224,0 | 73,4 | –67,3% |
| Volume (t) | 14 906 | 4 399 | –70,5% |
| Unidades suplementares (milhões p/st) | 35,3 | 10,1 | –71,3% |
| Preço médio (€/t) | 15 030 | 16 678 | +11,0% |
Visão geral do comércio externo
O facto de a queda em unidades suplementares (–71,3%) ser praticamente idêntica à queda em tonelagens (–70,5%) sugere que a redução se deveu sobretudo a menor volume de peles importadas, e não a uma alteração significativa do peso médio por unidade. Contudo, o preço médio por tonelada subiu 11,0%, indicando uma selectividade crescente na composição das importações — ou seja, as importações remanescentes tenderam a concentrar-se em peles de maior valor unitário.
1.2. Colapso da produção europeia de couros de outros animais
Os dados de produção da UE (disponíveis em quilogramas) revelam uma transformação ainda mais dramática do que a observada no comércio externo. A produção passou de 229 731 toneladas (€1 244 milhões) em 2015 para apenas 15 692 toneladas (€201 milhões) em 2025, uma queda de 93,2% em volume e de 83,8% em valor.
| Indicador | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Volume (t) | 229 731 | 15 692 | –93,2% |
| Valor (€ milhões) | 1 244 | 201 | –83,8% |
Evolução dos volumes de produção
Este colapso produtivo é substancialmente mais profundo do que a própria queda das importações, o que sugere que a indústria curtumeira europeia especializada em couros de «outros animais» sofreu uma reestruturação severa. A contracção da oferta interna, em conjugação com a redução das importações de matéria-prima, aponta para uma deslocalização significativa da cadeia de valor para fora da Europa. A Itália, historicamente o maior centro curtumeiro europeu, continua a liderar, mas os seus próprios níveis de importação caíram 66,2% (de €170 milhões para €57 milhões). Espanha (–80,3%), França (–76,9%) e os Países Baixos (–77,3%) sofreram quebras ainda mais pronunciadas.
1.3. Queda generalizada dos fornecedores africanos e do sudeste asiático
A estrutura geográfica das importações da UE alterou-se significativamente ao longo da década. Os fornecedores africanos, que em 2015 dominavam o ranking, sofreram as maiores quedas em termos absolutos e relativos.
| Fornecedor | Valor 2015 (€ M) | Valor 2025 (€ M) | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Nigéria | 70,2 | 5,9 | –91,6% |
| Índia | 32,0 | 16,7 | –47,9% |
| China | 12,3 | 10,9 | –11,4% |
| Uganda | 6,0 | 1,0 | –83,1% |
| Quénia | 8,1 | 0,9 | –88,3% |
| Mali | 3,6 | 0,05 | –98,6% |
| Tailândia | 12,1 | 1,9 | –84,2% |
Principais parceiros por valor
A Nigéria, que em 2015 era de longe o maior fornecedor com €70,2 milhões, viu as suas exportações para a UE descerem para apenas €5,9 milhões em 2025 (–91,6%). Países como Mali (–98,6%), Quénia (–88,3%) e Uganda (–83,1%) registaram quedas semelhantes. A Tailândia, o principal fornecedor asiático do sudeste, passou de €12,1 milhões para €1,9 milhões (–84,2%).
A Índia e a China revelaram maior resiliência relativa: a Índia manteve-se como segundo maior fornecedor, embora com uma queda de 47,9%, enquanto a China reduziu apenas 11,4%, consolidando a sua posição como terceiro fornecedor. Este padrão sugere que as cadeias de abastecimento se reorientaram parcialmente para fornecedores asiáticos com maior capacidade de processamento intermédio, em detrimento dos fornecedores africanos de matéria-prima bruta.
1.4. Evolução segmentar: quebra acentuada nos couros de suínos e estabilidade relativa dos crust de «outros animais»
A desagregação por subproduto revela dinâmicas diferenciadas. Os segmentos de couros caprinos e ovinos (410621 e 410622) — os maiores em volume — sofreram quedas significativas. O segmento 410621 (wet-blue) passou de 8 177 t para 2 300 t em volume, e de €63,8 milhões para €11,1 milhões em valor. O segmento 410622 (crust) desceu de 3 675 t para 1 231 t e de €84,9 milhões para €21,4 milhões.
| Subproduto | Volume 2015 (t) | Volume 2025 (t) | Variação (%) | Valor 2015 (€ M) | Valor 2025 (€ M) | Variação (%) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 410621 – Wet-blue caprinos/ovinos | 8 177 | 2 300 | –71,9% | 63,8 | 11,1 | –82,6% |
| 410622 – Crust caprinos/ovinos | 3 675 | 1 231 | –66,5% | 84,9 | 21,4 | –74,8% |
| 410631 – Wet-blue suínos | 919 | 301 | –67,2% | 1,9 | 0,7 | –63,1% |
| 410632 – Crust suínos | 1 535 | 91 | –94,1% | 19,2 | 1,3 | –93,1% |
| 410640 – Répteis | 83 | 40 | –52,0% | 30,5 | 17,7 | –41,8% |
| 410692 – Outros, crust | 436 | 435 | –0,2% | 23,0 | 21,1 | –8,3% |
Comparação segmentar de produtos
Destaca-se a notável estabilidade do segmento 410692 (outros couros em crust), que manteve volumes praticamente inalterados (436 t → 435 t) e uma redução de valor de apenas 8,3%. Este segmento, que inclui couros exóticos e de menor escala, parece ter sido menos afectado pelas tendências gerais de contracção. Em contraste, o segmento 410632 (crust de suínos) praticamente desapareceu, com uma queda de 94,1% em volume.
2. Reorientação das exportações europeias para mercados asiáticos e consolidação do segmento de répteis
2.1. Exportações mais resilientes do que as importações, mas com erosão de preços
Enquanto as importações da UE sofreram quedas de dois terços, as exportações de couros CN 4106 para países terceiros apresentaram uma evolução mais moderada em termos de valor. O valor das exportações desceu de €20,8 milhões para €15,7 milhões (–24,5%), mas o volume efectivamente aumentou de 1 018 toneladas para 1 231 toneladas (+20,9%).
| Indicador | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Valor (€ milhões) | 20,8 | 15,7 | –24,5% |
| Volume (t) | 1 018 | 1 231 | +20,9% |
| Preço médio (€/t) | 20 463 | 12 780 | –37,5% |
Visão geral do comércio externo
Este aparente paradoxo — volume crescente mas valor decrescente — resulta de uma erosão acentuada dos preços médios de exportação: de €20 463/t para €12 780/t (–37,5%). A interpretação mais plausível é a de que a composição das exportações se alterou, passando a incluir uma proporção maior de produtos de menor valor unitário, ou que a pressão competitiva nos mercados de destino forçou a redução de preços. Note-se que o défice comercial da UE neste produto, embora permaneça negativo, reduziu-se significativamente: de –€203 milhões em 2015 para –€58 milhões em 2025 (+71,6% de redução do défice).
2.2. A China torna-se o principal destino das exportações europeias
A transformação mais marcante nas exportações foi a reorientação geográfica dos fluxos. A China ascendeu de um destino marginal (€629 mil em 2015) para o principal mercado de destino (€3,2 milhões em 2025), representando um crescimento de 404,2%. O México duplicou as suas importações da UE (de €2,0 milhões para €4,0 milhões, +99,0%), consolidando-se como segundo maior destino.
| Destino | Valor 2015 (€ M) | Valor 2025 (€ M) | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| China | 0,6 | 3,2 | +404,2% |
| Hong Kong | 2,1 | 1,0 | –53,8% |
| Tunísia | 1,6 | 1,8 | +10,1% |
| Reino Unido | 1,0 | 0,05 | –95,2% |
| Índia | 2,2 | 0,1 | –93,7% |
| México | 2,0 | 4,0 | +99,0% |
| Paquistão | 0,1 | 0,2 | +54,7% |
Principais parceiros por valor
Em contraste, several destinos tradicionais sofreram quedas dramáticas: o Reino Unido (–95,2%), a Índia (–93,7%) e Hong Kong (–53,8%). A Tunísia é o único parceiro que manteve uma relação comercial relativamente estável (+10,1%), provavelmente reflectindo as cadeias de subcontratação transfronteiriças no setor têxtil e do vestuário entre a UE e a Tunísia.
A ascensão da China como destino de exportação coincide com o crescimento da sua indústria de curtumes e transformação de couro, que absorve matérias-primas semi-acabadas europeias (particularmente crust e wet-blue) para posterior processamento e reexportação como produtos acabados.
2.3. O segmento de répteis como motor de valor nas exportações
A análise por subproduto revela que o segmento de couros de répteis (410640) desempenha um papel desproporcionalmente importante nas exportações europeias. Em 2025, este segmento representou €8,2 milhões em valor, mais de metade do total exportado, com um preço médio de exportação de €162 006/t — ordens de magnitude superior ao dos outros subprodutos.
| Subproduto | Valor exportação 2015 (€ M) | Valor exportação 2025 (€ M) | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| 410640 – Répteis | 5,8 | 8,2 | +40,9% |
| 410622 – Crust caprinos/ovinos | 4,9 | 3,6 | –27,8% |
| 410632 – Crust suínos | 4,7 | 1,6 | –66,5% |
| 410621 – Wet-blue caprinos/ovinos | 1,0 | 1,7 | +73,0% |
| 410692 – Outros, crust | 3,4 | 0,7 | –78,1% |
Comparação segmentar de produtos
O segmento réptil cresceu 40,9% em valor apesar de a sua quota em volume ser muito reduzida, reflectindo os preços premium associados a couros exóticos (serpentes, crocodilos, lagartos) utilizados na moda de luxo. Este crescimento sugere que a UE — e em particular a Itália, que concentra a especialização curtumeira europeia (RSCA de 0,57) — mantém uma posição competitiva forte no segmento de nicho de alto valor acrescentado, mesmo perante o declínio generalizado do setor.
A Itália é, com larga margem, o maior exportador europeu, com €9,0 milhões em 2025 (–9,7% vs. 2015), seguida pela França (€3,3 milhões, –33,0%) e Espanha (€1,6 milhões, –18,2%). A Roménia destaca-se pelo crescimento exponencial das suas exportações (de €5 mil para €72 mil, +1 298%), embora de base muito reduzida.
2.4. Concentração crescente das exportações e manutenção da especialização meridional
O índice Herfindahl-Hirschman (HHI) para as exportações da UE subiu de 691 para 1 362 (+97,2%), indicando um aumento significativo da concentração geográfica. As exportações passaram a depender mais fortemente de um número reduzido de mercados, sobretudo a China e o México, o que representa um risco de vulnerabilidade a choques específicos desses mercados.
Em termos de especialização, os países do sul da Europa mantêm a liderança: Itália (RSCA 0,57), Espanha (0,47), França (0,41) e Portugal (0,19) são os mais especializados na produção e exportação de couros CN 4106, reflectindo a tradição curtumeira e a proximidade com a indústria de moda e luxo. Em contraste, países como a República Checa, a Hungria e a Dinamarca apresentam níveis de especialização praticamente nulos.
Especialização dos Estados-Membros
3. Volatilidade, choques de preço e vulnerabilidades estruturais emergentes
3.1. Elevada volatilidade nas relações comerciais com parceiros africanos e asiáticos
Os coeficientes de variação (CV) das importações revelam uma volatilidade acentuada nas relações com vários fornecedores. Os parceiros africanos apresentam os valores mais elevados: a Costa do Marfim (CV = 0,93), a Tailândia (0,84), a Rússia (0,84), o Uganda (0,77) e o Mali (0,73) registam flutuações particularmente pronunciadas.
| Parceiro (importações) | Coeficiente de variação |
|---|---|
| Costa do Marfim | 0,93 |
| Tailândia | 0,84 |
| Rússia | 0,84 |
| Uganda | 0,77 |
| Nepal | 0,74 |
| Mali | 0,73 |
| Quénia | 0,72 |
| Mongólia | 0,66 |
| Nigéria | 0,54 |
| Ucrânia | 0,48 |
Do lado das exportações, a volatilidade é ainda mais extrema em certos destinos. O Reino Unido apresenta o CV mais elevado (2,97), seguido da Coreia do Sul (2,03), Paquistão (1,43), China (1,12) e Hong Kong (1,10). Estes valores reflectem a natureza errática de fluxos de exportação que podem alternar entre volumes significativos e valores residuais de ano para ano.
3.2. Choques de preço identificados em 2020–2022
A análise de detecção de choques revelou três eventos significativos, todos do tipo «choque de preço», ocorridos no período 2020–2022 — coincidindo com a pandemia de COVID-19 e as disrupções nas cadeias de abastecimento globais.
| Evento | Fluxo | Entidade | Ano | Variação (%) | Grau de anormalidade |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Importações | Ucrânia | 2021 | +50,0% | 21,4 |
| 2 | Exportações | Hong Kong | 2021 | +1 216,0% | 17,0 |
| 3 | Exportações | China | 2020 | +412,9% | 9,3 |
Detecção de choques de abastecimento
O choque mais anómalo foi o aumento de 1 216% nos preços de exportação para Hong Kong em 2021 (grau de anormalidade de 17,0), que representou 14,6% do valor total das exportações. Este pico pode estar relacionado com a reexportação de couros europeus via Hong Kong para a China continental, num período em que as cadeias de abastecimento directas estavam perturbadas pela pandemia. O choque de exportação para a China em 2020 (+413%) reforça esta hipótese, sugerindo uma reconfiguração temporária das rotas comerciais.
O choque nas importações da Ucrânia em 2021 (+50%, grau de anormalidade de 21,4) é particularmente relevante no contexto subsequente do conflito armado de 2022, que alterou dramaticamente as relações comerciais UE-Ucrânia. Contudo, é importante notar que este choque de 2021 precedeu a invasão de fevereiro de 2022, podendo reflectir outras dinâmicas de mercado.
3.3. Dependência crescente das importações e intensificação da abertura comercial
Os indicadores de autonomia e vulnerabilidade estrutural revelam tendências preocupantes. A dependência líquida de importações da UE subiu de 10,8% em 2015 para 27,1% em 2025 (+151,4%), atingindo um máximo de 34,4% em anos intermédios.
| Indicador | 2015 | 2025 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Dependência líquida de importações (%) | 10,8 | 27,1 | +151,4% |
| Intensidade comercial (%) | 16,6 | 56,4 | +239,8% |
| Propensão exportadora (%) | 3,6 | 28,0 | +687,8% |
Dependência líquida de importações
A intensidade comercial (comércio total como proporção da produção + importações) disparou de 16,6% para 56,4%, enquanto a propensão exportadora (exportações como proporção da produção) passou de 3,6% para 28,0% — um aumento de 687,8%. Este último indicador é o que apresenta a maior variação (pontuação de saliência de 709,8 vs. 246,2 para a intensidade comercial), reflectindo a contracção da base produtiva interna.
Estes três indicadores apontam para a mesma conclusão estrutural: a economia europeia de couros CN 4106 tornou-se significativamente mais aberta e mais dependente do comércio externo, tanto na vertente de abastecimento (importações de matéria-prima) como na vertente comercial (exportação de uma quota crescente de uma produção cada vez menor). Embora a redução do défice comercial possa parecer positiva à primeira vista, ela reflecte sobretudo a contracção das importações por via da redução da actividade industrial, e não um ganho de competitividade exportadora.
Conclusão
O período 2015–2025 foi marcado por uma transformação estrutural profunda do mercado europeu de couros de «outros animais» (CN 4106). Três dinâmicas principais definiram esta evolução:
Em primeiro lugar, a contracção massiva da base industrial europeia. Com a produção interna a cair mais de 93% em volume e as importações a reduzirem-se em mais de dois terços, o setor passou por uma reestruturação de grande escala que provavelmente reflecte a deslocalização da curtume intermédia para Ásia e África, aliada à redução da procura por couros de menor valor acrescentado face a materiais sintéticos e alternativos.
Em segundo lugar, a reorientação geográfica do comércio. As exportações europeias redirecionaram-se decisivamente para a China (+404%) e o México (+99%), ao passo que os fornecedores africanos (Nigéria, Quénia, Mali) viram o seu acesso ao mercado europeu reduzir-se drasticamente. O segmento de répteis, com preços premium e forte procura da indústria de luxo, tornou-se o principal motor de valor nas exportações europeias.
Em terceiro lugar, o aumento da vulnerabilidade estrutural. A dependência líquida de importações mais do que duplicou, a concentração geográfica das exportações quase duplicou (HHI) e foram identificados choques de preço significativos no período pandémico de 2020–2022. A crescente propensão exportadora, embora sinal de uma economia mais aberta, reflecte sobretudo a erosão da base produtiva doméstica.
Em suma, o setor europeu de couros CN 4106 encontra-se numa fase de consolidação em torno de nichos de alto valor (couros de répteis, subprodutos especializados), enquanto a produção em volume migra para outras regiões. Os decisores políticos e os agentes económicos deverão monitorizar atentamente a evolução da concentração das exportações e da dependência de importações, dado o risco inerente de exposição a disrupções em cadeias de abastecimento cada vez mais globalizadas.