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Evolução do mercado: Tiras de aço (CN 7212) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia relativamente ao código CN 7212 — Produtos laminados planos, de ferro ou aço não ligado, de largura inferior a 600 mm, folheados ou chapeados, ou revestidos — no período compreendido entre 2015 e 2025. Esta posição aduaneira abrange uma família alargada de produtos de aço com diferentes revestimentos, incluindo estanhados (721210), galvanizados eletroliticamente (721220), produtos pintados ou revestidos de plástico (721240) e folheados ou chapeados (721260), entre outros.

A análise baseia-se em dados de comércio extra-EU (importações e exportações entre a UE e países terceiros), complementados com indicadores de produção interna, concentração geográfica e especialização. Ao longo da década em análise, o setor registou transformações profundas: a desaceleração dos volumes exportados, a subida acentuada dos preços, a reconfiguração das rotas de abastecimento e mudanças estruturais nos segmentos de produto.


1. A transição do volume para o valor: um comércio cada vez mais dependente do preço

1.1. Exportações em queda acentuada de volume, mas estáveis em valor

Entre 2015 e 2025, o volume exportado pela UE para países terceiros diminuiu de 358 836 toneladas para 241 388 toneladas, uma queda de 32,7% (ver dados gerais). Contudo, o valor das exportações manteve-se praticamente estável, passando de €404,6 milhões para €409,3 milhões (+1,2%). Esta aparente contradição explica-se pela evolução dos preços unitários de exportação, que subiram de €1 128/t para €1 693/t — um aumento de 50,2%.

Indicador 2015 2025 Variação
Exportações — valor (€) 404,6 M 409,3 M +1,2%
Exportações — volume (t) 358 836 241 388 −32,7%
Exportações — preço médio (€/t) 1 128 1 693 +50,2%

O pico de valor das exportações foi registado em 2022, com €550,4 milhões, refletindo o auge dos preços do aço no contexto pós-pandémico e da crise energética europeia. Desde então, tanto os volumes como os preços tenderam a corrigir, embora se mantenham significativamente acima dos níveis pré-2020.

1.2. Importações: crescimento moderado em volume com erosão de preços

Em contraste com as exportações, as importações da UE registaram um crescimento de 23,8% em volume (de 128 315 t para 158 869 t) e de 7,9% em valor (de €217,1 milhões para €234,1 milhões). O preço médio de importação desceu de €1 691/t para €1 474/t (−12,9%), atingindo o seu mínimo em 2025 (ver dados gerais).

Indicador 2015 2025 Variação
Importações — valor (€) 217,1 M 234,1 M +7,9%
Importações — volume (t) 128 315 158 869 +23,8%
Importações — preço médio (€/t) 1 691 1 474 −12,9%

Este padrão sugere que a UE está a importar mais aço revestido a preços mais baixos, provavelmente proveniente de fornecedores com custos de produção inferiores, o que exerce pressão competitiva sobre os produtores europeus.

1.3. Produção interna: menos volume, mais valor acrescentado

A produção da UE de produtos CN 7212 sofreu uma queda de volume de 2 732 milhões de kg (2015) para 1 498 milhões de kg (2025), uma redução de 45,2%. Em contrapartida, o valor da produção subiu de €1 381 milhões para €2 019 milhões (+46,1%) (ver produção).

Indicador 2015 2025 Variação
Produção — volume (kg) 2 732 M 1 498 M −45,2%
Produção — valor (€) 1 381 M 2 019 M +46,1%

Esta divergência entre volume e valor evidencia dois fenómenos simultâneos: (i) a redução das toneladas produzidas, possivelmente ligada ao encerramento ou redução de capacidade em instalações menos competitivas e à deslocalização de produção; e (ii) a valorização dos produtos fabricados, refletindo tanto a inflação de preços dos commodities como uma eventual aposta em produtos de maior valor acrescentado.

1.4. A erosão gradual da vantagem exportadora líquida

A UE manteve-se um exportador líquido ao longo de todo o período, com uma balança comercial positiva que oscilou entre €157,3 milhões (mínimo em 2022) e €231,9 milhões (máximo em 2018). No entanto, o saldo comercial em 2025 situou-se em €175,2 milhões, uma queda de 6,6% face a 2015.

O indicador de dependência líquida de importações evoluiu de −24,8% em 2015 para −2,8% em 2025 (uma variação positiva de 88,9%), sinalizando uma convergência significativa entre importações e exportações. A UE, que era fortemente exportadora líquida, aproxima-se progressivamente de uma posição de equilíbrio comercial.


2. Reconfiguração geográfica: novos parceiros emergem, parceiros tradicionais perdem peso

2.1. Importações: a ascensão da Turquia e da Macedónia do Norte

A estrutura das fontes de abastecimento da UE alterou-se significativamente ao longo da década. Enquanto o Reino Unido permaneceu o principal fornecedor (de €75,3 milhões em 2015 para €68,0 milhões em 2025, −9,7%), dois parceiros registaram crescimentos extraordinários (ver parceiros de importação):

  • A Turquia passou de €8,2 milhões para €34,8 milhões (+326,4%), tornando-se o segundo maior fornecedor da UE em 2025;
  • A Macedónia do Norte cresceu de €2,6 milhões para €17,0 milhões (+553,1%), refletindo provavelmente a integração de produtores dos Balcãs Ocidentais nas cadeias de abastecimento europeias.

Em contrapartida, a Noruega registou um colapso de 90,4% nas suas exportações para a UE (de €12,2 milhões para €1,2 milhões), e os Estados Unidos perderam 34,4% do seu valor exportado para a UE.

Fornecedor 2015 (€ M) 2025 (€ M) Variação
Reino Unido 75,3 68,0 −9,7%
Turquia 8,2 34,8 +326,4%
Coreia do Sul 13,9 16,7 +20,2%
Macedónia do Norte 2,6 17,0 +553,1%
Estados Unidos 51,5 33,8 −34,4%
China 11,7 15,4 +32,0%
Noruega 12,2 1,2 −90,4%

2.2. Exportações: reorientação para mercados mais diversificados

Nos destinos de exportação, os Estados Unidos mantiveram-se como principal mercado (de €70,3 milhões para €63,8 milhões, −9,3%), enquanto a Suíça se manteve estável como segundo destino (€37,2–37,3 milhões). Destaca-se o crescimento das exportações para a Noruega (+101,1%) e para a China (+14,8%), contrastando com quedas acentuadas nas exportações para o Reino Unido (−22,0%) e Argélia (−27,7%) (ver parceiros de exportação).

Destino 2015 (€ M) 2025 (€ M) Variação
Estados Unidos 70,3 63,8 −9,3%
Suíça 37,2 37,3 +0,3%
Turquia 28,5 20,3 −28,9%
Reino Unido 29,9 23,4 −22,0%
China 35,8 41,1 +14,8%
Noruega 10,9 22,0 +101,1%
Argélia 14,8 10,7 −27,7%

2.3. Diversificação das importações e concentração estável nas exportações

O índice de concentração HHI das importações em valor desceu de 1 964 para 1 485 (−24,4%), indicando uma diversificação significativa das fontes de abastecimento. As importações deixaram de estar concentradas em poucos fornecedores tradicionais e passaram a envolver um leque mais alargado de parceiros. Para as exportações, o HHI manteve-se relativamente estável em torno de 694–705, refletindo uma estrutura de destino já razoavelmente diversificada.

2.4. Mudanças no interior da UE: a emergência da Roménia e o declínio da Alemanha

No que diz respeito aos Estados-Membros como importadores e exportadores intra-cadeia, as alterações mais marcantes incluem (ver reporters):

  • Alemanha: manteve-se o maior exportador (de €182,4 M para €150,6 M, −17,4%) e o maior importador (de €66,3 M para €39,5 M, −40,4%), mas com perdas significativas em ambos os fluxos;
  • Roménia: registou um crescimento explosivo nas importações (+747,2%, de €3,0 M para €25,1 M), sinalizando a expansão de capacidade industrial transformadora no país;
  • Itália: cresceu como exportador (+24,0%, de €40,4 M para €50,1 M), consolidando a sua posição;
  • Dinamarca e Suécia registaram também crescimentos notáveis como exportadores (+35,3% e +50,2%, respetivamente).

3. Reestruturação dos segmentos de produto: a dominância crescente do estanhado e o declínio do galvanizado

3.1. O segmento 721230 (estanhados não-eletrolíticos) torna-se o motor das importações

O segmento mais dinâmico do lado das importações foi o dos produtos estanhados por métodos não eletrolíticos (CN 721230), cujo volume cresceu de 48 928 t para 112 145 t (+129,2%) e o valor de €36,5 M para €98,7 M (+170,6%) (ver segmentação de produto). Este crescimento espetacular posiciona este subproduto como o principal motor da expansão das importações totais.

Segmento CN Descrição Imp. Vol. 2015 (t) Imp. Vol. 2025 (t) Variação
721230 Estanhados (não eletrolíticos) 48 928 112 145 +129,2%
721240 Pintados / revestidos de plástico 40 986 24 375 −40,5%
721250 Outros revestimentos metálicos 13 400 10 464 −21,9%
721220 Galvanizados eletroliticamente 13 266 2 494 −81,2%
721260 Folheados ou chapeados 6 343 6 317 −0,4%
721210 Estanhados eletrolíticos 5 392 3 074 −43,0%

3.2. O colapso do galvanizado eletrolítico (721220) e a retração generalizada das exportações

Do lado das exportações, praticamente todos os segmentos registaram quedas de volume entre 2015 e 2025. Os declínios mais acentuados ocorreram no segmento dos galvanizados eletroliticamente (721220), que caiu de 44 146 t para 13 713 t (−69,0%), e dos estanhados eletrolíticos (721210), que baixou de 15 069 t para 5 606 t (−62,8%).

Segmento CN Descrição Exp. Vol. 2015 (t) Exp. Vol. 2025 (t) Variação
721230 Estanhados (não eletrolíticos) 155 454 130 679 −15,9%
721240 Pintados / revestidos de plástico 88 025 65 432 −25,7%
721250 Outros revestimentos metálicos 37 853 20 640 −45,5%
721220 Galvanizados eletroliticamente 44 146 13 713 −69,0%
721210 Estanhados eletrolíticos 15 069 5 606 −62,8%
721260 Folheados ou chapeados 18 289 5 316 −70,9%

Esta retração generalizada sugere uma perda de competitividade dos produtores europeus na exportação de tiras de aço revestido, em particular nos segmentos de revestimentos metálicos mais tradicionais.

3.3. Volatilidade e choques de preço pontuais

O índice de volatilidade (coeficiente de variação) revelou diferenças significativas entre parceiros. Nas importações, destaca-se a elevada volatilidade da Noruega (CV = 0,87), do Vietname (0,76) e da Índia (0,69). Nas exportações, os fluxos para a Bósnia e Herzegovina (0,62) e Egito (0,52) apresentaram maior instabilidade.

Foram detetados três eventos de choque de preço relevantes:

  1. Argentina (exportações, 2022): anomalia de preço de 66,2 com uma variação de +70,0%, refletindo provavelmente a escassez global de aço e as disrupções das cadeias de abastecimento pós-COVID e no contexto da guerra na Ucrânia;
  2. Macedónia do Norte (importações, 2021): anomalia de 16,4 com variação de +56,3%, possivelmente ligada a alterações estruturais na capacidade produtiva local;
  3. Bósnia e Herzegovina (exportações, 2021): anomalia de 13,2 com variação de +48,2%, igualmente no contexto de tensão nos mercados globais do aço.

3.4. Especialização: Portugal lidera, a Irlanda fica na cauda

O índice de especialização (RSCA) em 2025 revela uma distribuição heterogénea da competitividade exportadora dentro da UE:

Estado-Membro RCA RSCA Part. produção Part. exportações
Portugal 2,82 0,476 3,9% 1,4%
Áustria 1,83 0,294 6,0% 3,3%
Hungria 1,82 0,290 4,9% 2,7%
Alemanha 1,53 0,210 32,4% 21,2%
Suécia 1,29 0,127 3,1% 2,4%

Portugal surge como o Estado-Membro mais especializado neste produto (RCA de 2,82), apesar de representar uma quota relativamente modesta da produção total da UE. A Alemanha, embora com uma RCA mais moderada (1,53), domina claramente a produção (32,4%) e as exportações (21,2%). No extremo oposto, a Irlanda (RCA = 0,0006), a Estónia e a Lituânia apresentam níveis muito baixos de especialização, refletindo a ausência de uma base produtiva significativa neste segmento.


Conclusão

O mercado da UE para tiras de aço revestido (CN 7212) sofreu, entre 2015 e 2025, uma transformação profunda que pode ser sintetizada em três eixos principais:

  1. Do volume para o valor: os volumes de exportação e de produção interna diminuíram acentuadamente, mas o aumento dos preços permitiu manter — e até expandir — o valor monetário das operações. A produção europeia perdeu quase metade do seu volume, mas ganhou 46% em valor, sugerindo uma transição para produtos de maior valor acrescentado ou, alternativamente, um efeito inflacionário que mascara perdas reais de competitividade.

  2. Reconfiguração geográfica: as fontes de abastecimento diversificaram-se significativamente, com a Turquia e a Macedónia do Norte a emergirem como fornecedores de peso, enquanto parceiros tradicionais como a Noruega e os EUA perderam relevância. As exportações europeias mantiveram-se focadas nos EUA e na Suíça, mas com perdas generalizadas em mercados como o Reino Unido e a Argélia.

  3. Reestruturação dos segmentos: o segmento 721230 (estanhados não eletrolíticos) tornou-se o motor das importações, enquanto os segmentos de galvanizado eletrolítico (721220) e revestimentos metálicos tradicionais registaram declínios acentuados, tanto em importações como em exportações.

O enfraquecimento da posição líquida exportadora da UE — evidenciado pela convergência do indicador de dependência de importações de −24,8% para −2,8% — constitui um sinal de alerta. Embora a UE permaneça exportadora líquida, a trajetória sugere que, sem investimento na modernização e competitividade da produção interna, o equilíbrio comercial pode inverter-se num horizonte temporal relativamente curto.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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