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Evolução do mercado: Perfis de aço (CN 7216) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) no segmento de Perfis de ferro ou aço não ligado (posição aduaneira CN 7216), abrangendo o período de 2015 a 2025. Este capítulo inclui uma vasta gama de perfis estruturais — perfis em H, I, U, L e T, entre outros — utilizados na construção civil, na indústria metalomecânica e em infraestruturas.

A UE mantém-se como exportadora líquida de perfis de aço ao longo de todo o período em análise, com uma balança comercial sempre positiva. Contudo, a década foi marcada por transformações estruturais profundas: contração acentuada dos volumes exportados, crescimento das importações, subida generalizada dos preços unitários e alterações significativas nos parceiros comerciais. O período incluiu choques exógenos relevantes — a crise pandémica de 2020, a escalada dos preços da energia em 2021–2022 e o conflito Rússia-Ucrânia — que deixaram marcas visíveis nas séries.


1. Erosão do superavit comercial: menos volume exportado, mais valor importado

1.1. O volume exportado caiu 41 % entre 2015 e 2025

O indicador mais marcante da série é a queda pronunciada do volume de exportações da UE para países terceiros. Em 2015, a UE exportou 3 166 008 toneladas de perfis de aço; em 2025, esse valor desceu para apenas 1 867 133 toneladas — uma redução de 41 %. Este declínio foi praticamente contínuo, agravado pela quebra de 2020 (pandemia) e pela recuperação incompleta nos anos seguintes. O mínimo da série foi atingido precisamente em 2025.

1.2. As importações crescem em valor (+72 %) e em volume (+28 %)

Em contraste, as importações da UE de perfis de aço apresentaram uma trajetória ascendente. O valor subiu de 369 M€ em 2015 para 636 M€ em 2025 (+72,3 %), enquanto o volume passou de 592 mil toneladas para 754 mil toneladas (+27,5 %). A diferença entre o crescimento do valor e o crescimento do volume reflete a subida acentuada dos preços de importação, que passaram de 624 €/t para 843 €/t (+35,2 %).

1.3. A balança comercial perdeu 31 % do seu valor

O resultado combinado destas dinâmicas traduziu-se na erosão do superavit comercial da UE:

Indicador 2015 2025 Variação
Exportações (M€) 1 830 1 637 −10,5 %
Importações (M€) 369 636 +72,3 %
Balança (M€) 1 461 1 001 −31,5 %

Apesar de a UE continuar a ser exportadora líquida (confiança líquida nas importações de −10,6 % em 2025), o superavit encolheu significativamente. A intensidade comercial desceu de 20,8 % para 18,2 %, e a propensão para exportar recuou de 16,6 % para 14,3 %, sugerindo que a produção interna é cada vez mais absorvida pelo mercado interno europeu ou que a competitividade externa se deteriorou.


2. Reconfiguração geográfica: ascensão da Turquia e da China, colapso da Ucrânia

2.1. A Turquia torna-se o principal fornecedor extra-UE

A Turquia consolidou-se como o maior fornecedor de perfis de aço para a UE, com as suas exportações para o bloco a crescerem de 93 M€ em 2015 para 232 M€ em 2025 (+148,4 %). O pico foi atingido em 2022 com 318 M€, impulsionado pela escalada de preços. A proximidade geográfica, a capacidade produtiva turca e o regime aduaneiro favorável (união aduaneira UE-Turquia) explicam esta posição dominante.

2.2. A China mais do que quadruplicou as suas exportações para a UE

O crescimento mais espetacular nas importações europeias veio da China, que passou de 32 M€ em 2015 para 153 M€ em 2025 — um crescimento de 376,5 %. Este aumento reflete a capacidade exportadora chinesa em produtos siderúrgicos, frequentemente apoiada por subsídios estatais, o que tem gerado tensões comerciais persistentes entre a UE e a China no setor do aço.

2.3. A Ucrânia perdeu 91 % do seu valor exportado para a UE

A evolução mais dramática registou-se na Ucrânia. Em 2015, as exportações ucranianas de perfis de aço para a UE totalizavam 52 M€; em 2025, caíram para apenas 4,6 M€ (−91,3 %). A invasão russa de fevereiro de 2022 devastou a capacidade industrial e logística ucraniana, interrompendo abruptamente uma relação comercial que já vinha a enfraquecer.

2.4. Os parceiros de destino das exportações europeias mantêm-se estáveis no topo

Do lado das exportações, o Reino Unido permanece como o principal destino (390 M€ em 2025, +9 % face a 2015), seguido pelos Estados Unidos (189 M€, estável), a Suíça (154 M€, +43 %) e o Canadá (153 M€, +64 %). A Argélia, que em 2015 era o segundo maior destino (205 M€), viu as suas compras reduzidas a metade (106 M€), refletindo instabilidade económica e política no Norte de África. A concentração das exportações em parceiros estáveis (HHI de exportações: 810 em 2015 → 1 014 em 2025) indica um ligeiro aumento da dependência de mercados-chave.

2.5. A concentração das importações acentuou-se

O HHI das importações subiu de 1 993 para 2 382 (+19,5 %), refletindo o crescimento do peso relativo de fornecedores como a Turquia e a China. Este aumento da concentração importadora pode constituir um risco de vulnerabilidade caso haja perturbações na oferta desses dois países.


3. Choques de preço, volatilidade e reestruturação dos segmentos de produto

3.1. Os preços duplicaram entre 2019 e 2022 antes de corrigirem

O preço médio de exportação da UE subiu de 578 €/t em 2015 para um pico de 1 220 €/t em 2022, antes de recuar para 876 €/t em 2025. A inflação dos preços da energia, as disrupções nas cadeias de abastecimento e o aumento dos custos das matérias-primas explicam este ciclo. Os preços de importação seguiram uma trajetória semelhante (624 €/t → pico de 1 177 €/t em 2022 → 843 €/t em 2025).

3.2. Choques identificados: EUA em 2020, RU em 2021, Rússia em 2025

A análise de volatilidade e choques (detalhes disponíveis aqui) revelou três eventos significativos:

Choque Tipo Fluxo Ano Variação Anomalia
Estados Unidos Preço Exportações 2020 +59,2 % 11,4
Reino Unido Preço Importações 2021 +50,2 % 3,6
Rússia Oferta Exportações 2025 −98,8 % 2,0

O choque de preço nas exportações para os EUA em 2020 (anomalia de 11,4 desvios-padrão) é particularmente notável e coincide com a introdução de quotas e tarifas no mercado norte-americano, que distorceram os fluxos comerciais. O choque de 2025 nas exportações para a Rússia (−98,8 %) reflete o agravamento das sanções da UE ao setor siderúrgico russo.

3.3. Os perfis em H e em I dominam as exportações; os perfis em I ganham terreno nas importações

A análise por segmento de produto revela dinâmicas heterogéneas:

Exportações — volume por segmento (toneladas):

Segmento 2015 2025 Variação
721633 — Perfis em H 1 123 440 720 210 −35,9 %
721632 — Perfis em I 976 448 690 912 −29,2 %
721631 — Perfis em U 227 194 146 281 −35,6 %
721621 — Perfis em L 236 897 40 431 −82,9 %
721661 — De produtos planos 104 628 97 438 −6,9 %
721640 — L ou T (≥80 mm) 164 050 40 994 −75,0 %
721650 — Outros perfis abertos 67 655 53 698 −20,6 %

Os perfis em H e em I continuam a ser os segmentos dominantes das exportações, mas todos os segmentos sofreram contrações. Os perfis em L (−83 %) e os perfis em L ou T de grande dimensão (−75 %) registaram as quedas mais acentuadas.

Importações — volume por segmento (toneladas):

Segmento 2015 2025 Variação
721633 — Perfis em H 64 594 161 761 +150,5 %
721632 — Perfis em I 57 757 141 554 +145,1 %
721631 — Perfis em U 150 091 53 059 −64,6 %
721621 — Perfis em L 67 148 88 501 +31,8 %
721661 — De produtos planos 27 658 38 658 +39,8 %
721640 — L ou T (≥80 mm) 95 149 93 117 −2,1 %
721650 — Outros perfis abertos 73 072 65 689 −10,1 %

Destaca-se a inversão nas importações de perfis em H e em I, que cresceram mais de 145 % em volume. Estes segmentos, anteriormente dominados pela produção interna europeia, estão a ser progressivamente abastecidos por fornecedores externos — em particular turcos e chineses. Em contraste, os perfis em U, que em 2015 eram o principal segmento importador, perderam dois terços do volume.

3.4. A produção interna da UE cresceu em valor (+175 %) mas de forma menos expressiva em volume (+18 %)

A produção europeia de perfis de aço cresceu de 10,8 mil milhões de kg em 2015 para 12,7 mil milhões de kg em 2025 (+17,9 %). Contudo, em valor, a produção disparou de 4 898 M€ para 13 450 M€ (+174,6 %). Esta enorme divergência entre volume e valor confirma que a inflação dos preços do aço — impulsionada pela energia, matérias-primas e pela reorganização das cadeias de abastecimento — foi o fator dominante da evolução nominal.

3.5. A especialização produtiva é liderada pelo Luxemburgo e por Espanha

Em termos de vantagem comparativa revelada, os Estados-Membros mais especializados na produção de perfis de aço são:

País RSCA RCA Quota prod. UE
Luxemburgo 0,953 41,63 13,5 %
Espanha 0,494 2,95 17,1 %
Polónia 0,382 2,24 14,9 %
Estónia 0,199 1,50 0,5 %
Itália 0,127 1,29 10,3 %

O Luxemburgo apresenta uma RCA extremamente elevada (41,6), embora com uma quota de produção modesta na UE, o que reflete a sua especialização setorial num tecido industrial concentrado (p. ex., o_grupo ArcelorMittal_). Espanha, Polónia e Itália são os maiores produtores em termos absolutos e simultaneamente especializados, consolidando o eixo ibérico-centroeuropeu como o coração produtivo europeu de perfis de aço.


Conclusão

O período 2015–2025 foi transformador para o mercado europeu de perfis de aço não ligados (CN 7216). A UE manteve o seu estatuto de exportadora líquida, mas com um superavit em erosão (de 1 461 M€ para 1 001 M€), ditado por uma queda acentuada dos volumes exportados (−41 %) e um crescimento robusto das importações (+72 % em valor).

Três grandes dinâmicas estruturais emergem:

  1. A ascensão da Turquia e da China como fornecedores, num contexto em que a concentração das importações se acentuou (HHI +19,5 %), gerando potenciais riscos de dependência.
  2. A volatilidade extrema dos preços — com uma duplicação entre 2019 e 2022 seguida de correção parcial — que inflou os valores nominais mas não os volumes reais, mascarando uma competitividade em declínio.
  3. A reestruturação segmentar, com os perfis em H e em I a perderem terreno nas exportações mas a ganharem fortemente nas importações, sinalizando uma deslocação da produção destes perfis para fora da UE.

Estes desenvolvimentos refletem tendências mais amplas da siderurgia europeia: pressão da concorrência internacional, custos energéticos elevados, enquadramento regulatório ambiental crescente e reconfiguração das cadeias de valor globais no pós-pandemia e no contexto geopolítico pós-2022. A capacidade da UE em manter a sua posição competitiva dependerá da sua resposta a estes desafios estruturais.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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