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Evolução do mercado: óleos de coco (CN 1513) — 2015–2025

Introdução

O código NC 1513 abrange os óleos de coco (copra), de amêndoa de palma (palmiste) e de babaçu, bem como as respetivas frações, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados. Estas matérias-primas são essenciais para a indústria alimentar, cosmética e oleoquímica europeia, constituindo uma das categorias mais significativas de óleos tropicais importados pela União Europeia.

No período compreendido entre 2015 e 2025, o comércio externo da UE neste setor registou uma transformação profunda. O valor das importações cresceu 84,0 % (de 1 214 milhões EUR para 2 234 milhões EUR), enquanto os volumes se reduziram 7,3 % (de 1 249 mil toneladas para 1 158 mil toneladas) (Visão geral do comércio). Esta disparidade — um crescimento quase exclusivamente impulsionado pelos preços — constitui o fio condutor da análise que se segue, juntamente com a concentração geográfica do abastecimento e o agravamento da vulnerabilidade externa da UE.


1. A escalada dos preços e a transição do bruto para o refinado

1.1. O desacoplamento entre valor, volume e preço

A dinâmica mais marcante do período é a divergência acentuada entre a evolução do valor e a do volume das importações. Entre 2015 e 2025, o valor das importações da UE em óleos de CN 1513 cresceu 84,0 %, atingindo 2 234 milhões EUR em 2025, enquanto o volume recuou 7,3 %, situando-se em 1 158 mil toneladas. A explicação reside na duplicação do preço médio de importação, que subiu de 972 EUR/t para 1 929 EUR/t (+98,6 %) (Visão geral do comércio).

O défice comercial da UE agravou-se de forma consistente em termos de valor, passando de −1 149 milhões EUR em 2015 para −2 131 milhões EUR em 2025 (+85,4 % em termos absolutos). O défice mais reduzido registou-se em 2019 (−916 milhões EUR), coincidindo com o mínimo de preços do período, enquanto o máximo se situou em 2022 (−2 270 milhões EUR), no auge da crise de preços.

Indicador 2015 2019 (mín. preço) 2022 (máx. preço) 2025 Variação 2015–2025
Valor importações (milhões EUR) 1 214 970 2 353 2 234 +84,0 %
Volume importações (mil t) 1 249 1 303 1 305 1 158 −7,3 %
Preço médio importação (EUR/t) 972 744 1 803 1 929 +98,6 %
Valor exportações (milhões EUR) 64,5 102,7 +59,3 %
Défice comercial (milhões EUR) −1 149 −916 −2 270 −2 131 +85,4 %

1.2. A transição estrutural do bruto para o refinado

Paralelamente à escalada de preços, verificou-se uma reconfiguração significativa da composição das importações por subproduto. Os óleos brutos (códigos 151311 e 151321) perderam peso, enquanto os produtos refinados (códigos 151319 e 151329) ganharam expressão notável (Comparação por segmento de produto).

  • Óleo de coco bruto (151311): o volume recuou de 600 mil t para 563 mil t (−6,2 %), mas o valor quase duplicou, de 631 milhões EUR para 1 139 milhões EUR (+80,5 %), refletindo a subida do preço unitário de 1 051 EUR/t para 2 023 EUR/t.

  • Óleo de amêndoa de palma bruto (151321): a redução foi mais acentuada, de 515 mil t para 319 mil t (−38,0 %). Apesar da queda de volume, o valor cresceu 29,4 % (de 435 milhões EUR para 563 milhões EUR), dado que o preço subiu de 845 EUR/t para 1 761 EUR/t.

  • Óleo de amêndoa de palma/babaçu refinado (151329): o volume praticamente duplicou, de 120 mil t para 229 mil t (+90,4 %), com um aumento de valor de 125 milhões EUR para 422 milhões EUR (+237 %).

  • Óleo de coco refinado (151319): o volume mais do que triplicou, de 14 mil t para 46 mil t (+236 %), e o valor passou de 23 milhões EUR para 111 milhões EUR (+387 %).

Subproduto Volume 2015 (t) Volume 2025 (t) Variação volume Valor 2015 (M EUR) Valor 2025 (M EUR) Variação valor
151311 — Coco bruto 600 202 562 945 −6,2 % 631 1 139 +80,5 %
151321 — Palma bruto 514 881 319 414 −38,0 % 435 563 +29,4 %
151329 — Palma/babaçu refinado 120 392 229 215 +90,4 % 125 422 +237,3 %
151319 — Coco refinado 13 760 46 278 +236,3 % 23 111 +387,3 %

Em termos de quota, os produtos brutos passaram de 89,3 % do volume total importado em 2015 para 76,2 % em 2025, enquanto os produtos refinados cresceram de 10,7 % para 23,8 %. Esta transição reflete provavelmente alterações na procura europeia, uma vez que os setores cosmético e alimentar valorizam cada vez mais produtos processados, e simultaneamente o aumento da capacidade de refinação nos países de origem.

1.3. Ciclos de preços e o choque de 2022

A evolução dos preços não foi linear. O período analisado pode dividir-se em quatro fases distintas:

  1. 2015–2017: subida moderada. O preço médio de importação subiu de 972 EUR/t para 1 370 EUR/t, impulsionado pela recuperação pós-queda dos preços das commodities de 2014–2015.

  2. 2018–2019: queda acentuada. Os preços recuaram até ao mínimo do período em 2019 (744 EUR/t), refletindo a sobreoferta global de óleo de palma e a pressão regulatória europeia, nomeadamente a Diretiva Renovável II (RED II), que classificou o óleo de palma como cultivo de alto risco de desflorestação.

  3. 2020–2022: escalada acentuada. Apesar de os preços terem atingido o mínimo em 2019, a recuperação pós-COVID-19, a procura acumulada e, sobretudo, a proibição temporária de exportação de óleo de palma pela Indonésia em abril–maio de 2022, bem como os efeitos da invasão da Ucrânia nos mercados de commodities, conduziram a uma escalada até 1 803 EUR/t em 2022 (Choques de abastecimento). O choque de preços nas importações da Malásia em 2022, com uma anormalidade de 4,2 e um desvio de +109,5 %, ilustra bem esta dinâmica, afetando 23,2 % do valor total das importações.

  4. 2023–2025: nova subida. Após uma correção em 2023 (1 143 EUR/t), os preços retomaram a trajetória ascendente, atingindo o máximo do período em 2025 (1 929 EUR/t), sugerindo uma tensão estrutural na oferta global.


2. A concentração geográfica do abastecimento e a reconfiguração das exportações

2.1. A hegemonia do triângulo Filipinas–Indonésia–Malásia

O abastecimento europeu de óleos de CN 1513 permaneceu fortemente concentrado no Sudeste Asiático ao longo de todo o período. Em 2025, as Filipinas, a Indonésia e a Malásia representavam em conjunto cerca de 80,7 % do valor total das importações da UE (Principais parceiros por valor):

Parceiro Valor 2015 (M EUR) Valor 2025 (M EUR) Variação Quota 2025
Filipinas 425 957 +125,2 % 42,8 %
Indonésia 398 515 +29,4 % 23,1 %
Malásia 212 331 +56,6 % 14,8 %
Papua-Nova Guiné 62 103 +65,8 % 4,6 %
Colômbia 38 42 +11,1 % 1,9 %
Honduras 16 43 +169,1 % 1,9 %
Guatemala 7 64 +753,9 % 2,9 %

O Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações manteve-se estável em torno de 2 630 pontos ao longo do período (2 646 em 2015, 2 630 em 2025, −0,6 %), confirmando que a estrutura de concentração do abastecimento se manteve praticamente inalterada (Concentração (HHI)).

Destaca-se o crescimento acelerado das Filipinas como principal fornecedor, com as importações a mais do que duplicarem (+125,2 %), impulsionado essencialmente pela exportação de óleo de coco, tanto bruto como refinado. O preço médio de importação das Filipinas seguiu a tendência global, contribuindo decisivamente para a valorização do corrente comercial.

2.2. A emergência da América Central

Embora o Sudeste Asiático domine, a América Central consolidou-se como uma origem emergente ao longo do período. A Guatemala registou o crescimento mais espetacular, com as importações a passarem de 7 milhões EUR para 64 milhões EUR (+753,9 %), e as Honduras de 16 milhões EUR para 43 milhões EUR (+169,1 %). A Colômbia manteve uma presença estável, com 38–42 milhões EUR (Principais parceiros por valor).

No entanto, esta diversificação geográfica traz consigo riscos de volatilidade. Os coeficientes de variação (CV) mais elevados registam-se precisamente nos fornecedores mais pequenos: a Guatemala apresenta um CV de 0,509, a Costa Rica de 0,867 e Singapura de 0,918, contrastando com a estabilidade das Filipinas (CV 0,137) e da Papua-Nova Guiné (CV 0,087) (Volatilidade).

2.3. As exportações europeias: o peso do Reino Unido e a diversificação pós-2020

As exportações da UE em CN 1513, embora significativamente inferiores às importações em volume (37 875 t em 2025 contra 1 158 mil t de importações), cresceram 59,3 % em valor, de 64,5 milhões EUR para 102,7 milhões EUR. O preço médio de exportação (2 712 EUR/t em 2025) é consistentemente superior ao de importação (1 929 EUR/t), o que reflete o carácter transformador das exportações europeias — predominantemente óleos refinados de elevado valor acrescentado (Visão geral do comércio).

Destino Valor 2015 (M EUR) Valor 2025 (M EUR) Variação
Reino Unido 45,1 55,4 +22,7 %
Sérvia 0,9 11,7 +1 172,1 %
Itália 12,4
Espanha 11,6
Suíça 3,0 8,7 +186,7 %
Ucrânia 2,7 4,2 +57,8 %
Federação Russa 3,7 0,2 −95,5 %

O Reino Unido permaneceu como destino dominante, embora a sua quota tenha diminuído de cerca de 70 % em 2015 para 54 % em 2025. A queda mais dramática registou-se nas exportações para a Rússia, que colapsaram 95,5 % (de 3,7 milhões EUR para 0,17 milhões EUR), refletindo inequivocamente o impacto das sanções comerciais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022. Em contrapartida, a Sérvia emergiu como destino relevante (+1 172,1 %), possivelmente como reflexo da integração comercial crescente no contexto da candidatura à adesão à UE.

O HHI das exportações diminuiu significativamente, de 5 018 para 3 182 pontos (−36,6 %), sinal de uma diversificação efetiva dos destinos de exportação (Concentração (HHI)).

Regista-se ainda o crescimento acentuado de exportações para destinos não especificados ("países e territórios não especificados por razões comerciais ou militares"), que passaram de 0,2 milhões EUR para 6,8 milhões EUR, o que pode refletir confidencialidade comercial ou redirecionamento de fluxos no contexto das sanções internacionais.


3. Vulnerabilidade crescente, intensificação comercial e o papel central dos Países Baixos

3.1. A deterioração dos indicadores de dependência externa

Os indicadores de vulnerabilidade e autonomia comercial da UE relativamente aos óleos de CN 1513 deterioraram-se de forma acentuada ao longo do período (Dependência líquida de importações):

Indicador 2015 2025 Variação
Dependência líquida de importações (%) −6,2 37,5 +708,2 %
Intensidade comercial (%) 17,3 74,4 +328,9 %
Propensão para exportação (%) 12,1 47,0 +287,7 %

A intensidade comercial — que mede o grau de especialização comercial da UE neste produto face à média do seu comércio total — passou de 17,3 % para 74,4 %, o que indica que os óleos tropicais se tornaram um produto de intensidade comercial desproporcionadamente elevada. A propensão para exportação triplicou de 12,1 % para 47,0 %, sinalizando que a UE reexporta uma proporção crescente das suas importações sob a forma de produtos transformados.

O saliente destes indicadores é a intensidade comercial (salience score de 353,3), o que confirma que o setor se tornou significativamente mais integrado no comércio externo europeu e, por consequência, mais exposto a disrupções na cadeia de abastecimento global.

3.2. Os Países Baixos como hub europeu de importação e transformação

A análise por Estado-Membro revela uma concentração geográfica interna notável. Os Países Baixos são, de longe, o principal ponto de entrada e transformação dos óleos tropicais na UE, responsáveis por 43,8 % do valor total das importações em 2025 (979 milhões EUR, face a 511 milhões EUR em 2015, +91,5 %) (Principais Estados-Membros por valor).

Estado-Membro Import. 2015 (M EUR) Import. 2025 (M EUR) Variação Quota 2025
Países Baixos 511 979 +91,5 % 43,8 %
Alemanha 471 632 +34,4 % 28,3 %
Espanha 58 257 +343,8 % 11,5 %
Itália 67 158 +134,7 % 7,1 %
Bélgica 23 64 +176,7 % 2,9 %
Suécia 20 39 +93,8 % 1,8 %
França 35 45 +26,6 % 2,0 %

O crescimento mais espetacular registou-se em Espanha (+343,8 %, de 58 milhões EUR para 257 milhões EUR), que em 2025 já era o terceiro maior importador da UE. A Espanha é simultaneamente um dos Estados-Membros mais especializados neste produto, com um RSCA de 0,297 e um RCA de 1,85 (Especialização).

Os Países Baixos apresentam os indicadores de especialização mais elevados da UE (RSCA de 0,629, RCA de 4,39), o que é consistente com o seu papel enquanto centro logístico e de processamento europeu, ancorado no porto de Roterdão — o maior porto de óleos vegetais da Europa. Com uma quota de 63,8 % na produção europeia registada nos códigos PRODCOM associados, os Países Baixos funcionam como o hub central da cadeia de valor dos óleos tropicais na UE (Volumes de produção).

3.3. Especialização e concentração produtiva nos Estados-Membros

A análise de especialização revela um panorama muito desigual dentro da UE (Especialização):

Estado-Membro RSCA RCA Quota na produção UE
Países Baixos 0,629 4,393 63,8 %
Eslovénia 0,316 1,924 1,9 %
Espanha 0,297 1,846 10,7 %
Grécia −0,078 0,856 0,6 %
Suécia −0,275 0,568 1,4 %

Na extremidade oposta, Estónia (RSCA −1,000), Irlanda (RSCA −0,999), Luxemburgo (RSCA −0,998), Roménia (RSCA −0,992) e Finlândia (RSCA −0,991) apresentam níveis de especialização praticamente nulos, com quotas residuais na produção europeia.

Os dados de produção PRODCOM associados ao CN 1513 registaram um crescimento muito significativo ao longo do período (de 317 mil toneladas para 3 164 mil toneladas em quantidade, e de 199 milhões EUR para 2 622 milhões EUR em valor). Contudo, importa notar que os códigos PRODCOM mapeados (10.41.29.10, 10.41.58.00 e sobretudo 10.41.59.00) abrangem categorias mais alargadas de óleos vegetais refinados do que o estrito âmbito do CN 1513, pelo que estes dados devem ser interpretados com cautela como indicadores da capacidade produtiva europeia em óleos tropicais especificamente (Volumes de produção).


Conclusão

O mercado europeu dos óleos de coco, amêndoa de palma e babaçu (CN 1513) experimentou, entre 2015 e 2025, uma transformação profunda em três dimensões interligadas.

Em primeiro lugar, a dinâmica de preços substituiu a dinâmica de volumes como principal motor de crescimento do comércio. Com importações praticamente estáveis em volume (ligeira queda de 7,3 %), o valor duplicou (+84,0 %), impulsionado por um aumento de 98,6 % no preço médio de importação. Os ciclos de preços — desde o mínimo de 744 EUR/t em 2019 ao máximo de 1 929 EUR/t em 2025 — refletiram os choques globais (pandemia, proibição de exportações da Indonésia, guerra na Ucrânia), mas a trajetória ascendente sugere uma tensão estrutural na oferta global de óleos tropicais. Paralelamente, a transição do bruto para o refinado nas importações (de 10,7 % para 23,8 % do volume) evidencia uma reconfiguração da cadeia de valor, com a UE a importar crescentemente produtos de maior valor acrescentado.

Em segundo lugar, a concentração geográfica do abastecimento permaneceu elevada, com as Filipinas, a Indonésia e a Malásia a responderem por mais de 80 % das importações. Embora fornecedores centro-americanos como a Guatemala e Honduras tenham registado crescimentos espetaculares, a sua contribuição absoluta continua modesta e a sua volatilidade é significativamente superior. Do lado das exportações, a diversificação de destinos (HHI de exportação −36,6 %) e o colapso das vendas para a Rússia (−95,5 %) refletiram tanto a adaptação ao novo quadro de sanções como a busca de novos mercados.

Em terceiro lugar, a vulnerabilidade externa da UE agravou-se de forma substancial. A dependência líquida de importações passou de −6,2 % para 37,5 %, a intensidade comercial atingiu 74,4 % e a propensão para exportação triplicou para 47,0 %. Os Países Baixos consolidaram-se como o hub europeu indiscutível deste setor, com 43,8 % das importações e 63,8 % da produção europeia associada. Esta concentração, embora eficiente do ponto de vista logístico, concentra riscos: uma disrupção no porto de Roterdão ou na capacidade de processamento neerlandesa teria repercussões em toda a cadeia de abastecimento europeia de óleos tropicais.

Em suma, o período 2015–2025 transformou o comércio europeu de óleos de CN 1513 num setor mais caro, mais intensivo em comércio externo, mais dependente de um número reduzido de fornecedores asiáticos e mais concentrado geograficamente dentro da UE — tendências que suscitam questões pertinentes sobre a resiliência e a autonomia estratégica europeia neste domínio.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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