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Evolução do mercado: Margarina (CN 1517) — 2015–2025

Introdução

A posição pautal CN 1517 abrange a margarina sólida (subparte 151710) e misturas ou preparações alimentícias de gorduras ou óleos (subparte 151790), excluindo as gorduras e óleos da posição 1516. Este relatório analisa o comércio externo da União Europeia com países terceiros no período 2015–2025, com base em dados anuais completos.

O panorama geral revela uma UE que se consolidou como exportador líquido de margarina e preparações associadas, com um saldo comercial que praticamente duplicou (de €319 mil milhões para €668 milhões) ao longo da década. No entanto, esta evolução agregada esconde dinâmicas divergentes: crescimento acentuado das importações em volume, reconfiguração dos parceiros comerciais, choques de preço em 2022 e uma crescente divergência entre as duas subpartes do produto. As secções seguintes desmontam estas tendências.

Vista geral do produto CN 1517


1. Expansão das exportações puxada pelo preço e consolidação da vantagem comercial líquida

1.1. O valor das exportações cresceu quase oito vezes mais do que o volume

Ao longo do período analisado, as exportações da UE de CN 1517 passaram de €541,5 milhões (2015) para €984,6 milhões (2025), um aumento de 81,9% em valor. Contudo, o volume exportado cresceu apenas 10,3% — de 376 542 t para 415 377 t. A explicação reside na evolução do preço médio de exportação, que subiu 64,8% — de €1 438/t para €2 370/t. A valorização das exportações é, portanto, predominantemente preço-determinada e não volume-determinada.

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Valor exportações 541,5 M€ 984,6 M€ +81,9%
Volume exportações 376 542 t 415 377 t +10,3%
Preço médio exportação 1 438 €/t 2 370 €/t +64,8%

Comércio geral — visão global

1.2. As importações cresceram mais em volume do que em valor

Em sentido inverso, as importações da UE passaram de €222,6 milhões e 86 307 t em 2015 para €316,4 milhões e 142 122 t em 2025, correspondendo a um crescimento de 42,2% em valor e 64,7% em volume. O preço médio de importação desceu 13,7% — de €2 579/t para €2 226/t. Isto indica que a UE está a adquirir quantidades crescentes de margarina e preparações alimentícias a preços relativamente mais baixos, sugerindo uma procura por competitividade de custos nas fontes de abastecimento.

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Valor importações 222,6 M€ 316,4 M€ +42,2%
Volume importações 86 307 t 142 122 t +64,7%
Preço médio importação 2 579 €/t 2 226 €/t −13,7%

1.3. O saldo comercial quase duplicou

O saldo comercial da UE em CN 1517 passou de €318,9 milhões em 2015 para €668,2 milhões em 2025, um crescimento de 109,6%. A dependência líquida de importações passou de −3,9% para −16,8% (valores negativos indicam posição exportadora líquida), confirmando que a UE é um exportador líquido crescentemente robusto. Em simultâneo, a propensão exportadora subiu de 7,3% para 21,0%, e a intensidade comercial de 10,4% para 26,0%, sinalizando uma economia de margarina cada vez mais orientada para o comércio externo.

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Saldo comercial 318,9 M€ 668,2 M€ +109,6%
Dependência líquida de import. −3,9% −16,8% −328,8%
Propensão exportadora 7,3% 21,0% +188,4%
Intensidade comercial 10,4% 26,0% +148,5%

2. Reconfiguração geográfica dos parceiros e impacto dos choques de 2022

2.1. Os principais parceiros de exportação reconfiguraram-se significativamente

O Reino Unido permaneceu como o principal destino das exportações da UE em todo o período, crescendo de €118,7 milhões para €272,1 milhões (+129,2%). Contudo, a dinâmica mais notável foi o crescimento excecional das exportações para:

  • Estados Unidos: de €15,1 milhões para €95,4 milhões (+532,4%), tornando-se o 5.º maior destino em 2025.
  • Noruega: de €22,5 milhões para €59,1 milhões (+162,2%).
  • Gana: de €19,8 milhões para €40,9 milhões (+106,6%).

Em contraste, as exportações para a Rússia caíram 51,7% (de €42,7 M€ para €20,6 M€) e para a Arábia Saudita diminuíram 52,9% (de €28,4 M€ para €13,4 M€), refletindo sanções geopolíticas e reorientação de fluxos.

Parceiro exportação 2015 2025 Variação (%)
Reino Unido 118,7 M€ 272,1 M€ +129,2%
Gana 19,8 M€ 40,9 M€ +106,6%
Federação Russa 42,7 M€ 20,6 M€ −51,7%
Noruega 22,5 M€ 59,1 M€ +162,2%
Estados Unidos 15,1 M€ 95,4 M€ +532,4%
Arábia Saudita 28,4 M€ 13,4 M€ −52,9%
Ucrânia 17,3 M€ 37,3 M€ +116,3%

Parceiros de exportação

2.2. As importações sofreram uma profunda reconfiguração geográfica

O lado das importações revelou mudanças ainda mais abruptas. Os Estados Unidos e o Reino Unido mantiveram-se como os maiores fornecedores, mas as variações mais significativas ocorreram noutros parceiros:

  • Bielorrússia: de €88 mil para €43,4 milhões (+49 080%), uma escalada vertiginosa.
  • Indonésia: de €337 mil para €21,7 milhões (+6 349%).
  • Ucrânia: de €1,7 milhões para €3,4 milhões (+104,6%), embora com um pico intercalar de €19,4 milhões.

O crescimento das importações da Bielorrússia e da Indonésia reflete, provavelmente, a procura por alternativas de abastecimento de baixo custo — em parte impulsionada pelo conflito russo-ucraniano e pelas sanções subsequentes, que redirecionaram fluxos de óleo de palma e gorduras vegetais da Europa de Leste e do Sudeste Asiático.

Parceiro importação 2015 2025 Variação (%)
Estados Unidos 78,5 M€ 74,3 M€ −5,3%
Reino Unido 74,0 M€ 72,4 M€ −2,2%
Ucrânia 1,7 M€ 3,4 M€ +104,6%
Bielorrússia 0,09 M€ 43,4 M€ +49 080%
Suíça 22,6 M€ 20,2 M€ −10,6%
Indonésia 0,3 M€ 21,7 M€ +6 349%
Malásia 3,8 M€ 4,1 M€ +6,1%

Parceiros de importação

2.3. A concentração das importações diminuiu drasticamente, sinalizando diversificação de fornecedores

O índice Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações em valor caiu de 3 210 para 1 451 (−54,8%), passando de um nível moderadamente concentrado para um mercado significativamente mais diversificado. Em volume, a queda foi de −41,6% (de 3 417 para 1 996). Em contraste, o HHI das exportações aumentou 32,6% em valor (de 749 para 994), indicando uma ligeira concentração nos destinos de exportação — consistente com o peso crescente do Reino Unido e dos EUA.

HHI 2015 2025 Variação (%)
Importações (valor) 3 210 1 451 −54,8%
Importações (volume) 3 417 1 996 −41,6%
Exportações (valor) 749 994 +32,6%
Exportações (volume) 904 1 334 +47,6%

Concentração HHI

2.4. O ano de 2022 foi marcado por choques de preços acentuados

Os dados de volatilidade e choques revelam que 2022 constituiu um ponto de rutura. Os principais eventos detetados foram:

Evento Tipo Fluxo Anomalia Desvio (%) Participação no valor
Reino Unido preço importações 26,7 +21,4% 32,9%
Bielorrússia preço importações 12,9 +127,7% 3,0%
Egipto preço exportações 10,6 +47,9% 1,1%

Estes choques coincidem com a escalada do conflito na Ucrânia, as sanções à Rússia e Bielorrússia, e a crise energética europeia de 2022, que comprimiu as margens de produção e elevou os custos das matérias-primas. A Bielorrússia apresenta o maior coeficiente de variação (CV) nas importações (1,50), seguida da Indonésia (1,13) e da Ucrânia (0,74), confirmando a elevada instabilidade destes fornecedores recentes.

Volatilidade por parceiro


3. Produção interna em contração volumétrica, segmentação do produto e especialização dos Estados-Membros

3.1. A produção da UE perdeu volume mas ganhou valor

A produção interna de CN 1517 na UE registou uma evolução bifurcada: o volume desceu 20,1% — de 3 139,7 milhões de kg para 2 509,1 milhões de kg — enquanto o valor subiu 18,3% — de €3 592,7 milhões para €4 251,0 milhões. O volume mínimo atingiu-se em 2020 (2 000 milhões de kg), coincidindo com a pandemia de COVID-19, e o máximo em 2017 (3 297,7 milhões de kg). A divergência entre volume decrescente e valor crescente reflete a inflação de preços das matérias-primas (especialmente óleos vegetais) e uma possível reorientação para produtos de maior valor acrescentado.

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Volume produção 3 139,7 M kg 2 509,1 M kg −20,1%
Valor produção 3 592,7 M€ 4 251,0 M€ +18,3%

3.2. A subparte 151790 (preparações alimentícias) tornou-se dominante no comércio externo

A análise por segmento revela uma clara divergência entre as duas subpartes:

Importações por subparte:

Subparte Volume 2015 Volume 2025 Δ Volume Valor 2015 Valor 2025 Δ Valor
151790 (preparações) 64 646 t 127 022 t +96,5% 188,5 M€ 288,0 M€ +52,8%
151710 (margarina sólida) 21 661 t 15 100 t −30,3% 34,1 M€ 28,5 M€ −16,6%

Exportações por subparte:

Subparte Volume 2015 Volume 2025 Δ Volume Valor 2015 Valor 2025 Δ Valor
151790 (preparações) 208 644 t 242 405 t +16,2% 353,0 M€ 663,6 M€ +87,9%
151710 (margarina sólida) 167 897 t 172 972 t +3,0% 188,4 M€ 321,0 M€ +70,5%

A subparte 151790 (misturas e preparações alimentícias de gorduras, excluindo margarina sólida) é claramente o motor do crescimento: as suas importações quase duplicaram em volume (+96,5%) e as exportações cresceram 87,9% em valor. Em contraste, as importações de margarina sólida (151710) diminuíram 30,3% em volume, sugerindo que a UE está a satisfazer internamente a procura de margarina sólida enquanto recorre a importações crescentes de preparações alimentícias mais especializadas.

Segmentação por subparte

3.3. A especialização produtiva está concentrada no Noroeste da Europa

A análise de especialização revela que, em 2025, os Estados-Membros com maior vantagem comparativa revelada (RSCA) na produção de CN 1517 são:

Estado-Membro RSCA RCA Quota produção Quota total UE
Letónia 0,514 3,118 1,0% 0,3%
Suécia 0,513 3,108 7,5% 2,4%
Bélgica 0,468 2,761 23,4% 8,5%
Dinamarca 0,395 2,306 4,0% 1,7%
Países Baixos 0,170 1,411 20,5% 14,5%

A Bélgica e os Países Baixos, em conjunto, representam 43,9% da produção da UE, o que confirma o peso do corredor industrial do Benelux na indústria de gorduras alimentares. No extremo oposto, a Irlanda (RSCA = −0,994) e o Luxemburgo (RSCA = −0,884) apresentam especialização negligenciável, concentrando-se noutros setores agroalimentares (laticínios, no caso irlandês).

3.4. Os maiores exportadores intra-UE reforçaram a sua posição

Entre os principais Estados-Membros exportadores, destaca-se o crescimento excecional de:

Estado-Membro Export. 2015 Export. 2025 Variação (%)
Países Baixos 118,2 M€ 178,2 M€ +50,7%
Suécia 106,5 M€ 161,2 M€ +51,4%
Bélgica 90,8 M€ 94,8 M€ +4,5%
Espanha 44,2 M€ 149,6 M€ +238,7%
Polónia 21,4 M€ 85,9 M€ +302,3%
Itália 29,4 M€ 83,2 M€ +183,1%
Alemanha 51,4 M€ 83,8 M€ +62,9%

A Espanha (+238,7%) e a Polónia (+302,3%) registaram os crescimentos mais espetaculares, refletindo a expansão da capacidade industrial de gorduras alimentares no Sul e Leste da UE. A Bulgária, por sua vez, tornou-se um importador relevante (de €0,9 milhões para €16,8 milhões, +1 710%), possivelmente como hub de reexportação ou consumo interno crescente.


Conclusão

O mercado europeu de margarina e preparações alimentícias de gorduras (CN 1517) apresentou, entre 2015 e 2025, três tendências estruturais dominantes:

  1. Consolidação da posição exportadora líquida. O saldo comercial mais que duplicou (de €319 M€ para €668 M€), impulsionado sobretudo por aumentos de preço nas exportações (+64,8% no preço médio) e por volumes de exportação que cresceram moderadamente (+10,3%), enquanto as importações cresceram fortemente em volume (+64,7%) a preços em queda (−13,7%).

  2. Reconfiguração profunda das cadeias de abastecimento. A diversificação das importações (HHI: −54,8%), o crescimento exponencial de fornecedores como a Bielorrússia e a Indonésia, e a simultânea retração das exportações para a Rússia e a Arábia Saudita evidenciam um mercado em reequilíbrio geográfico, fortemente condicionado por fatores geopolíticos — em particular o conflito na Ucrânia e as sanções associadas. Os choques de preço detetados em 2022, com anomalias de até 26,7 desvios-padrão, confirmam a fragilidade das cadeias de valor perante perturbações exógenas.

  3. Transição estrutural do produto e do tecido produtivo. A subparte 151790 (preparações alimentícias de gorduras) tornou-se dominante no comércio externo, com importações a quase duplicarem em volume, enquanto a margarina sólida perdeu terreno. A produção interna da UE contraiu 20,1% em volume mas valorizou 18,3% em valor, sugerindo uma reorientação para produtos de maior valor acrescentado. Geograficamente, a especialização produtiva permanece concentrada no Benelux e na Península Escandinava, mas a Espanha e a Polónia emergem como novos pólos exportadores.

Em síntese, o setor da margarina na UE é hoje mais internacionalizado, mais diversificado nas suas fontes de abastecimento e mais orientado para a exportação do que era há uma década — mas também mais exposto a volatilidade de preços e a riscos geopolíticos nas suas cadeias de abastecimento globais.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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