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Evolução do mercado: Óleo de peixe (CN 1504) — 2015–2025

Introdução

Este relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) para o código aduaneiro 1504 — "Gorduras, óleos e respetivas frações, de peixes ou de mamíferos marinhos, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados" — no período entre 2015 e 2025. A análise baseia-se em dados de comércio extra-UE, incluindo volumes, valores, parceiros e indicadores estruturais. Os dados revelam uma transformação significativa no posicionamento da UE neste mercado, passando de importadora líquida para exportadora líquida, impulsionada por um crescimento robusto das exportações, variações de preços e mudanças na estrutura dos parceiros comerciais.

1. A viragem para exportador líquido: crescimento sustentado e liderança dinamarquesa

A dinâmica comercial da UE para o código 1504 ao longo da década caracterizou-se por um crescimento das exportações que superou o das importações, alterando a balança comercial de forma decisiva.

1.1. Da dependência das importações ao superávit comercial

Entre 2015 e 2025, a balança comercial da UE em valor passou de um défice de -21,96 milhões EUR para um superávit de 53,25 milhões EUR (Balança comercial). Esta viragem reflete um crescimento de 107,7% no valor das exportações (de 271,0 M€ para 562,7 M€), comparado a um aumento de 73,9% nas importações (de 292,9 M€ para 509,5 M€). Consequentemente, a dependência líquida das importações caiu de 15,6% em 2015 para -7,7% em 2025, indicando que a UE se tornou um fornecedor líquido para o mercado global (Dependência líquida de importações).

1.2. O papel central da Noruega e a diversificação dos mercados de destino

A Noruega consolidou-se como o principal parceiro em ambos os flancos. Foi a maior fonte de importações para a UE (de 60,3 M€ para 98,8 M€, +63,7%), mas, mais significativamente, tornou-se o principal destino das exportações da UE, com um crescimento exponencial de 163,2 M€ para 396,7 M€ (+143,1%) (Principais parceiros por valor). Paralelamente, as exportações da UE expandiram-se para mercados como a Islândia (de um valor residual para 29,1 M€) e o Chile (de 45 mil € para 6,3 M€), mostrando uma maior diversificação geográfica.

1.3. Dinamismo da produção interna e da propensão exportadora

Os dados de produção da UE mostram uma evolução notável em valor (de 81,7 M€ para 560,0 M€), apesar de um crescimento mais modesto em volume (de 156,3 mil toneladas para 160,0 mil toneladas) (Produção em valor). Esta disparidade sugere um forte aumento do valor unitário da produção. A propensão exportadora (exportações como % da produção) subiu de 81,2% para 116,3%, indicando que uma quota crescente da produção europeia está a ser destinada à exportação (Propensão exportadora).

Indicador 2015 2025 Variação %
Valor Exportações (M€) 270,96 562,72 +107,7%
Valor Importações (M€) 292,92 509,46 +73,9%
Balança Comercial (M€) -21,96 +53,25 +342,6%
Dependência Líquida Importações (%) 15,6% -7,7% -149,4%
Propensão Exportadora (%) 81,2% 116,3% +43,2%

2. Concentração das exportações e diversificação das importações

A estrutura do mercado revela uma crescente concentração nas exportações da UE, enquanto as importações provêm de um conjunto mais diversificado de parceiros.

2.1. A Dinamarca como pilar exportador da UE

A Dinamarca foi consistentemente o principal Estado-Membro exportador de óleo de peixe (CN 1504) para fora da UE. Em 2025, as suas exportações atingiram os 384,2 M€, representando 68% do total das exportações da UE para países terceiros, um crescimento de 88,2% face a 2015 (Exportações por reporter). Esta dominância explica em grande parte o aumento do Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) das exportações em valor (de 4262 para 5132), que indica uma concentração de mercado mais elevada (Concentração HHI).

2.2. Fontes de importação: um leque alargado de fornecedores

Ao contrário das exportações, as importações da UE provieram de uma base de parceiros mais ampla e estável. O HHI das importações em valor diminuiu de 1755 para 1116, refletindo uma menor concentração (Concentração HHI). Para além da Noruega e Peru (principais fornecedores), países como o Chile (de 10,6 M€ para 49,0 M€, +362,4%) e o Reino Unido ganharam relevância, embora com diferentes trajetórias.

2.3. Especialização interna: vantagens comparativas díspares

A análise da vantagem comparativa revelada (RCA) mostra uma forte especialização de países do Báltico e nórdicos. A Letónia (RCA=11,32) e a Estónia (RCA=6,04) apresentam as maiores especializações neste setor, enquanto países como a Itália (RCA=0,01) ou a Eslovénia (RCA=0,002) demonstram uma especialização muito baixa (Países mais especializados). Esta divisão de trabalho interna reflete padrões históricos de produção e acesso a recursos pesqueiros.

País da UE 2025: Valor Exportações (M€) 2025: RCA
Dinamarca 384,20 2,85
França 55,07 2,50
Bélgica 45,82 -
Espanha 17,14 3,13

3. Volatilidade de preços e choques de abastecimento

O período em análise foi marcado por uma significativa volatilidade de preços, com choques pontuais que afetaram a dinâmica comercial.

3.1. A escalada de preços no pós-pandemia e a sua reversão

O preço médio das exportações da UE (CN 1504) registou uma trajetória de crescimento acentuado, de 1551 €/t em 2019 para 4848 €/t em 2023, antes de recuar para 3149 €/t em 2025 (Visão geral do comércio). Este ciclo, mais pronunciado nas exportações do que nas importações, reflete tensões na cadeia de abastecimento, aumento dos custos de energia e matérias-primas, seguido de uma normalização parcial.

3.2. Choques pontuais de preço em parceiros específicos

A análise de choques identificou eventos anómalos. O mais notável ocorreu nas importações dos EUA em 2022, com uma subida anómala do preço que atingiu uma quota de 7,8% no valor total das importações desse ano, sugerindo um fornecimento dispendioso de contingência (Eventos de choque). Choques de preço também foram detetados em exportações para Marrocos (2020) e importações da Argentina (2021).

3.3. Diferenciais de volatilidade entre parceiros

A volatilidade medida pelo coeficiente de variação (CV) dos fluxos comerciais variou muito. As exportações para o Peru (CV=1,46) e para as Ilhas Faroé (CV=1,36) mostraram elevada instabilidade, contrastando com a relativa estabilidade das exportações para a Noruega (CV=0,13) (Volatilidade). No lado das importações, o Omã (CV=0,83) e o Panamá (CV=0,73) foram os fornecedores mais voláteis, enquanto a Noruega (CV=0,18) manteve o seu papel de fornecedor estável.

Conclusão

A análise do comércio da UE para óleos de peixe e mamíferos marinhos (CN 1504) entre 2015 e 2025 revela uma transformação estrutural. A UE consolidou a sua posição como exportador líquido, impulsionada por uma forte expansão das exportações, liderada por um cluster nórdico-báltico, em especial a Dinamarca. Este crescimento ocorreu num ambiente de elevada volatilidade de preços e choques de abastecimento pontuais, que testaram a resiliência das cadeias de valor. A redução da dependência líquida de importações e o aumento da propensão exportadora sugerem um sector europeu cada vez mais competitivo e integrado nas cadeias globais de valor para este produto. Contudo, a crescente concentração das exportações e a persistente volatilidade de preços mantêm desafios em termos de diversificação de mercados e de risco.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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