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Evolução do mercado: Lápis e gizes (CN 9609) — 2015–2025

Introdução

O código combinado 9609 abrange lápis, minas para lápis ou lapiseiras, pastéis, carvões, gizes para escrever ou desenhar e gizes de alfaiate. Trata-se de um setor tradicional da indústria de escrita e desenho, mas que nas últimas décadas tem vindo a ser profundamente reconfigurado pela concorrência internacional, em particular pela produção asiática. O período 2015–2025 foi marcado por três dinâmicas centrais: a deterioração estrutural da balança comercial da UE, a consolidação da China como fornecedor dominante e uma reconfiguração significativa da base produtiva europeia. Este relatório analisa essas tendências com base nos dados disponíveis.


1. Um défice comercial em expansão sustentada

A UE tornou-se cada vez mais dependente das importações

Ao longo do período analisado, a UE passou de uma posição de importação líquida moderada para uma dependência crescente de fornecedores externos. O défice comercial agravou-se significativamente:

Indicador 2015 2025 Variação
Importações (€) 156 006 586 177 793 950 +14,0%
Exportações (€) 125 235 515 108 024 553 −13,7%
Saldo comercial (€) −30 771 070 −69 769 397 −126,7%

O défice mais que duplicou, passando de −30,8 milhões de euros para −69,8 milhões. A taxa de dependência de importações líquidas subiu de 7,9% para 31,6% — um aumento de +302,9%.

O volume importado cresceu muito mais do que o exportado

A divergência torna-se ainda mais evidente quando se analisa a evolução das quantidades físicas:

Fluxo Quantidade 2015 (t) Quantidade 2025 (t) Variação
Importações 27 260 33 631 +23,4%
Exportações 12 521 12 902 +3,0%

Enquanto as importações cresceram em volume mais de 6 300 toneladas, as exportações mantiveram-se praticamente estáveis. O intensidade comercial situou-se nos 80,6% em 2025, reflectindo uma economia europeia cada vez mais aberta a trocas externas neste produto.

Os preços unitários europeus estão sob pressão em ambas as frentes

Tanto os preços de importação como os de exportação registaram quebras, mas com intensidades diferentes:

Preço médio 2015 (€/t) 2025 (€/t) Variação
Importação 5 723 5 286 −7,6%
Exportação 10 001 8 370 −16,3%

A queda mais acentuada dos preços de exportação sugere uma pressão competitiva crescente sobre os fabricantes europeus, que se veem obrigados a reduzir margens para manter acesso aos mercados externos.


2. A hegemonia chinesa e o risco de concentração do abastecimento

A China domina as importações da UE e reforça a sua posição

A China é, de longe, o principal fornecedor externo da UE neste setor, e a sua quota de mercado continuou a crescer:

Parceiro (importações) 2015 (€) 2025 (€) Variação Quota 2025
China 107 208 225 136 841 797 +27,6% ~77%
México 1 656 894 2 655 649 +60,3% ~1,5%
Tunísia 15 098 1 318 405 +8 632% ~0,7%
Índia 1 958 570 1 967 921 +0,5% ~1,1%
Indonésia 9 990 770 5 851 689 −41,4% ~3,3%
Reino Unido 9 769 408 4 260 492 −56,4% ~2,4%
Coreia do Sul 3 307 000 1 339 363 −59,5% ~0,8%

A quota da China nas importações da UE passou de aproximadamente 69% para cerca de 77%, consolidando uma posição de quase-monopsónio. Alguns fornecedores tradicionais como a Indonésia, o Reino Unido (pós-Brexit) e a Coreia do Sul perderam quota significativa. A Tunísia apresenta um crescimento exponencial, ainda que a partir de uma base muito reduzida.

O índice de concentração (HHI) confirma o aumento da dependência

O HHI das importações em valor subiu de 4 839 para 6 093 (+25,9%), ultrapassando limiares que indicam um mercado altamente concentrado. Em volume, o HHI passou de 6 223 para 8 091 (+30,0%). Em contraste, o HHI das exportações manteve-se extremamente baixo (~511 em valor), o que indica que a UE distribui as suas exportações por múltiplos destinos.

A volatilidade das importações chinesas é baixa, mas os riscos geopolíticos persistem

O coeficiente de variação (CV) das importações chinesas é de apenas 0,17 — o mais baixo entre os principais parceiros —, o que sugere um fornecimento estável em volume e valor. Contudo, em 2022, detetou-se um choque de preço nas importações provenientes da China (anomalia de 11,1, desvio de +7,4%), coincidindo com as disrupções logísticas pós-COVID e o aumento dos custos de transporte marítimo. Outros parceiros apresentam flutuações mais acentuadas: o Reino Unido (CV 0,70), a Tunísia (CV 0,69), a Coreia do Sul (CV 0,62) e o Brasil (CV 0,73) mostram maior instabilidade nas relações comerciais.

As exportações da UE perderam o mercado russo e ganharam África Ocidental

A evolução dos destinos de exportação revela uma reconfiguração geográfica significativa:

Destino (exportações) 2015 (€) 2025 (€) Variação
Reino Unido 18 720 480 16 187 526 −13,5%
Rússia 7 284 591 2 070 516 −71,6%
Burkina Faso 149 116 887 852 +495%
Togo 314 652 1 036 203 +229%
Camarões 557 431 917 475 +64,6%
Costa do Marfim 384 334 925 907 +141%
Índia 264 045 818 501 +210%

O colapso das exportações para a Rússia (−71,6%) é consistente com as sanções e restrições comerciais impostas após 2022. Em paralelo, vários países da África Ocidental (Burkina Faso, Togo, Camarões, Costa do Marfim) tornaram-se mercados de crescimento expressivo, sugerindo um reorientação geográfica das exportações europeias.


3. Reestruturação produtiva: menos unidades, mais valor

A produção europeia sofreu uma queda dramática em volume

Os dados de produção da UE revelam uma transformação profunda:

Indicador 2015 2025 Variação
Produção (unidades) 2 044 924 859 590 793 033 −71,1%
Produção (€) 152 029 842 176 087 411 +15,8%

A produção em unidades caiu mais de 70%, passando de cerca de 2 mil milhões de unidades para apenas 591 milhões. No entanto, o valor da produção aumentou 15,8%, o que implica que a produção europeia se deslocou para segmentos de maior valor acrescentado (por exemplo, pastéis artísticos, gizes especializados, produtos de nicho) enquanto a produção em massa de lápis e gizes básicos migrou para a Ásia.

A especialização europeia concentra-se em alguns Estados-Membros

A análise de especialização (RSCA, 2025) identifica os seguintes Estados-Membros como os mais especializados:

Estado-Membro RSCA RCA Quota produção Quota total UE
Chequia 0,472 2,785 13,4% 4,8%
Eslováquia 0,311 1,901 4,0% 2,1%
Alemanha 0,209 1,528 32,3% 21,2%
França 0,131 1,301 10,2% 7,8%
Polónia 0,106 1,237 8,2% 6,6%

A Chequia e a Eslováquia destacam-se como centros de especialização, com RCAs significativamente superiores a 1. A Alemanha, apesar de ter o maior peso absoluto na produção (32,3% do valor), não é o mais especializado em termos relativos. Países como o Chipre, a Bulgária e a Finlândia são os menos especializados (RSCA negativos), com quota residual na produção.

A Alemanha é o epicentro do comércio europeu, mas está a perder quota nas exportações

A análise por Estado-Membro revela a posição dominante da Alemanha:

Exportações (principais reporters):

Estado-Membro 2015 (€) 2025 (€) Variação
Alemanha 72 895 916 59 068 413 −19,0%
França 20 149 358 19 969 413 −0,9%
Chequia 8 153 357 4 795 461 −41,2%
Países Baixos 3 540 354 3 403 946 −3,9%
Espanha 4 184 029 2 800 790 −33,1%

Importações (principais reporters):

Estado-Membro 2015 (€) 2025 (€) Variação
Alemanha 35 506 955 42 498 661 +19,7%
Países Baixos 17 589 901 28 045 120 +59,4%
França 19 825 118 22 467 674 +13,3%
Itália 27 099 878 18 059 637 −33,4%
Polónia 6 991 352 13 502 042 +93,1%

A Alemanha continua a ser o maior exportador (59,1 milhões €), mas perdeu 19% do valor exportado. A Polónia (+93,1%) e os Países Baixos (+59,4%) registaram os maiores crescimentos no lado das importações, podendo reflectir o seu papel crescente como centros logísticos e de distribuição.

A composição segmentar revela a hegemonia dos lápis nas importações

A decomposição por subproduto permite identificar o peso relativo de cada segmento:

Importações em 2025:

Subproduto (CN) Quantidade (t) Valor (€) Preço médio (€/t)
960910 — Lápis 19 163 122 109 643 6 371
960990 — Pastéis, carvões, gizes 13 876 49 892 310 3 595
960920 — Minas 592 5 791 997 9 769

Exportações em 2025:

Subproduto (CN) Quantidade (t) Valor (€) Preço médio (€/t)
960990 — Pastéis, carvões, gizes 8 173 22 240 230 2 719
960910 — Lápis 4 426 74 514 220 16 828
960920 — Minas 303 11 270 103 37 104

As minas para lápis e lapiseiras (960920) apresentam os preços unitários mais elevados, tanto na importação (9 769 €/t) como na exportação (37 104 €/t), reflectindo o seu carácter de produto de nicho e elevado valor acrescentado. Os lápis (960910) dominam em valor nas importações (68,7% do total) e nas exportações (69,0%), mas com preços de exportação significativamente mais elevados (16 828 €/t vs. 6 371 €/t), o que confirma a aposta europeia em segmentos premium.


Conclusão

O mercado europeu de lápis e afins (CN 9609) encontra-se num processo claro de reestruturação entre 2015 e 2025. A UE consolidou a sua posição de importador líquido, com um défice que mais que duplicou para quase 70 milhões de euros, impulsionado por um crescimento das importações (+14% em valor, +23% em volume) e simultânea contração das exportações (−14%). A China consolidou-se como fornecedor dominante, respondendo por cerca de três quartos das importações da UE — uma concentração que, embora associada a um fornecimento estável (baixa volatilidade), representa um risco geopolítico e de abastecimento crescentes, sobretudo num contexto de tensões comerciais globais.

Paralelamente, a base produtiva europeia sofreu uma transformação profunda: a produção em unidades caiu mais de 70%, mas o seu valor aumentou 16%, sinal de uma transição para produtos de maior valor acrescentado. A Alemanha permanece o centro nevrálgico do comércio intra e extra-UE, mas a sua quota exportadora está em declínio. A perda do mercado russo (−72%) foi parcialmente compensada pelo crescimento das exportações para África Ocidental. Os principais desafios para o setor europeu residem na gestão do risco de concentração do abastecimento asiático, na manutenção da competitividade dos segmentos premium e na adaptação a um mercado global em rápida evolução.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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