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Evolução do mercado: Compostos de mercúrio (CN 2852) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) no período 2015–2025 para o código aduaneiro 2852, que abrange compostos inorgânicos ou orgânicos de mercúrio, de constituição química definida ou não, exceto amálgamas. Esta posição inclui dois subprodutos principais: os compostos de constituição química definida (285210) e os não definidos (285290).

O período em análise é marcado por uma transformação estrutural profunda. A UE, que em 2015 apresentava uma forte dependência líquida de importações, transitou para uma posição de quase autossuficiência em 2025. Este processo foi acompanhado por quedas dramáticas nos volumes transacionados, aumentos acentuados dos preços unitários e uma significativa reconfiguração geográfica das relações comerciais.


1. A contração acentuada do comércio externo

1.1. Queda generalizada nos volumes e nos valores

Ao longo da década, o comércio externo da UE em compostos de mercúrio contraiu-se de forma acentuada, tanto em termos de volume como de valor. As importações caíram de 1 289 t (6,8 M€) em 2015 para 122 t (1,7 M€) em 2025, representando reduções de 90,5 % e 74,8 %, respetivamente. As exportações seguiram uma trajetória semelhante, descendo de 484 t (3,6 M€) para 27 t (2,6 M€), uma quebra de 94,3 % no volume e de 27,3 % no valor (dados gerais de comércio).

Indicador 2015 2025 Variação
Importações — valor (M€) 6,84 1,73 −74,8 %
Importações — volume (t) 1 289 122 −90,5 %
Exportações — valor (M€) 3,59 2,61 −27,3 %
Exportações — volume (t) 484 27 −94,3 %

1.2. Preços unitários em forte ascensão

A diminuição dos volumes contrastou com uma escalada significativa dos preços unitários, especialmente nas exportações. O preço médio de exportação disparou de 7 249 €/t em 2015 para 92 346 €/t em 2025 — um aumento de 1 174 %. Nas importações, o crescimento foi mais moderado, mas ainda assim expressivo: de 5 294 €/t para 14 004 €/t (+165 %). Esta divergência sugere uma mudança qualitativa nos fluxos comerciais: os volumes residuais transacionados correspondem a compostos de maior valor acrescentado ou a nichos especializados, enquanto o comércio de baixo valor se extinguiu.

1.3. Dois segmentos, duas trajetórias

A análise por subproduto revela dinâmicas distintas (comparação por segmento):

  • 285290 (não definidos quimicamente): As importações de volume caíram de 1 238 t para 119 t e o valor despenhou de 4,98 M€ para 0,19 M€ — este segmento foi o principal responsável pela contração global. Nas exportações, o padrão foi idêntico (de 475 t/2,36 M€ para 21 t/0,07 M€).
  • 285210 (definidos quimicamente): Apesar de volumes residuais (51 t → 6 t nas importações; 9 t → 7 t nas exportações), o valor manteve-se estável ou até cresceu. As importações de valor passaram de 1,87 M€ para 2,40 M€, e as exportações duplicaram de 1,23 M€ para 2,54 M€. Isto reflecte uma escalada extraordinária dos preços unitários: o preço médio de importação do segmento 285210 subiu de 36 161 €/t para 425 832 €/t, enquanto o de exportação cresceu de 132 000 €/t para 362 627 €/t.

2. Reconfiguração geográfica e volatilidade dos parceiros

2.1. Colapso do Reino Unido como parceiro dominante

Em 2015, o Reino Unido era o principal parceiro comercial da UE em compostos de mercúrio, dominando tanto as importações (4,54 M€, 66 % do total) como as exportações (2,32 M€, 64 % do total). Em 2025, esta posição desmoronou: as importações do Reino Unido caíram para 290 000 € (−93,6 %) e as exportações para 78 000 € (−96,6 %). Este colapso está fortemente correlacionado com o Brexit e a subsequente reorganização das cadeias de abastecimento intra-europeias (parceiros principais).

Parceiro — Importações 2015 (€) 2025 (€) Variação
Reino Unido 4 542 600 289 953 −93,6 %
EUA 941 558 69 314 −92,6 %
Índia 506 445 590 928 +16,7 %
Argentina 733 940 1 387 231 +89,0 %
China 10 938 411 814 +3 665 %
Suiça 74 944 11 425 −84,8 %
Noruega 1 0,2 −85,2 %
Parceiro — Exportações 2015 (€) 2025 (€) Variação
Reino Unido 2 315 297 77 999 −96,6 %
EUA 248 728 507 330 +104,0 %
Suiça 47 328 24 916 −47,4 %
Chile 18 453 19 315 +4,7 %
Peru 37 942 15 515 −59,1 %
Noruega 11 843 1 277 −89,2 %
Ucrânia 5 506 8 743 +58,8 %

2.2. Ascensão de novos fornecedores: China e Argentina

Enquanto os parceiros tradicionais perdiam peso, novos fornecedores emergiram com força. A China passou de 11 000 € em importações em 2015 para 412 000 € em 2025 (+3 665 %), tornando-se um fornecedor relevante. A Argentina consolidou-se como parceiro crescente, passando de 734 000 € para 1,39 M€ (+89 %), e tornando-se em 2025 o maior fornecedor individual da UE por valor. A Índia manteve um nível estável (~590 000 €). Estas mudanças sugerem uma diversificação estratégica das fontes de abastecimento da UE, possivelmente em resposta a constrangimentos regulamentares e geopolíticos que afetaram os fornecedores europeus e norte-americanos.

2.3. Volatilidade elevada e choques de preço pontuais

A análise da volatilidade, medida pelo coeficiente de variação (CV), revela flutuações acentuadas em múltiplos fluxos. Nas exportações, os parceiros mais voláteis incluem o Reino Unido (CV = 3,14), o Chile (CV = 3,16) e a Suiça (CV = 2,98). Nas importações, a Suiça (CV = 2,74) e a Índia (CV = 2,09) destacam-se pela instabilidade (volatilidade por parceiro).

Foram detetados choques de preço significativos:

  • Peru, 2022: Choque de preço nas exportações da UE com uma variação de +19 717 % e uma anormalidade de 4 632 — possivelmente associado a operações pontuais de elevado valor unitário.
  • Reino Unido, 2023: Choque de preço nas exportações com +2 664 %, representando 93,5 % do valor total das exportações da UE nesse ano — reflexo do colapso quantitativo que transformou pequenos volumes em preços médios distorcidos.
  • Noruega, 2021: Choque moderado nas exportações (+469 %), de menor impacto no valor total (1,0 %).

2.4. Redução da concentração geográfica

O índice Herfindahl-Hirschman (HHI) confirma uma tendência de diversificação. Nas importações por valor, o HHI desceu de 4 771 para 3 252 (−31,9 %), saindo de um patamar de concentração elevada para um nível moderado. Nas exportações, a redução foi mais pronunciada: de 4 246 para 890 (−79,0 %), indicando que as exportações da UE se tornaram significativamente mais diversificadas (concentração HHI).


3. Do déficit crónico à quase autossuficiência

3.1. Inversão da balança comercial

Uma das transformações mais marcantes do período foi a inversão da balança comercial. Em 2015, a UE registou um défice de 3,26 M€ em compostos de mercúrio, reflectindo uma forte dependência externa. Em 2025, a balança atingiu um excedente de 884 000 € — uma variação de +127,2 % (balança comercial). O défice máximo registado foi de 3,76 M€, enquanto o excedente máximo foi precisamente o valor de 2025.

3.2. Colapso da dependência de importações

O rácio de dependência líquida de importações (net import reliance) desceu de 98,3 % em 2015 para apenas 0,5 % em 2025 — uma redução de 99,5 %. A intensidade comercial (trade intensity) seguiu o mesmo padrão, caindo de 116 % para 7 % (−94 %), enquanto a propensão exportadora (export propensity) desceu de 1 254 % para 3,4 % (−99,7 %). Estes indicadores apontam para uma redução radical da exposição da UE ao comércio internacional neste produto.

3.3. Expansão da produção interna

A explicação fundamental para esta transformação reside na explosão da produção europeia de compostos de mercúrio (volumes de produção). A produção em quantidade subiu de 40 000 kg para 38 053 261 kg — um crescimento de 95 033 %. Em valor, a produção passou de 450 000 € para 73,9 M€ (+16 328 %), atingindo um pico de 437,5 M€. Estes números sugerem uma industrialização massiva da capacidade produtiva europeia, possivelmente impulsionada por exigências regulamentares (como o Regulamento de Mercúrio da UE, adotado em 2017) que incentivaram o tratamento interno de resíduos e compostos de mercúrio, em vez da sua exportação para países terceiros.

3.4. Especialização produtiva e estrutura de mercado

Em 2025, a Alemanha era o maior importador intrabloco de compostos de mercúrio (2,10 M€), seguida da Hungria (307 000 €). A Itália, que em 2015 importava 2,17 M€, reduziu para apenas 2 378 € (−99,9 %) — uma das quedas mais acentuadas de qualquer Estado-Membro (importadores por país).

No que respeita à especialização, os Estados-Membros mais especializados em 2025 são a Bélgica (RSCA = 0,45), a Alemanha (RSCA = 0,41) e a Chequia (RSCA = 0,34), sugerindo a existência de clusters produtivos concentrados. A Alemanha, em particular, triplicou as suas exportações de 1,15 M€ para 2,30 M€ (+100 %), consolidando-se como o principal exportador do bloco.


Conclusão

A evolução do mercado de compostos de mercúrio (CN 2852) na UE entre 2015 e 2025 é uma história de transformação estrutural profunda. O comércio internacional contraiu-se dramaticamente em volume — com quedas de 90 % a 95 % tanto em importações como em exportações — mas os preços unitários dispararam, refletindo uma transição para transações de nicho de elevado valor acrescentado.

A UE passou de uma posição de extrema dependência externa (98,3 %) para uma quase autossuficiência (0,5 %), impulsionada por uma expansão produtiva interna sem precedentes. O Reino Unido, outrora parceiro dominante, perdeu a sua relevância no contexto pós-Brexito, sendo parcialmente substituído por fornecedores como a Argentina e a China. A concentração geográfica das exportações diminuiu significativamente, enquanto as importações se mantiveram moderadamente concentradas.

As principais incertezas residem na sustentabilidade desta produção interna a volumes tão elevados, no carácter pontual dos choques de preço detetados e na dependência crescente de parceiros extra-europeus como a Argentina e a China para o abastecimento residual.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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