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Evolução do mercado: Amianto trabalhado (CN 6812) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) relativamente à posição pautal CN 6812 — Amianto trabalhado, que abrange fibras de amianto trabalhado, misturas à base de amianto ou de amianto e carbonato de magnésio, e obras derivadas (fios, tecidos, vestuário, juntas, etc.), excluindo as posições 6811 e 6813.

O período em análise (2015–2025) é marcado por uma dinâmica de declínio estrutural consistente com o contexto regulamentar europeu de proibição progressiva do amianto — substância carcinogénica cuja utilização foi banida na UE por via da Diretiva 1999/77/CE e regulamentos subsequentes. Os dados revelam uma redução acentuada dos volumes transacionados, mas também transformações profundas na geografia das parcerias, na composição dos segmentos produto e na estrutura de preços. O relatório organiza-se em três eixos principais, seguindo-se uma conclusão sintética.


1. Contração estrutural dos volumes de comércio e de produção

Os volumes de importação e exportação diminuíram drasticamente

O indicador mais evidente da erosão deste mercado na UE é a queda pronunciada dos volumes transacionados com países terceiros. Entre 2015 e 2025, as importações da UE passaram de 215,1 toneladas para apenas 34,1 toneladas (−84,1%), enquanto as exportações caíram de 60,3 para 36,6 toneladas (−39,3%).

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Importações (t) 215,1 34,1 −84,1%
Exportações (t) 60,3 36,6 −39,3%
Importações (€) 632.289 504.599 −20,2%
Exportações (€) 900.105 413.631 −54,0%
Saldo comercial (€) +267.816 −90.968 −134,0%

A produção comunitária acompanhou a queda do comércio

A produção da UE de artigos da posição 6812 diminuiu de 119.401 toneladas em 2015 para 73.395 toneladas em 2025 (−38,5%). Em termos de valor, a redução foi mais moderada — de €637,1 milhões para €535,3 milhões (−16,0%) — o que sugere uma deslocação da produção residual para artigos de maior valor unitário.

O pico anómalo de 2019 marca a transição

O ano de 2019 constituiu um ponto de viragem: as importações atingiram o máximo histórico de cerca de €4,0 milhões em valor e 4.424 toneladas em volume, impulsionadas sobretudo por uma importação excepcional de crocidolite (subcategoria 681280), com 4.249 toneladas nesse único ano, contra uma média de 2 a 43 toneladas nos anos adjacentes. A partir de 2020, os volumes nunca mais recuperaram, confirmando a natureza pontual deste episódio.


2. Reorientação profunda das parcerias comerciais

Os parceiros tradicionais perderam relevância

A estrutura geográfica das trocas sofreu uma reconfiguração significativa. Vários parceiros históricos reduziram drasticamente o seu peso:

Parceiro (importações) 2015 (€) 2025 (€) Variação (%)
Reino Unido 281.049 40.356 −85,6%
Rússia 62.199 793 −98,7%
Irão 59.173 1.385 −97,7%
Polinésia Francesa 13.635 277 −98,0%
China 129.540 72.462 −44,1%

No lado das exportações, o colapso das vendas para a Rússia (de €229.452 para €550; −99,8%) e para a Noruega (de €62.206 para €2.351; −96,2%) é particularmente expressivo, refletindo tanto sanções como o desmantelamento de cadeias de abastecimento ligadas ao amianto.

Emergência de novos destinos de exportação

Paralelamente, alguns destinos ganharam relevância, ainda que a partir de bases reduzidas:

Parceiro (exportações) 2015 (€) 2025 (€) Variação (%)
Ucrânia 31.963 98.779 +209,0%
Turquia 69.052 111.181 +61,0%
Camarões 350 72.241 +20.540%

O crescimento das exportações para Camarões (+20.540%) e para a Turquia (+61,0%) sugere que a procura residual de amianto trabalhado se deslocou para mercados em desenvolvimento onde a regulação é menos restritiva.

A concentração das importações diminuiu, a das exportações aumentou

O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações em valor caiu de 2.698 para 1.529 (−43,3%), indicando uma diversificação das fontes de abastecimento. Em contraste, o HHI das exportações subiu de 1.181 para 1.669 (+41,4%), revelando uma concentração crescente nos poucos mercados que ainda absorvem exportações europeias de amianto.

A especialização produtiva concentra-se em Itália e Dinamarca

De acordo com o índice de especialização (RSCA), apenas dois Estados-Membros apresentam vantagem comparativa revelada significativa em 2025:

País RSCA RCA Quota na produção UE
Itália 0,80 9,12 73,0%
Dinamarca 0,78 8,25 14,2%
Letónia 0,38 2,21 0,7%

Estes dois países dominam a produção residual de amianto trabalhado na UE, enquanto Alemanha (RSCA −1,00), Suécia (RSCA −0,99) e França (RSCA −0,99) se encontram praticamente desinvestidos deste setor.


3. Divergência de preços, volatilidade e episódios de choque

Os preços de importação quadruplicaram enquanto os volumes colapsaram

Uma das dinâmicas mais notáveis do período é a divergência entre preços e volumes no lado das importações:

Fluxo Preço 2015 (€/t) Preço 2025 (€/t) Variação (%)
Importações 2.924 14.618 +399,9%
Exportações 14.813 11.052 −25,4%

O preço médio de importação quadruplicou ao longo da década, passando de €2.924/t para €14.618/t. Esta evolução reflete provavelmente uma mudança na composição dos produtos importados: com a redução dos volumes a granel de baixo custo, as importações residuais passaram a incidir sobre artigos de maior valor acrescentado (juntas industriais, tecidos técnicos especializados) e não sobre fibra bruta.

Em contraste, os preços de exportação diminuíram 25,4%, possivelmente por pressão competitiva nos poucos mercados destino e pela deterioração da procura.

Episódios de choque pontuais em mercados específicos

A análise de volatilidade identificou três episódios de choque significativos:

Fluxo Parceiro Tipo Ano Desvio (%) Quota no valor (%)
Exportações Senegal Preço 2021 +3.141,7% 4,1%
Exportações Noruega Preço 2020 +241,5% 6,6%
Importações EUA Preço 2020 +635,2% 25,2%

O choque no Senegal em 2021 (desvio de 3.141,7%) e na Noruega em 2020 (241,5%) são consistentes com transações pontuais de volume reduzido mas preço anormalmente elevado — possivelmente encomendas de emergência ou componentes técnicos específicos. O choque de preços nas importações dos EUA em 2020 (+635,2%) coincide com o início da pandemia COVID-19, que pode ter provocado ruturas logísticas e inflação de custos numa quota de 25,2% do valor importado.

A composição segmentar revela a obsolescência do vestuário de proteção

A decomposição por subcategoria mostra uma transformação estrutural na composição do comércio:

Exportações por subcategoria (€ milhares):

Subcategoria 2015 2019 (máx.) 2025 Variação 2015–25
681291 — Vestuário, calçado, chapéus 525.563 2.538.306 205.592 −60,9%
681299 — Outras obras de amianto 227.192 221.931 197.825 −12,9%
681280 — Crocidolite 13.593 15.157 10.214 −24,9%

A subcategoria de vestuário e calçado de proteção (681291) — outrora dominante nas exportações — sofreu um colapso de mais de 60% em valor, passando de €526 milhões em 2015 para €206 milhões em 2025, após um pico de €2,5 mil milhões em 2019. Em contraste, as "outras obras de amianto" (681299), que incluem fios, tecidos e juntas, revelaram maior estabilidade relativa (−12,9%), sugerindo que as aplicações industriais resistem melhor ao declínio do que os artigos de vestuário.


Conclusão

O mercado da UE para amianto trabalhado (CN 6812) encontra-se em fase avançada de contração estrutural ao longo do período 2015–2025. Os volumes de produção (−38,5%), importação (−84,1%) e exportação (−39,3%) diminuíram de forma consistente, acompanhando o quadro regulamentar europeu de proibição do amianto.

Três dinâmicas principais merecem destaque:

  1. A reconfiguração geográfica — com o desaparecimento de parceiros como a Rússia e o Irão, e a emergência pontual de destinos como Camarões e Turquia, refletindo o deslocamento da procura residual para mercados menos regulados.

  2. A divergência de preços — com os preços de importação a quadruplicarem (+399,9%) enquanto os volumes caíam, sugerindo uma transição de matéria-prima a granel para componentes técnicos de valor acrescentado.

  3. A concentração produtiva — com Itália e Dinamarca a dominarem a produção e a especialização comunitárias, enquanto os restantes Estados-Membros abandonaram progressivamente o setor.

O índice de dependência líquida de importações permaneceu negativo ao longo de praticamente todo o período (entre −9,5% e −4,0%), confirmando que a UE manteve uma posição de excedente estrutural — embora o saldo comercial em valor tenha transitado para território negativo em 2025 (−€90.968). A propensão exportadora subiu de 17,8% para 31,1%, o que, num contexto de produção decrescente, indica que a fração residual da produção europeia se encontra cada vez mais orientada para a exportação.

Em síntese, trata-se de um mercado em fase terminal na UE, onde a contração da oferta e da procura se reforçam mutuamente, e onde o comércio residual se concentra num número cada vez menor de atores especializados e de nichos industriais específicos.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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