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Evolução do mercado: Telhas cerâmicas (CN 6905) — 2015–2025

Introdução

O código 6905 da Nomenclatura Combinada abrange um conjunto alargado de produtos cerâmicos para a construção — nomeadamente telhas, elementos de chaminés, condutores de fumo, ornamentos arquitetónicos e outros artigos cerâmicos de construção. Este relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE-27) com países terceiros no período 2015–2025, com base em dados anuais de valor (EUR), quantidade (toneladas) e preço (EUR/t).

O período em análise é marcado por transformações estruturais significativas: uma subida generalizada dos preços unitários, uma queda acentuada dos volumes transacionados, uma concentração crescente das importações num único fornecedor — a Sérvia — e uma contracção dramática da produção interna da UE. Apesar de a UE manter uma posição líquida exportadora ao longo de todo o período, o saldo comercial deteriorou-se, reflectindo uma crescente dependência das importações e uma reconfiguração profunda das parcerias comerciais.

Visão geral do mercado no Trade Dashboard


1. Preços em forte subida sustentam o valor das trocas apesar da contracção dos volumes

A dinâmica mais marcante do período 2015–2025 é a divergência entre a evolução dos volumes e a evolução dos preços unitários. Tanto nas exportações como nas importações, os volumes em toneladas diminuíram significativamente, mas os preços subiram o suficiente para manter — ou mesmo aumentar — o valor total das trocas.

Os preços de exportação quase duplicaram entre 2015 e 2025

O preço médio de exportação da UE subiu de 187 €/t em 2015 para 319 €/t em 2025, uma variação de +70,5%. Esta subida foi suficiente para manter o valor das exportações praticamente estável (de 151,7 M€ para 158,9 M€, +4,8%), apesar de uma queda de 38,5% nos volumes exportados (de 810 927 t para 498 508 t). O valor máximo das exportações foi registado em 2022, com 177,9 M€, coincidindo com o período de inflação mais acentuada na Europa.

Métrica 2015 2025 Variação
Valor exportações 151,7 M€ 158,9 M€ +4,8%
Quantidade exportações 810 927 t 498 508 t −38,5%
Preço exportações 187 €/t 319 €/t +70,5%

O preço das importações subiu de forma paralela, puxando o valor total das compras externas

Do lado das importações, o padrão é semelhante mas ainda mais pronunciado em termos de valor. O preço médio de importação subiu de 145 €/t para 242 €/t (+67,1%), enquanto as quantidades cresceram de 147 648 t para 216 644 t (+46,7%). O efeito combinado de volumes crescentes e preços mais elevados resultou num aumento de 145,1% do valor das importações (de 21,4 M€ para 52,4 M€).

Métrica 2015 2025 Variação
Valor importações 21,4 M€ 52,4 M€ +145,1%
Quantidade importações 147 648 t 216 644 t +46,7%
Preço importações 145 €/t 242 €/t +67,1%

Os segmentos de telhas e de outros artigos cerâmicos apresentam dinâmicas de preço distintas

A decomposição por subproduto revela que as telhas (CN 690510) dominam esmagadoramente tanto as importações como as exportações. Nas importações, o preço das telhas subiu de 136 €/t para 235 €/t, enquanto o preço dos "outros artigos cerâmicos" (CN 690590) passou de 413 €/t para 643 €/t. Nas exportações, a telha subiu de 178 €/t para 307 €/t, e os outros artigos de 660 €/t para 1 139 €/t. Os artigos de chaminés e ornamentos arquitetónicos (690590) apresentam, portanto, um valor unitário muito superior, mas representam uma fracção muito menor dos volumes.

Comparação de segmentos de produto


2. A Sérvia torna-se o fornecedor dominante e as rotas de exportação reconfiguram-se radicalmente

A análise das parcerias comerciais revela uma transformação profunda tanto nas origens das importações como nos destinos das exportações da UE. Do lado das importações, a concentração num único parceiro — a Sérvia — é o fenómeno mais relevante. Do lado das exportações, assiste-se ao crescimento do Reino Unido e dos Balcãs Ocidentais, e ao colapso quase total de mercados do Norte de África.

A Sérvia passou de fornecedor maioritário a fornecedor dominante das importações da UE

Em 2015, a Sérvia já era o principal fornecedor externo de telhas cerâmicas à UE, com 14,1 M€ (66% do total das importações). Em 2025, o seu valor ascendeu a 44,4 M€, representando 85% de todas as importações da UE neste código — um crescimento de +215,3%. Esta evolução reflecte a proximidade geográfica, os custos de produção competitivos e, provavelmente, os efeitos do processo de adesão da Sérvia à UE, que facilita as trocas comerciais. A Bulgária é o principal Estado-Membro importador, tendo passado de 10,0 M€ para 31,6 M€ (+216%), o que sugere que a rota Sérvia–Bulgária é o corredor logístico dominante.

Parceiro (importações) 2015 2025 Variação
Sérvia 14,1 M€ 44,4 M€ +215,3%
Norte da Macedónia 3,7 M€ 2,6 M€ −29,9%
Reino Unido 1,6 M€ 2,7 M€ +69,2%
Suíça 1,0 M€ 1,5 M€ +52,3%
Turquia 0,5 M€ 0,6 M€ +36,3%
China 0,2 M€ 0,2 M€ +12,2%
Noruega 0,01 M€ 0,04 M€ +189,7%

A concentração das importações agravou-se significativamente

O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações por valor subiu de 4 731 para 7 224 (+52,7%), passando de um nível já moderadamente concentrado para um nível muito concentrado. Este aumento é directamente atribuível ao crescimento da quota sérvia. Do lado das exportações, o HHI é muito mais baixo (573 → 997, +74,1%), reflectindo uma distribuição mais diversificada dos destinos, embora também com alguma tendência de concentração.

Concentração do comércio — HHI

As exportações da UE reorientaram-se para o Reino Unido e os Balcãs Ocidentais

O Reino Unido tornou-se o principal destino das exportações da UE, passando de 22,1 M€ (2015) para 41,1 M€ (2025), um aumento de 86,4%. Este crescimento é particularmente notável no contexto do Brexit, que se concretizou em 2020, e sugere que, apesar das novas barreiras alfandegárias, a procura britânica de telhas cerâmicas europeias se manteve robusta — possivelmente pela tradição construtiva e pela proximidade cultural com mercados como o português e o espanhol. A Bósnia-Herzegovina (de 9,1 M€ para 15,5 M€, +71,2%) e a Albânia (de 2,4 M€ para 8,1 M€, +235,1%) também ganharam relevância, sugerindo uma integração crescente dos Balcãs Ocidentais na cadeia de valor da cerâmica de construção europeia.

Parceiro (exportações) 2015 2025 Variação
Reino Unido 22,1 M€ 41,1 M€ +86,4%
Bósnia-Herzegovina 9,1 M€ 15,5 M€ +71,2%
Líbano 12,5 M€ 8,7 M€ −30,5%
Albânia 2,4 M€ 8,1 M€ +235,1%
Coreia do Sul 7,2 M€ 2,6 M€ −63,7%
Egito 3,8 M€ 1,7 M€ −54,6%
Argélia 10,7 M€ 0,04 M€ −99,6%

Os mercados do Norte de África e do Médio Oriente sofreram contracções abruptas

A evolução mais dramática do lado das exportações é o colapso das vendas para a Argélia, que passou de 10,7 M€ em 2015 para apenas 38 726 € em 2025 (−99,6%). O Egito também perdeu mais de metade do seu valor. O Líbano, apesar de se manter como destino relevante, sofreu uma queda de 30,5%, tendo registado choques de preço em 2022 (anomalia de 17,9, com uma subida de 65,9%). Estes movimentos reflectem provavelmente instabilidade política e económica nestas regiões, bem como eventuais restrições cambiais ou comerciais. A Coreia do Sul, outrora destino de 7,2 M€, desceu para 2,6 M€, com um choque de preço significativo detetado em 2022 (anomalia de 188, desvio de +49,5%).

Volatilidade e choques de oferta

Os principais Estados-Membros exportadores registaram trajectórias divergentes

Dentro da UE, a Espanha manteve-se como o maior exportador para países terceiros (27,9 M€ → 30,9 M€, +10,7%), seguida de França (22,7 M€ → 23,3 M€, +3,0%) e Alemanha (21,6 M€ → 17,9 M€, −17,4%). A Itália registou a queda mais acentuada (26,1 M€ → 12,9 M€, −50,6%), enquanto a Croácia duplicou as suas exportações (10,7 M€ → 21,3 M€, +99,0%), consolidando a sua posição como potência exportadora regional. Portugal também perdeu relevância externa (17,1 M€ → 10,5 M€, −38,9%).

Principais Estados-Membros exportadores


3. Contracção produtiva acentuada e crescente abertura comercial da UE

Além das dinâmicas de preços e parcerias, o período é marcado por uma evolução estrutural profunda no lado da produção interna da UE, que se reflecte numa crescente intensidade comercial e numa maior exposição ao comércio internacional.

A produção da UE em unidades caiu mais de 70% em dez anos

A produção interna de telhas cerâmicas (medida em unidades) desceu de 6 111 milhões de unidades (2015) para 1 660 milhões (2025), uma queda de 72,8%. O mínimo foi atingido exactamente em 2025. Contudo, o valor da produção desceu apenas 8,0% (de 2 229 M€ para 2 050 M€), o que implica que o valor por unidade produzida subiu consideravelmente — em linha com a subida generalizada de preços observada no comércio externo. Esta contracção volumétrica sugere o encerramento ou redução de capacidade de numerosas fábricas, possivelmente por via da subida dos custos energéticos (o queim cerâmico é intensivo em energia) e da concorrência de fornecedores de leste.

Métrica produção 2015 2025 Variação
Quantidade (unidades) 6 111 M p/st 1 660 M p/st −72,8%
Valor 2 229 M€ 2 050 M€ −8,0%

Volume de produção da UE

A intensidade comercial da UE mais do que duplicou, reflectindo maior abertura ao exterior

A intensidade comercial (exportações + importações como percentagem da produção) subiu de 3,7% para 9,2% (+145,9%), enquanto a propensão exportadora cresceu de 3,4% para 7,2% (+114,7%). Estes indicadores sugerem que, embora a produção interna tenha encolhido em volume, a indústria cerâmica europeia se tornou mais dependente — e mais integrada — nos fluxos comerciais internacionais. A dependência líquida de importações passou de −3,1% para −5,4%, confirmando que a UE permanece exportadora líquida, mas com um excedente proporcionalmente menor face à produção.

A especialização produtiva dentro da UE é muito heterogénea

Os dados de vantagem comparativa revelada (RSCA, 2025) mostram que a Croácia (RSCA = 0,535), a Hungria (0,435), a Grécia (0,361), a França (0,339) e a Eslovénia (0,333) são os Estados-Membros com maior especialização na produção e exportação de telhas cerâmicas. No extremo oposto, a Eslováquia (RSCA = −0,992), a Suécia (−0,985), a Roménia (−0,920), a Letónia (−0,902) e a Estónia (−0,895) apresentam uma especialização negativa muito pronunciada, indicando que praticamente não produzem nem exportam estes produtos. Esta polarização reflecte tradições construtivas distintas (telhados cerâmicos vs. outros materiais), condições climáticas e a presença ou ausência de uma indústria cerâmica estabelecida.

Especialização dos Estados-Membros


Conclusão

O mercado europeu de telhas e produtos cerâmicos de construção (CN 6905) sofreu uma transformação estrutural profunda entre 2015 e 2025. Os três eixos de mudança são claros:

  1. Subida de preços e queda de volumes: Os preços unitários subiram entre 67% e 71% tanto em exportações como em importações, sustentando os valores nominais apesar de uma contracção de 38,5% nos volumes exportados. Esta dinâmica reflecte a inflação dos custos de produção (energia, matérias-primas) e a repreciação dos produtos no contexto pós-pandemia e pós-crise energética.

  2. Concentração das importações na Sérvia: A Sérvia consolidou a sua posição como fornecedor quase monopolístico de telhas cerâmicas à UE, respondendo por 85% do valor das importações em 2025. O HHI das importações subiu 53%, atingindo níveis de elevada concentração. Paralelamente, as exportações da UE reorientaram-se do Norte de África para o Reino Unido e os Balcãs Ocidentais.

  3. Produção em forte contracção e maior abertura comercial: A produção interna em unidades caiu 73%, reflectindo um ajuste estrutural da indústria. A intensidade comercial mais do que duplicou, sinalizando uma economia cerâmica europeia cada vez mais integrada no comércio global, mas também mais vulnerável a disrupções externas.

O equilíbrio futuro dependerá da capacidade da indústria europeia de competir em preço com fornecedores como a Sérvia, de gerir a crescente concentração das importações e de adaptar a sua estrutura produtiva a um contexto de custos energéticos persistentemente elevados e de procura interna potencialmente condicionada pela transição energética do sector da construção.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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