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Evolução do mercado: Sulfuretos não metálicos (CN 2813) — 2015–2025

Introdução

O código aduaneiro 2813 abrange os sulfuretos dos elementos não metálicos e o trissulfureto de fósforo comercial, produtos químicos inorgânicos com aplicações industriais relevantes, desde a produção de fósforo e agroquímicos até processos de vulcanização e fabricação de vidro. Este código integra dois subprodutos principais: o dissulfureto de carbono (281310), que domina em volume, e os restantes sulfuretos não metálicos (281390), de valor unitário significativamente mais elevado.

No período entre 2015 e 2025, o comércio externo da União Europeia neste setor passou por transformações profundas. Os dados disponíveis (Vista geral do comércio) revelam uma redução drástica dos volumes importados, uma escalada acentuada dos preços, uma reconfiguração das rotas de abastecimento e uma melhoria significativa da autonomia europeia. O presente relatório analisa estas dinâmicas em três eixos principais.


1. Colapso dos volumes e escalada dos preços: uma divergência sem precedentes

A queda dramática dos volumes importados

O indicador mais marcante do período é a redução acentuada da quantidade importada. Entre 2015 e 2025, as importações da UE em tonelagem caíram de 21.523 toneladas para apenas 7.436 toneladas, uma queda de 65,4% (Vista geral do comércio). Este declínio não foi gradual: o volume atingiu um máximo de 29.306 toneladas em 2019, antes de cair abruptamente nos anos seguintes.

Em contraste, o valor das importações manteve-se relativamente estável, passando de €8,6 milhões para €8,2 milhões (uma redução de apenas 5,2%). Esta aparente contradição explica-se pela evolução dos preços unitários.

Uma inflação de preços sem paralelo

O preço médio de importação subiu de €399/tonelada em 2015 para €1.096/tonelada em 2025, um aumento de 174,5%. Do lado das exportações, a subida foi também significativa, de €645/tonelada para 1.029 €/tonelada (+59,7%).

Indicador 2015 2025 Variação
Importações — Volume 21.523 t 7.436 t -65,4%
Importações — Valor 8,60 M€ 8,15 M€ -5,2%
Importações — Preço 399 €/t 1.096 €/t +174,5%
Exportações — Volume 6.165 t 5.280 t -14,4%
Exportações — Valor 4,01 M€ 5,43 M€ +35,7%
Exportações — Preço 645 €/t 1.029 €/t +59,7%

Esta dinâmica de preços é consistente com os choques de oferta registados em 2022, que afetaram particularmente as exportações europeias para o Reino Unido, Israel e Sérvia (Choques de abastecimento). No caso do Reino Unido, o preço de exportação subiu 69% em 2022, com uma anormalidade de 34,7 — o evento mais significativo do período.

O produto 281310 como motor da contração

A análise por subsegmento revela que a queda de volumes se concentra no dissulfureto de carbono (281310). As importações deste produto passaram de 21.504 toneladas em 2015 para 7.357 toneladas em 2025 (Comparação por segmento). O seu preço subiu de €348/tonelada para €711/tonelada.

Os restantes sulfuretos (281390) mantêm volumes residuais (de 19 para 80 toneladas em importação), mas a sua dimensão em valor é crescente: passaram de €1,1 milhões para €2,9 milhões, refletindo um preço médio muito superior (de €58.571/tonelada em 2015 para €36.639/tonelada em 2025, com oscilações intermédias significativas).


2. Reconfiguração das parcerias: da dependência russa à diversificação global

A perda de protagonismo da Rússia

Em 2015, a Federação Russa era de longe o principal fornecedor externo da UE, com importações de €7,3 milhões — mais de 84% do total. Em 2025, esse valor desceu para €4,2 milhões (-41,9%), refletindo provavelmente o impacto das sanções económicas impostas após 2022 (Principais parceiros de importação). A Rússia mantém-se o maior parceiro, mas a sua quota está hoje significativamente reduzida.

A concentração das importações (medida pelo índice HHI) caiu de 7.291 para 3.633 (-50,2%), confirmando uma diversificação geográfica substancial (Concentração HHI).

Novos fornecedores emergentes

No vácuo deixado pela Rússia, múltiplos parceiros ganharam relevância:

Fornecedor Valor 2015 Valor 2025 Variação
Rússia 7,26 M€ 4,22 M€ -41,9%
Reino Unido 268 k€ 531 k€ +97,9%
China 4,2 k€ 131 k€ +3.026%
Indonésia 106 k€ 366 k€ +244,3%
Estados Unidos 14 k€ 941 k€ +6.576%
Japão 2,5 k€ 17 k€ +596%

Os Estados Unidos e a China registaram os crescimentos mais espetaculares em termos percentuais, ainda que em valores absolutos a sua contribuição permaneça inferior à russa. A Indonésia consolidou-se como fornecedor estável, com flutuações moderadas (CV de 0,51).

Reorientação das exportações europeias

Do lado das exportações, a Bélgica (+104,1%) e a Sérvia (+497,4%) ganharam peso, enquanto parceiros tradicionais como a Indonésia (-85,1%), o Japão (-81,0%) e a África do Sul (-87,5%) registaram quedas acentuadas (Principais parceiros de exportação). Israel tornou-se o principal destino das exportações da UE, com um crescimento de 147,3% (de €1,03M para €2,54M).

Volatilidade assimétrica por parceiro

A volatilidade das trocas varia fortemente consoante o parceiro. Nas importações, a China (CV = 2,76), os Estados Unidos (CV = 2,36) e o Japão (CV = 2,13) apresentam a maior instabilidade, refletindo o carácter ainda incipiente destes fluxos. Nas exportações, a Colômbia (CV = 2,26) e o Brasil (CV = 2,33) são os mercados mais voláteis (Volatilidade).


3. Maior autonomia europeia num mercado em transformação estrutural

A UE tornou-se líquida em sulfuretos não metálicos

O indicador de dependência líquida de importações (Dependência líquida) passou de +15,8% em 2015 para -0,2% em 2025. Isto significa que a UE evoluiu de uma posição de dependência externa ligeira para uma situação de equilíbrio quase perfeito entre importações e exportações. O saldo comercial melhorou de -€4,6 milhões para -€2,7 milhões (+40,8%), tendo mesmo atingido um excedente pontual de €205 mil num dos anos intermédios.

A produção europeia sustenta a transição

Segundo os dados de produção do PRODCOM (Volumes de produção), a produção europeia de sulfuretos não metálicos passou de 137.756 toneladas em 2015 para 121.853 toneladas em 2025, uma redução de 11,5% em volume. Contudo, o valor da produção aumentou 28,4%, passando de €69,5 milhões para €89,3 milhões — o que confirma a escalada generalizada de preços registada em todo o setor.

Concentração da especialização produtiva em França e na Alemanha

Os indicadores de especialização (Especialização) revelam que a produção europeia está altamente concentrada:

Estado-Membro RCA RSCA Quota prod. Quota total
França 7,22 0,757 56,4% 7,8%
Alemanha 1,71 0,262 36,2% 21,2%
Bélgica 0,75 -0,144 6,3% 8,5%

A França detém uma vantagem comparativa revelada (RCA) de 7,22 e uma vantagem simétrica (RSCA) de 0,76, indicando uma especialização robusta e consolidada. Juntos, França e Alemanha representam mais de 92% da produção europeia de CN 2813.

Redimensão da intensidade comercial

A intensidade comercial da UE (Intensidade comercial) caiu de 24,4% para 11,8% (-51,5%), enquanto a propensão exportadora se manteve relativamente estável em torno dos 5,8%–6,4% (Propensão exportadora). Isto sugere que a contração se concentrou nas importações — coerente com a redução da dependência externa — e que a UE está a satisfazer uma proporção crescente da sua procura interna com produção própria.

Reconfiguração geográfica interna

No interior da UE, a redistribuição do comércio é notável. Nas importações, a Bélgica tornou-se o maior importador (de €437 mil para €2,38 milhões, +443%), ultrapassando a Áustria, cujas importações colapsaram de €1,94 milhões para €94 mil (-95,2%). A Espanha (+94,4%) e a Bulgária (+38,2%) também ganharam peso. Nas exportações, a Eslovénia emergiu como a principal exportadora europeia (de €35 mil para €2,65 milhões, +7.447%), ultrapassando a Alemanha, cujas exportações caíram 54,5% (Principais reportadores).


Conclusão

O período 2015–2025 foi marcado por uma transformação profunda do mercado europeu de sulfuretos não metálicos (CN 2813). Três tendências estruturais sobressaem dos dados:

  1. Uma compressão dos volumes importados em favor de preços mais elevados, sinal de um mercado que se reequilibra pela via do preço face a restrições de oferta — em particular após os choques de 2022.

  2. Uma diversificação geográfica significativa, com a perda de protagonismo da Rússia e a emergência de novos fornecedores (Estados Unidos, China, Indonésia), embora a concentração nas exportações europeias tenha ligeiramente aumentado (HHI de 2.158 para 3.400).

  3. Um ganho de autonomia estratégica da UE, que passou de uma dependência líquida de importações de quase 16% para um equilíbrio próximo de zero, sustentado por uma produção interna — sobretudo francesa e alemã — que, embora com volumes em ligeiro recuo, aumentou significativamente de valor.

O reforço da posição exportadora de países como a Eslovénia, a Bélgica e a Sérvia, em paralelo com a consolidação de Israel como principal destino das exportações europeias, aponta para uma reconfiguração das cadeias de valor que merece acompanhamento nos próximos anos. A crescente volatilidade dos novos parceiros comerciais e os riscos geopolíticos persistentes sugerem que a estabilidade recente da UE neste setor não pode ser tomada como garantida.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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