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Evolução do mercado: Aparelhos de raios X (CN 9022) — 2015–2025

Introdução

A posição aduaneira 9022 abrange um universo amplo de equipamentos de diagnóstico por imagem e radioterapia — desde aparelhos de tomografia computadorizada (TC) até tubos de raios X, passando por geradores de alta tensão, mesas de comando e acessórios para exame ou tratamento (mais sobre o âmbito do produto). Ao longo da década 2015–2025, a União Europeia consolidou a sua posição como potência exportadora líquida neste sector, com um superávit comercial que cresceu de 3 795 M€ para 5 045 M€ (+32,9%), sustentado por uma produção interna que quase duplicou em valor (de 4 369 M€ para 8 291 M€, ou +89,8%). Este relatório analisa as principais dinâmicas observadas na evolução das trocas comerciais da UE com países terceiros, organizadas em três eixos: o crescimento consolidado do superávit, a reconfiguração geográfica dos parceiros e a transformação estrutural do mix de produtos.


1. Crescimento robusto e consolidação da vantagem exportadora da UE

As exportações crescem a ritmo sustentado, embora com desaceleração relativa

Entre 2015 e 2025, as exportações da UE de equipamentos abrangidos pela CN 9022 passaram de 5 790 M€ para 8 123 M€, correspondendo a um crescimento acumulado de 40,3%. Em volume, o aumento foi de 43 395 t para 53 086 t (+22,3%), com o preço médio de exportação a subir 14,7% (de 133 421 €/t para 153 004 €/t). Estes números evidenciam que a UE não só exportou mais equipamento como, simultaneamente, se reorientou para produtos de maior valor unitário (dados gerais de comércio).

A produção europeia expandiu-se a um ritmo acelerado

Os dados de produção PRODCOM revelam um crescimento extraordinário: a produção em unidades passou de 143 374 para 345 010 (+140,6%), e o valor de produção subiu de 4 369 M€ para 8 291 M€ (+89,8%). Esta expansão permitiu que a taxa de propensão exportadora (rácio exportações/produção) aumentasse de 71,8% para 97,1%, ao passo que a intensidade comercial (trocas totais/produção) subiu de 78,0% para 97,9%. A indústria europeia de equipamento médico por imagem tornou-se, assim, quase inteiramente orientada para a exportação.

O superávit comercial reforça-se apesar do crescimento mais rápido das importações

As importações cresceram proporcionalmente mais do que as exportações (+54,3% em valor face a +40,3%), atingindo 3 078 M€ em 2025. No entanto, o volume exportado é largamente superior ao importado, gerando um superávit que se ampliou de 3 795 M€ para 5 045 M€. O indicador de dependência líquida de importação, que já era profundamente negativo em 2015 (−77%), atingiu −150% em 2025, confirmando que a UE importa apenas um terço daquilo que exporta neste sector.

Indicador 2015 2025 Variação
Exportações (M€) 5 790 8 123 +40,3%
Importações (M€) 1 995 3 078 +54,3%
Saldo comercial (M€) 3 795 5 045 +32,9%
Produção — valor (M€) 4 369 8 291 +89,8%
Produção — unidades 143 374 345 010 +140,6%
Propensão exportadora (%) 71,8 97,1 +35,4 p.p.

2. Reconfiguração geográfica: diversificação das importações e consolidação dos mercados de destino

A China torna-se o principal motor de crescimento das importações

O parceiro que mais se destacou no crescimento das importações foi a China, cujas remessas para a UE dispararam de 214 M€ para 756 M€ (+253,5%), transformando-a no segundo maior fornecedor extra-UE, atrás apenas dos Estados Unidos (de 935 M€ para 943 M€, +0,8%). A Coreia do Sul (+128,5%, de 77 M€ para 176 M€), a Malásia (+141,3%, de 19 M€ para 46 M€) e a Índia (+190%, de 26 M€ para 75 M€) registaram igualmente crescimentos expressivos, refletindo a consolidação de cadeias de abastecimento asiáticas (principais parceiros por valor).

O mercado de importações diversificou-se significativamente

O índice Hirschman-Herfindahl (HHI) das importações por valor caiu de 2 670 para 1 909 (−28,5 sinalizando uma redução acentuada da concentração. Este fenómeno decorre primeiro do peso relativo dos EUA (o parceiro dominante) se ter diluído face ao crescimento acelerado dos fornecedores asiáticos; segundo, da entrada de novos fornecedores de menor dimensão.

A volatilidade das importações por parceiro reflete igualmente esta transição: enquanto a Suíça (CV = 0,16) e a Malásia (CV = 0,20) apresentaram fluxos de importação estáveis, o Reino Unido (CV = 0,99), o México (CV = 0,89) e a Índia (CV = 0,86) exibiram flutuações muito mais acentuadas, sugerindo que os fornecedores mais recentes ainda não consolidaram os seus padrões de fornecimento (análise de volatilidade).

As exportações mantêm-se concentradas nos EUA e na China, com a Índia como novo mercado dinâmico

Os Estados Unidos continuam a ser, de longe, o principal destino das exportações da UE (2 612 M€ em 2025, +37,1% face a 2015), seguidos da China (1 331 M€, +70,5%). A estabilidade das exportações para os EUA é particularmente notável: com um coeficiente de variação de apenas 0,09, este é o destino mais previsível para os exportadores europeus. A Índia (+108,6%, de 162 M€ para 338 M€) e a Turquia (+73,6%, de 97 M€ para 168 M€) emergem como mercados de crescimento acelerado, refletindo a expansão dos sistemas de saúde pública em economias emergentes.

O HHI das exportações manteve-se estável em torno de 1 410–1 420 (+0,7%), o que sugere que o crescimento das exportações se distribuiu de forma proporcional entre os parceiros existentes, sem concentração adicional significativa.

Parceiro Importações 2015 Importações 2025 Δ Exportações 2015 Exportações 2025 Δ
Estados Unidos 935 M€ 943 M€ +0,8% 1 905 M€ 2 612 M€ +37,1%
China 214 M€ 756 M€ +253,5% 780 M€ 1 331 M€ +70,5%
Reino Unido 224 M€ 362 M€ +61,5% 383 M€ 418 M€ +9,1%
Índia 26 M€ 75 M€ +190,0% 162 M€ 338 M€ +108,6%
Japão 258 M€ 243 M€ −5,8% 365 M€ 286 M€ −21,7%
Coreia do Sul 77 M€ 176 M€ +128,5%

A especialização setorial desenha um mapa europeu fragmentado

Os indicadores de vantagem comparativa revelada (RCA) de 2025 mostram que os quatro Estados-Membros mais especializados na produção e exportação deste sector são a Finlândia (RCA = 2,95), a França (1,96), a Alemanha (1,69) e os Países Baixos (1,62). Estes quatro países representam conjuntamente cerca de 78% do valor total de exportações intra-UE da posição 9022. Em contraste, países como Malta, Estónia, Irlanda e Roménia apresentam RCA próximo de zero, evidenciando uma concentração geográfica muito acentuada da indústria.

Dentro da UE, os Países Baixos (+146,2% em importações, de 332 M€ para 817 M€) e a Polónia (+174,3%, de 38 M€ para 105 M€) registaram os maiores crescimentos nas importações extra-UE, sugerindo um papel crescente como plataformas logísticas ou como destinos de reexportação (principais declarantes).


3. Transformação do mix de produtos: a ascensão da tomografia computadorizada e dos tubos de raios X

Os scanners de TC lideram o crescimento exportador

O segmento com maior crescimento em exportações foi o dos aparelhos de tomografia computadorizada (CN 902212), cujo valor se duplicou de 876 M€ para 1 800 M€ (+105,4%) e cujo volume em unidades passou de 8 729 para 17 992 (+106,1%). Em paralelo, as exportações de tubos de raios X (CN 902230) mais do que triplicaram em valor, de 293 M€ para 683 M€ (+132,9%), refletindo a procura crescente de componentes de substituição e de módulos para equipamentos de nova geração (comparação por segmento).

O equipamento dentário entra em declínio estrutural

Em contraste acentuado, as exportações de aparelhos de raios X para uso dentário (CN 902213) caíram de 335 M€ para 197 M€ (−41,2%), passando de 61 350 unidades para 33 201 (−45,9%). As importações deste segmento seguiram trajetória semelhante, diminuindo de 66 M€ para 53 M€ (−19,6%) e caindo de 222 724 para 49 579 unidades (−77,7%). Esta dinâmica é consistente com a transição tecnológica global para sistemas de imagem digital e intraorais de menor volume de exportação, mas com maior valor unitário.

Os componentes e acessórios ganham peso nas importações

O segmento de geradores, painéis de comando, mesas, cadeiras e acessórios gerais (CN 902290) tornou-se a maior categoria de importação da UE, atingindo 1 257 M€ em 2025 (+41,7% face a 2015). Em volume, as importações deste segmento praticamente duplicaram (de 6 864 t para 13 497 t), indicando uma crescente dependência de componentes intermediários fabricados fora da UE. Curiosamente, o preço médio de importação destes componentes caiu 27,9% (de 129 261 €/t para 93 151 €/t), sugerindo ganhos de eficiência ou mudanças na composição intra-segmento.

A divergência de preços entre exportações e importações sinaiza posicionamento de valor

Observa-se uma divergência estrutural nos preços exportados versus importados. Para os aparelhos médicos de raios X (CN 902214), o preço médio de exportação situou-se em 140 332 €/t em 2025, contra apenas 99 963 €/t nas importações — os preços de exportação são 40% superiores. Já para os tubos de raios X (CN 902230), o preço de exportação (395 388 €/t) mais do que duplicou (+60,6% face a 2015), enquanto o preço de importação recuou 15,5% (de 208 707 €/t para 176 419 €/t). Esta evolução sugere que a UE se está a reposicionar para a produção de tubos de alto valor acrescentado, talvez dedicados a aplicações industriais ou de investigação, enquanto importa componentes de gama mais acessível.

Segmento Exportações (M€) 2015 Exportações (M€) 2025 Δ Importações (M€) 2015 Importações (M€) 2025 Δ
Aparelhos médico-cirúrgicos (902214) 2 050 2 618 +27,7% 332 580 +74,5%
Tomógrafos (902212) 876 1 800 +105,4% 347 453 +30,4%
Partes e acessórios (902290) 1 567 1 775 +13,3% 887 1 257 +41,7%
Tubos de raios X (902230) 293 683 +132,9% 149 370 +148,6%
Aparelhos dentários (902213) 335 197 −41,2% 66 53 −19,6%
Outros usos (902219) 533 854 +60,3% 156 296 +90,3%

Choques de preço episódicos afetam mercados periféricos

O sistema de detecção de choques identificou anomalias de preço em exportações para mercados menores, todas elas do tipo preço: a Arábia Saudita em 2021 (abnormalidade 20,6, variação de +56,3%), a Austrália em 2020 (abnormalidade 19,0, +38,1%) e os Emirados Árabes Unidos em 2019 (abnormalidade 18,2, +28,9%). Os dois primeiros coincidem cronologicamente com a pandemia de COVID-19, período em que a procura de equipamento de diagnóstico por imagem se intensificou globalmente, conduzindo a aumentos pontuais de preços em mercados com menor poder negocial.


Conclusão

O sector dos equipamentos de raios X e radiações ionizantes (CN 9022) apresentou, entre 2015 e 2025, uma evolução predominantemente favorável para a UE. A produção europeia expandiu-se a taxas elevadas, o superávit comercial consolidou-se e a base de exportação tornou-se mais sofisticada, com crescimento acentuado nos segmentos de maior valor como a tomografia computadorizada e os tubos de raios X de alto desempenho.

Contudo, emergem dois sinais de alerta. Em primeiro lugar, a dependência de importações de componentes (CN 902290) está a crescer a um ritmo significativo, com a China a assumir um papel cada vez mais relevante como fornecedor (+253,5%). Em segundo lugar, a concentração da especialização produtiva em apenas quatro Estados-Membros (Alemanha, Países Baixos, França e Finlândia) e o declínio da vantagem comparativa da França (cujo superávit se reduziu de 368 M€ para 97 M€) sugerem que a resiliência da cadeia de valor europeia dependerá de investimentos contínuos em inovação e na diversificação geográfica tanto da procura como da oferta.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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