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Evolução do mercado: Sucata de metais preciosos (CN 7112) — 2015–2025

Introdução

Este relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) com países terceiros para a posição pautal CN 7112, que abrange desperdícios e resíduos de metais preciosos, entre 2015 e 2025. A análise baseia-se em dados anuais completos, abrangendo valor, volume e preços, com o objetivo de identificar as principais dinâmicas, padrões de comércio e vulnerabilidades estruturais do bloco. Os dados revelam um mercado marcado por uma forte dependência estrutural das importações, por volatilidade de preços significativa e por uma transformação profunda nos destinos das exportações europeias.

1. A escalada de valor impulsionada por preços e a consolidação do déficit comercial

O período analisado foi caracterizado por uma expansão massiva do valor das trocas, impulsionada mais por fatores de preço do que por um crescimento proporcional dos volumes. Esta dinâmica reforçou o déficit comercial estrutural da UE no setor.

1.1. Crescimento explosivo do valor das importações e exportações

O valor das importações da UE em CN 7112 cresceu 181,1% entre 2015 e 2025, saltando de 2,54 mil milhões de euros para 7,15 mil milhões de euros. As exportações apresentaram uma evolução ainda mais acentuada, com um aumento de 253,4%, passando de 1,34 mil milhões para 4,73 mil milhões de euros (Evolução geral do comércio). No entanto, este crescimento esconde realidades distintas em termos de volume.

1.2. Os volumes crescem moderadamente, mas os preços disparam

Enquanto o volume das importações aumentou 92,6% (de 36.811 para 70.912 toneladas), o volume das exportações cresceu apenas 13,9% (de 22.778 para 25.940 toneladas). A verdadeira mudança está nos preços: o preço médio das exportações subiu 210,4% (de 58.808 €/t para 182.514 €/t) e o das importações subiu 46,0% (de 69.067 €/t para 100.821 €/t). Esta disparidade sugere que a UE está a exportar lotes de sucata com um teor ou composição mais valiosa (e.g., maior proporção de ouro e platina em relação à prata).

1.3. O déficit comercial permanece crónico e aprofunda-se em valor

A balança comercial permaneceu consistentemente negativa. Em 2015, o déficit situava-se em -1,20 mil milhões de euros e, em 2025, atingiu -2,42 mil milhões de euros. A dependência líquida de importações manteve-se extremamente elevada e estável, em torno dos 92-93% durante todo o período, confirmando a posição da UE como um importador líquido de matéria-prima secundária de metais preciosos (Dependência líquida de importações).

2. Reconfiguração geográfica: consolidação de fornecedores e novos destinos de exportação

Os padrões de comércio da UE sofreram uma reconfiguração significativa, com uma concentração crescente nos principais parceiros e uma mudança geográfica notável nas exportações.

2.1. Os Estados Unidos e o Reino Unido dominam as importações, com a ascensão da África do Sul

Os Estados Unidos e o Reino Unido foram consistentemente os maiores fornecedores da UE. Em 2025, as importações dos EUA atingiram 1,98 mil milhões de euros e as do Reino Unido 1,92 mil milhões de euros. A dinâmica mais notável foi a ascensão da África do Sul, que passou de um fornecedor marginal (33 milhões € em 2015) para o terceiro maior parceiro em 2025, com 595 milhões €, um crescimento de 1.695,9%. Esta evolução reflete provavelmente o papel da África do Sul como produtora de metais do grupo da platina.

2.2. A concentração das exportações europeias desloca-se da Ásia para a Coreia do Sul

No lado das exportações, o Japão manteve-se como o principal destino, mas com um crescimento mais moderado (216,3%). A transformação mais profunda ocorreu com a Coreia do Sul. As exportações da UE para a Coreia do Sul dispararam de 2,1 milhões € em 2015 para 95,9 milhões € em 2025, um aumento de 4.410,5%. Este crescimento espetacular sugere uma integração industrial e uma procura intensa por sucata de platina e paládio (CN 711292) por parte da indústria automóvel e tecnológica sul-coreana.

2.3. Volatilidade e vulnerabilidade nos fornecimentos periféricos

A análise da volatilidade dos parceiros comerciais revela elevada incerteza em fornecedores como Brasil (CV 0,92), Peru (CV 0,89) e Austrália (CV 0,67) para importações. Do lado das exportações, destinos como Singapura (CV 1,80) e Paquistão (CV 1,65) apresentam flutuações extremas. Estes elevados coeficientes de variação indicam fluxos comerciais voláteis, potencialmente sujeitos a fatores logísticos, regulatórios ou de disponibilidade de oferta.

3. Dinâmicas por segmento de produto e os choques de preços

A posição CN 7112 é um agregado de subprodutos com perfis de valor e dinâmicas comerciais muito distintos. Os dados revelam também a ocorrência de choques de preços significativos.

3.1. A prata (711299) domina os volumes, mas o ouro e a platina (711291/92) comandam o valor

Em termos de volume, a sucata de prata (CN 711299) é de longe a mais comercializada. Em 2025, representou 36.578 toneladas das importações e 16.529 toneladas das exportações da UE. Contudo, em valor, a sucata de platina (CN 711292) e de ouro (CN 711291) exercem um peso desproporcionado. Em 2025, as importações de 711292 (platina) valeram 2,24 mil milhões de euros e as de 711291 (ouro) 145 milhões de euros, apesar de volumes muito inferiores (33.620 t e 49 t, respectivamente) (Segmentação por produto).

3.2. Um choque de preço em exportações para os EUA em 2020

O sistema de deteção de choques identificou um evento significativo nas exportações da UE para os Estados Unidos em 2020. Nesse ano, registou-se um aumento de preço anómalo de 195,9%, com uma elevada anormalidade estatística (26,2), sugerindo uma perturbação de oferta ou uma procura excepcional num período de incerteza económica global. Este choque explica em parte o pico de valor das exportações observado nesse ano.

3.3. A especialização da Lituânia e Bélgica e o declínio do ouro

Os dados de especialização em 2025 mostram que a Lituânia (RSCA 0,54) e a Bélgica (RSCA 0,45) são os Estados-Membros mais especializados na exportação de CN 7112. Por outro lado, o comércio da UE em sucata de ouro (CN 711291) mostra uma trajetória de declínio acentuado. Os volumes de importação caíram de 1.365 toneladas em 2015 para apenas 49 toneladas em 2025, e as exportações de 727 para 944 toneladas, mas com uma enorme volatilidade de preço e valor, sugerindo um mercado cada vez mais residual ou de nicho dentro deste capítulo pautal.

Conclusão

Entre 2015 e 2025, o mercado da UE para desperdícios de metais preciosos (CN 7112) consolidou-se como um setor de alto valor, definido por três traços fundamentais. Em primeiro lugar, uma dependência estrutural e crónica das importações, que sustenta um déficit comercial persistente. Em segundo lugar, uma evolução divergente entre valor e volume, onde a escalada dos preços, impulsionada sobretudo pelos metais do grupo da platina e, em contexto, pelo ouro, transformou a dimensão financeira do comércio. Por fim, assistiu-se a uma reconfiguração das parcerias comerciais, com a ascensão da África do Sul como fornecedor e da Coreia do Sul como destino de exportação crucial, ao mesmo tempo que se verificaram episódios de elevada volatilidade e choques de preços. A UE, enquanto importadora líquida, permanece exposta a estas flutuações de preço e a eventuais disrupções nas cadeias de abastecimento globais destas matérias-primas críticas.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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