Evolução do mercado: Moedas (CN 7118) — 2015–2025
Introdução
O presente relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) com países terceiros para o código aduaneiro 7118 (Moedas) ao longo do período 2015-2025. A categoria CN 7118 abrange dois segmentos principais: moedas sem curso legal (exceto de ouro) e moedas com curso legal. O objetivo é descrever as tendências de valor, volume e parceiros, interpretando as dinâmicas de mercado subjacentes com base nos dados disponíveis.
1. Crescimento Acelerado e Dependência Crescente: A Transformação do Balanço Comercial
A análise do período revela uma transformação fundamental na posição comercial da UE. Embora tanto as exportações quanto as importações tenham apresentado crescimento, o ritmo e a estrutura dessa expansão alteraram significativamente a dependência externa do bloco.
O Salto no Valor das Exportações Superou o Crescimento das Importações em Termos Percentuais
O valor das exportações da UE para países terceiros cresceu 162,7%, passando de 541,6 milhões de euros em 2015 para 1.422,6 milhões em 2025. As importações também cresceram, mas em um ritmo menor de 74,5% (de 1.636,2 milhões para 2.855,5 milhões de euros). No entanto, em termos absolutos, o déficit comercial manteve-se substancial. O saldo negativo agravou-se em 30,9%, passando de -1.094,7 milhões de euros para -1.432,9 milhões, evidenciando que a UE permaneceu como um importador líquido consistente de moedas.
A Intensificação da Abertura Comercial e da Exportação
Indicadores de vulnerabilidade e autonomia comercial demonstram uma economia da UE cada vez mais integrada a este mercado específico. A intensidade comercial (relação entre comércio total e produção interna) mais que dobrou, saltando de 38,2% para 89,2%. De forma paralela, a propensão à exportação (exportações em relação à produção) cresceu de 32,6% para 77,2%. Esta dinâmica sugere uma reorientação da produção interna e das cadeias de valor da UE, tornando o setor mais dependente das flutuações do comércio internacional.
Mudanças Estruturais na Dependência de Importações
A dependência líquida de importações (net import reliance) passou por uma inversão notável. Em 2015, a UE apresentava uma dependência negativa de -30,6% (exportando mais do que importava relativamente), mas em 2025 a dependência atingiu 25,1%. Isso foi impulsionado por um pico de importações em 2022 (atingindo 4.709,5 milhões de euros) que elevou a dependência a um máximo de 63,9%, indicando um período de forte aquisição de moedas de países terceiros.
2. Concentração de Mercado e o Papel Dominante de Atores-Chave
A estrutura do mercado apresentou sinais de concentração moderada, com uma clara especialização geográfica na produção e no comércio. A Alemanha emergiu como o principal pivô das transações da UE.
Desconcentração das Fontes de Importação e Especialização nas Exportações
O Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) para importações por valor caiu 23,7%, de 2278 para 1739, sugerindo uma ligeira diversificação das fontes de abastecimento. Por outro lado, o HHI das exportações permaneceu mais estável (-13,4%). A análise de especialização revela que a Áustria e a Estónia possuem uma vantagem comparativa revelada (RCA) significativamente elevada na produção e exportação de moedas.
A Alemanha como Epicentro do Comércio Intra e Extra-UE
Dentro da UE, a Alemanha domina tanto as importações quanto as exportações para fora do bloco. Suas importações de países terceiros representaram 85,5% do total da UE em 2025 (2.440,5 milhões de euros), e suas exportações para fora da UE foram responsáveis por 55,0% do total (782,5 milhões de euros). Esta centralização indica que a Alemanha atua como um importante centro de transformação e redistribuição de moedas.
Mudanças nos Principais Parceiros Comerciais
A geografia do comércio sofreu ajustes. Na importação, a África do Sul manteve-se um fornecedor importante, mas a Austrália (+113,7%) e os EUA (+89,8%) ganharam relevância. As importações da Rússia (-90,5%) e da Turquia (-94,4%) praticamente desapareceram. Nas exportações, os destinos tradicionais como Colômbia e Tailândia perderam força, enquanto a Guatemala (+276,4%) e a República Dominicana (+389,0%) tornaram-se mercados de crescimento exponencial.
3. Volatilidade, Choques de Preço e a Divergência entre Segmentos de Produto
O mercado apresentou considerável volatilidade, com eventos de choque de preços concentrados em 2020. Além disso, o desempenho entre os dois subprodutos da CN 7118 revelou padrões distintos.
Choques de Preço Imediatos em 2020 com Impactos Duradouros
O período em torno de 2020 foi marcado por choques de preço anômalos nas exportações da UE para a Arábia Saudita e Tailândia, com desvios anormais de 1300 e 1013, respectivamente, e aumentos percentuais de preço superiores a 10.000%. Um choque de preço nas importações da China também foi detectado. Estes eventos, possivelmente ligados a picos de demanda por moedas comemorativas ou de investimento, demonstram a sensibilidade deste mercado a fatores de curto prazo.
Desempenho Dispar entre Moedas Sem e Com Curso Legal
A análise por segmento de produto expõe dinâmicas opostas:
| Indicador (2025) | Moedas sem curso legal (711810) | Moedas com curso legal (711890) |
|---|---|---|
| Valor das Exportações | 152,5 M€ | 1.270,2 M€ |
| Valor das Importações | 67,7 M€ | 2.787,8 M€ |
| Volume Exportado (t) | 8.476,2 t | 840,2 t |
| Volume Importado (t) | 2.263,5 t | 499,9 t |
| Preço Médio Exportação (€/t) | 17.936,6 €/t | 1.510.004,8 €/t |
| Preço Médio Importação (€/t) | 29.559,5 €/t | 5.570.506,7 €/t |
As exportações de moedas sem curso legal são lideradas pelo volume (mais de 8.400 toneladas), mas seu valor é modesto. Em contraste, as moedas com curso legal, apesar de terem um volume comercializado muito menor, dominam o valor total das transações, com preços médios ordens de magnitude superiores. As importações da UE são esmagadoramente dominadas por moedas com curso legal em valor (2.787,8 M€ vs. 67,7 M€), o que explica o grande déficit comercial total.
Redução da Produção Interna, mas com Aumento do Valor
Dados de produção da UE (PRODCOM) mostram uma queda acentuada na quantidade produzida (-54,1%, de 43.596 toneladas para 20.000 toneladas). No entanto, o valor da produção aumentou 95,9% (de 765,7 milhões para 1.500 milhões de euros). Esta divergência sugere uma mudança no mix de produção interna da UE, com foco em moedas de maior valor unitário (como moedas comemorativas e de investimento), em detrimento de produtos de menor valor.
Conclusão
Entre 2015 e 2025, o mercado de moedas (CN 7118) da UE tornou-se mais aberto e integrado globalmente, mas também mais vulnerável. A transformação mais profunda foi o aprofundamento da dependência em relação às importações de moedas com curso legal, impulsionando o déficit comercial. Internamente, a Alemanha consolidou seu papel como hub comercial, enquanto a produção da UE se reorientou para segmentos de maior valor.
O mercado demonstrou volatilidade significativa, com choques de preço pontuais em 2020, e exibiu uma clara bifurcação: um segmento de alto volume e baixo valor (moedas sem curso legal) e outro de baixo volume e altíssimo valor (moedas com curso legal) que dita os fluxos comerciais totais. A crescente intensidade comercial e propensão à exportação indicam que o setor está cada vez mais inserido nas dinâmicas do comércio mundial, apresentando tanto oportunidades quanto riscos para a economia europeia.