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Evolução do mercado: Jóias (CN 7113) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) no setor de artigos de joalharia e suas partes, de metais preciosos ou de metais folheados ou chapeados de metais preciosos (código NC 7113), no período compreendido entre 2015 e 2025. Este setor abrange três subcategorias principais: joalharia de prata (711311), joalharia de outros metais preciosos (711319) e joalharia de metais comuns folheados/chapeados (711320).

Ao longo desta década, a UE consolidou a sua posição como potência exportadora de joalharia de elevado valor acrescentado, registando uma quase duplicação do valor das exportações (+98,5%) face a um crescimento mais moderado das importações (+37,9%). Este desequilíbrio gerou um superavit comercial que se ampliou significativamente, passando de €3,8 mil milhões para €10,8 mil milhões. As dinâmicas observadas reflectem mudanças estruturais na procura global, reconfigurações geográficas do comércio e alterações na composição dos produtos exportados.


1. Crescimento exponencial do valor das exportações impulsionado por metais preciosos de elevado valor unitário

As exportações da UE em joalharia duplicaram em valor, com crescimento muito superior ao do volume físico

Entre 2015 e 2025, o valor total das exportações da UE em joalharia (CN 7113) passou de €9,3 mil milhões para €18,4 mil milhões, um crescimento de 98,5%. Contudo, o crescimento em volume foi muito mais contido: a quantidade exportada em toneladas aumentou apenas 20,8% (de 1.212 t para 1.465 t). Esta disparidade reflecte-se no preço médio de exportação, que subiu 64,2%, passando de €7,6 milhões por tonelada para €12,5 milhões por tonelada. O pico de valor das exportações foi atingido em 2024, com €20,3 mil milhões.

Indicador 2015 2025 Variação
Valor exportações (mil M€) 9,26 18,38 +98,5%
Quantidade exportações (t) 1.212 1.465 +20,8%
Preço médio exportação (M€/t) 7,6 12,5 +64,2%

O segmento de outros metais preciosos (711319) é o motor principal do crescimento exportador

A desagregação por subcategoria revela que a joalharia de outros metais preciosos (711319), que inclui essencialmente ouro e platina, dominou as exportações ao longo de todo o período. Este segmento passou de €8,3 mil milhões em 2015 para €17,2 mil milhões em 2025, representando mais de 93% do valor total das exportações em 2025. Em contraste, a joalharia de prata (711311) manteve-se relativamente estável em termos de valor (de €917 milhões para €1.061 milhões), representando uma quota decrescente. O segmento de metais comuns folheados (711320) permaneceu marginal, com valores inferiores a €70 milhões.

Subcategoria Valor exportações 2015 (M€) Valor exportações 2025 (M€) Variação
711319 — Outros metais preciosos 8.275 17.245 +108,4%
711311 — Prata 917 1.061 +15,7%
711320 — Metais comuns plaqué 66 69 +3,7%

O crescimento do preço médio reflecte uma aposta europeia em peças de maior valor intrínseco

O preço médio de exportação por tonelada subiu de forma consistente ao longo do período, atingindo €12,5 milhões/t em 2025 — o valor mais alto da série. Esta subida de 64,2% indica que a UE se está progressivamente a especializar em joalharia de maior valor unitário, provavelmente peças com maior teor de ouro, designs de luxo e pedras preciosas engastadas. A produção industrial da UE (valor de produção passou de €2,9 mil milhões para €5,1 mil milhões, +77,1%) também confirma esta dinâmica de valorização.


2. Reconfiguração geográfica: consolidação da Suíça como principal parceiro e ascensão de novos mercados

A Suíça consolidou-se como destino dominante das exportações europeias de joalharia

O destino principal das exportações da UE em joalharia é a Suíça, cuja quota cresceu significativamente ao longo do período. O valor das exportações para a Suíça passou de €3,2 mil milhões (2015) para €5,5 mil milhões (2025), um aumento de 69,1%, consolidando o seu papel como hub de processamento e redistribuição de metais preciosos. Em 2025, a Suíça representou cerca de 30% do valor total das exportações da UE neste setor.

Parceiro (exportações) 2015 (M€) 2025 (M€) Variação
Suíça 3.232 5.466 +69,1%
Reino Unido 1.425 620 −56,5%
Estados Unidos 775 2.050 +164,4%
Hong Kong 916 1.076 +17,5%
Emirados Árabes Unidos 1.133 1.735 +53,2%
México 112 304 +171,4%

O Reino Unido perdeu relevância como destino, refletindo o impacto do Brexit

O Reino Unido, que em 2015 era o segundo maior destino das exportações da UE com €1,4 mil milhões, sofreu uma quebra acentuada de 56,5%, caindo para €620 milhões em 2025. A elevada volatilidade deste fluxo (coeficiente de variação de 0,55 para exportações e de 2,95 para importações) confirma a instabilidade associada à reconfiguração das relações comerciais pós-Brexit. O Reino Unido passou de segundo para sexto parceiro em exportações.

Os EUA tornaram-se o segundo maior destino, com crescimento sustentado

As exportações da UE para os Estados Unidos registaram um crescimento notável de 164,4%, passando de €775 milhões para €2,05 mil milhões. Este crescimento reflecte a forte procura norte-americana por joalharia europeia de luxo. Contudo, em 2022, detectou-se um choque de preços nas exportações para os EUA, com uma subida anómala de 45,2% no preço e uma anormalidade de 19,8, possivelmente associada à escalada de preços do ouro no contexto da inflação pós-pandemia e do conflito na Ucrânia.

Do lado das importações, a Turquia e a Índia emergem como fornecedores cada vez mais relevantes

As importações da UE em joalharia mostram uma geografia em mutação. A Tailândia manteve-se como principal fornecedor (de €756 milhões para €791 milhões, +4,6%), mas as maiores taxas de crescimento registaram-se na Turquia (+242,3%, de €261 milhões para €894 milhões), na Índia (+154,8%, de €225 milhões para €572 milhões) e na China (+107,9%, de €289 milhões para €602 milhões). A Turquia tornou-se mesmo o segundo maior fornecedor em 2025, ultrapassando o Reino Unido, que sofreu uma quebra de 35,8% nas suas exportações para a UE.

Parceiro (importações) 2015 (M€) 2025 (M€) Variação
Tailândia 756 791 +4,6%
Turquia 261 894 +242,3%
China 289 602 +107,9%
Índia 225 572 +154,8%
Reino Unido 445 286 −35,8%
Hong Kong 170 301 +77,0%
Estados Unidos 232 414 +78,0%

Itália e França dominam a estrutura interna da UE como exportadores

Dentro da UE, a Itália é de longe o maior exportador de joalharia, com um crescimento de 96,1% (de €4,6 mil milhões para €9,1 mil milhões). A França é o segundo maior exportador (de €3,4 mil milhões para €5,6 mil milhões, +65,6%). Juntos, Itália e França representaram em 2025 aproximadamente 80% do valor total das exportações da UE. Notavelmente, a Irlanda e os Países Baixos registaram crescimentos exponenciais (+2.470,7% e +2.254,8%, respetivamente), indicando um possível papel crescente como plataformas logísticas ou de reexportação.


3. A UE reforça a sua autonomia comercial, com especialização crescente e redução da concentração

A UE é um superavitário estrutural no comércio de joalharia, com autonomia em crescimento

O saldo comercial da UE em joalharia era já fortemente positivo em 2015 (€3,8 mil milhões) e atingiu €10,8 mil milhões em 2025, um crescimento de 185,9%. O pico foi registado em 2023, com €13,7 mil milhões. O índice de dependência líquida de importações é fortemente negativo (de −1.656% para −586%), confirmando que a UE é um exportador líquido significativo. A propensão exportadora disparou de 148% para 394% (+167,2%), indicando que as exportações crescem muito mais rápido do que a produção interna, o que sugere uma integração profunda da UE nas cadeias de valor globais da joalharia.

A concentração do comércio diminuiu, refletindo maior diversificação geográfica

O índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) diminuiu significativamente tanto para importações como para exportações. Nas importações, o HHI em valor caiu 41,2%, de 3.036 para 1.785, indicando que os fornecedores da UE se tornaram mais diversificados. Nas exportações, a redução foi de 24,6%, de 1.816 para 1.368. Apesar de a concentração ter diminuído, os mercados continuam moderadamente concentrados, reflectindo o peso dominante de alguns parceiros-chave como a Suíça e os EUA.

Indicador HHI (valor) 2015 2025 Variação
Importações 3.036 1.785 −41,2%
Exportações 1.816 1.368 −24,6%

A Itália e a França apresentam a maior vantagem comparativa revelada (RCA) na UE

Os indicadores de especialização para 2025 revelam que a Itália (RCA de 4,04; RSCA de 0,60) e a França (RCA de 2,52; RSCA de 0,43) possuem uma vantagem comparativa forte e consolidada na joalharia de metais preciosos. Em contraste, países como a Hungria (RCA de 0,03), a Eslováquia (RCA de 0,04) e a Finlândia (RCA de 0,04) apresentam uma especialização muito reduzida neste setor. Estes resultados reflectem a tradição secular de ourivesaria italiana e francesa, bem como a concentração de marcas de luxo nesses países.

Estado-membro RCA RSCA
Itália 4,04 0,60
França 2,52 0,43
Chipre 1,88 0,30
Roménia 0,96 −0,02
Alemanha 0,89 −0,06

Os choques de preços em 2020 e 2022 sinalizam sensibilidade a fatores macroeconómicos

Foram detetados choques significativos nas séries de preços em três momentos-chave. Em 2020, as exportações para a China registaram um aumento anómalo de 301,2% no preço, possivelmente ligado à recuperação pós-primeira vaga da pandemia e a uma procura reprimida. Em 2022, as exportações para os EUA sofreram um choque de preço de 45,2%, com uma anormalidade de 19,8, coincidindo com a escalada inflacionista global e a crise energética. Em 2018, as exportações para o Canadá registaram um choque de 94,6%. Estes eventos sublinham a sensibilidade do setor a fatores macroeconómicos, taxas de câmbio e preços das matérias-primas.


Conclusão

O período 2015–2025 foi marcado por uma consolidação da posição da UE como potência exportadora mundial de joalharia de metais preciosos. O valor das exportações quase duplicou, impulsionado sobretudo pelo segmento de outros metais preciosos (711319), que representa mais de 93% das exportações em valor. O crescimento foi muito mais orientado pelo preço do que pelo volume, refletindo uma especialização crescente em peças de alto valor unitário — tendência coerente com a posição da UE no segmento do luxo.

Geograficamente, observou-se uma reconfiguração significativa dos parceiros comerciais. A Suíça consolidou-se como destino dominante, os EUA tornaram-se o segundo maior mercado e o Reino Unido perdeu relevância de forma acentuada no pós-Brexit. Do lado das importações, a Turquia, a Índia e a China ganharam peso como fornecedores, diversificando a base de abastecimento da UE.

A autonomia comercial da UE reforçou-se substancialmente, com o superavit a crescer 185,9% e a concentração das trogas a diminuir. A Itália e a França continuam a ser os pilares centrais da indústria europeia de joalharia, com vantagens comparativas robustas. Os choques de preço detetados em 2020 e 2022 recordam, porém, que o setor permanece exposto a flutuações nos preços das matérias-primas e a perturbações macroeconómicas. O reforço da propensão exportadora (+167,2%) sugere que a produção europeia de joalharia está cada vez mais orientada para mercados externos, o que constitui simultaneamente uma oportunidade de crescimento e uma fonte de vulnerabilidade face a eventuais protecionismos ou desacelerações económicas nos mercados de destino.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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