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Evolução do mercado: Grafite (CN 2504) — 2015–2025

Introdução

A grafite natural (CN 2504) é uma matéria-prima estratégica para diversas indústrias, incluindo baterias de iões de lítio, lubrificantes, materiais refratários e eletrónica. Este relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) com países terceiros para este produto no período 2015–2025. Os dados revelam uma combinação preocupante: a produção interna da UE está em declínio, a dependência das importações está a crescer e os preços de importação aumentaram significativamente, enquanto os fluxos geográficos de abastecimento se reconfiguraram de forma substancial. O código CN 2504 inclui dois subprodutos principais: grafite em pó ou em escamas (250410) e grafite natural excluindo pó ou escamas (250490).

Para mais detalhes sobre o âmbito e as definições do produto, consultar: Âmbito e Definições.


1. Crescimento da dependência externa no contexto de um declínio produtivo interno

1.1. A produção europeia de grafite natural contraiu-se de forma acentuada

Os dados de produção da UE para grafite natural mostram uma redução significativa ao longo do período analisado:

Indicador 2015 2025 Variação
Quantidade produzida (kg) 329.414.088 270.825.571 -17,8%
Valor da produção (EUR) 60.000.000 32.000.000 -46,7%

A queda de 46,7% no valor da produção é particularmente significativa, indicando não apenas uma redução de volume, mas também uma deterioração do valor gerado internamente — possivelmente refletindo uma deslocalização para produtos de menor valor acrescentado ou a perda de competitividade face a fornecedores externos.

Para mais detalhes: Volumes de produção.

1.2. O endividamento comercial da UE agravou-se consideravelmente

O saldo comercial da UE em grafite natural passou de -43,8 milhões EUR em 2015 para -75,6 milhões EUR em 2025, uma deterioração de 72,7%. Concomitantemente, a dependência líquida de importações subiu de 69,7% para 77,5%.

1.3. As importações cresceram em valor apesar de uma ligeira queda em volume

Indicador (Importações) 2015 2025 Variação
Valor (EUR) 64.719.658 92.319.070 +42,6%
Quantidade (t) 74.454 67.184 -9,8%
Preço médio (EUR/t) 869 1.374 +58,1%

O facto de o valor das importações ter crescido 42,6% enquanto o volume diminuiu 9,8% revela um aumento expressivo do preço médio de importação (de 869 EUR/t para 1.374 EUR/t). Este fenómeno sugere uma combinação de fatores: aumento dos custos globais da grafite, desvio para fornecedores mais distantes e, possivelmente, uma evolução para grafite de maior qualidade (e preço).

Para mais detalhes: Visão geral do comércio.

1.4. A intensidade comercial da UE atingiu níveis máximos

A intensidade comercial subiu de 82,9% em 2015 para 92,7% em 2025, indicando que a esmagadora maioria do grafite consumido na UE passou por transações internacionais. Simultaneamente, a propensão exportadora cresceu de 37,2% para 63,2%, sugerindo que a UE, apesar de importar mais, também passou a reexportar uma fração crescente sob a forma de produtos transformados ou semi-transformados.


2. Reconfiguração geográfica: novos fornecedores e destinos de exportação

2.1. A China consolidou-se como fornecedor dominante, mas novos atores ganharam relevância

Os principais fornecedores de grafite natural à UE apresentaram dinâmicas muito distintas entre 2015 e 2025:

Parceiro Importações 2015 (EUR) Importações 2025 (EUR) Variação
China 30.445.490 40.049.219 +31,5%
Brasil 11.250.341 11.633.790 +3,4%
Madagáscar 1.887.309 16.516.332 +775,1%
Noruega 5.015.106 5.570.090 +11,1%
Moçambique 654.390 1.599.770 +144,5%
Ucrânia 3.065.467 775.933 -74,7%

A China manteve-se como o maior fornecedor, com 40,0 milhões EUR em 2025. Contudo, o crescimento mais espetacular verificou-se em Madagáscar (+775,1%), que passou de 1,9 milhões EUR para 16,5 milhões EUR, tornando-se o segundo maior fornecedor da UE em 2025. Moçambique também registou um crescimento significativo (+144,5%). Estes dois países africanos tornaram-se atores-chave no fornecimento de grafite à UE, possivelmente refletindo investimentos recentes em exploração mineira no continente africano para servir a procura europeia de matérias-primas críticas.

Em contraste, Ucrânia viu as suas exportações para a UE descerem 74,7% (de 3,1 milhões EUR para 0,8 milhões EUR), uma evolução que pode estar relacionada com o conflito armado iniciado em 2022.

Para mais detalhes: Principais parceiros por valor.

2.2. As exportações da UE redirecionaram-se para mercados emergentes

As exportações da UE de grafite natural apresentaram uma evolução igualmente dinâmica:

Destino Exportações 2015 (EUR) Exportações 2025 (EUR) Variação
Turquia 598.975 2.493.169 +316,2%
Índia 749.133 2.578.147 +244,2%
Reino Unido 1.024.751 2.643.411 +158,0%
Estados Unidos 1.052.260 1.884.086 +79,1%
China 728.331 1.287.332 +76,8%
Coreia do Sul 2.133.971 764.196 -64,2%
Rússia 3.217.978 318.660 -90,1%

A Rússia passou do maior destino de exportação da UE em 2015 (3,2 milhões EUR) para praticamente irrelevante em 2025 (0,3 milhões EUR, -90,1%), refletindo claramente as sanções e a rutura das relações comerciais após 2022. Coreia do Sul também registou uma queda acentuada (-64,2%). Em compensação, destinos como Turquia (+316,2%), Índia (+244,2%) e Reino Unido (+158,0%) ganharam proeminência, sugerindo uma reorientação das exportações europeias para mercados de rápido crescimento industrial.

2.3. A concentração das importações diminuiu, refletindo a diversificação de fornecedores

O Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) para as importações por valor desceu de 3.037 para 2.465 (-18,8%), indicando uma redução da concentração. Apesar de a China continuar dominante, o crescimento de fornecedores africanos (Madagáscar, Moçambique) contribuiu para uma ligeira diversificação das fontes de abastecimento. O HHI das exportações também desceu de 1.209 para 976 (-19,3%), confirmando uma maior dispersão dos destinos de exportação.

2.4. A Alemanha é o principal importador e exportador intra-UE

No contexto intra-UE, os dados dos principais declarantes revelam que:

  • Alemanha lidera tanto em importações (28,1 milhões EUR em 2025, +15,5%) como em exportações (8,1 milhões EUR, +39,4%).
  • Polónia registou um crescimento excecional nas importações: de 5,7 milhões EUR para 24,4 milhões EUR (+329,6%), tornando-se o segundo maior importador da UE.
  • Eslováquia praticamente eliminou as suas exportações (-100%), passando de 11,0 milhões EUR para apenas 2.242 EUR — uma mudança drástica que pode refletir a reestruturação industrial ou a perda de capacidade de processamento.
  • Hungria apresentou crescimentos extraordinários tanto nas importações (+3.398%, embora de base muito baixa) como nas exportações (+1.469%), possivelmente ligados ao desenvolvimento de uma indústria de baterias no país.

3. Preços, volatilidade e segmentação do produto

3.1. Os preços de importação e exportação divergiram drasticamente

Uma das dinâmicas mais marcantes do período é a divergência entre a evolução dos preços de importação e exportação:

Indicador 2015 2025 Variação
Preço médio de importação (EUR/t) 869 1.374 +58,1%
Preço médio de exportação (EUR/t) 4.298 2.043 -52,5%

Os preços de importação quase duplicaram, refletindo a pressão global sobre os preços das matérias-primas críticas e o custo crescente de obter grafite de fornecedores mais distantes. Em contraste, os preços de exportação caíram mais de metade, o que pode indicar uma mudança na composição do que é exportado (mais grafite bruto e menos produtos transformados) ou uma pressão competitiva nos mercados de destino.

3.2. A segmentação do produto revela padrões distintos entre pó/escamas e outras formas

Os dois subprodutos apresentam dinâmicas muito diferentes:

Importações por subproduto:

Segmento Volume 2015 (t) Volume 2025 (t) Valor 2025 (EUR) Preço médio 2025 (EUR/t)
250410 — Em pó ou em escamas 71.401 64.884 87.010.584 1.341
250490 — Outra grafite natural 3.053 2.300 5.308.486 2.302

O segmento 250410 (pó ou escamas) domina esmagadoramente as importações, representando a grande maioria do volume e do valor. O seu preço médio subiu de 836 EUR/t (2015) para 1.341 EUR/t (2025), um aumento de 60%.

Exportações por subproduto:

Segmento Volume 2015 (t) Volume 2025 (t) Valor 2025 (EUR) Preço médio 2025 (EUR/t)
250410 — Em pó ou em escamas 4.342 5.426 14.163.457 2.608
250490 — Outra grafite natural 530 2.753 2.559.795 930

Nas exportações, o segmento 250490 cresceu significativamente em volume (de 530 para 2.753 toneladas), embora o seu preço médio tenha caído acentuadamente (de 2.828 EUR/t para 930 EUR/t). O segmento 250410 manteve volumes de exportação relativamente estáveis com preços mais elevados.

Para uma comparação detalhada dos segmentos: Comparação de segmentos.

3.3. Choques de preço pontuais identificam vulnerabilidades específicas

A análise de volatilidade e choques de abastecimento detetou três eventos significativos nas exportações da UE:

Parceiro Tipo de choque Período Variação anual Peso no valor
China Preço (exportações) 2019 +78,4% 12,5%
Turquia Preço (exportações) 2022 +46,5% 16,6%
Índia Preço (exportações) 2022 +21,1% 10,3%

O choque de preço de exportação para a China em 2019 (com um grau de anormalidade de 14,6) e para a Turquia e Índia em 2022 sugerem episódios de pressão de procura ou disrupções de abastecimento que conduziram a aumentos súbitos de preço.

No que diz respeito à volatilidade contínua, os parceiros com maior coeficiente de variação (CV) nas importações incluem a Noruega (CV = 1,66), o Japão (CV = 1,03) e a Coreia do Sul (CV = 1,01), indicando fluxos de importação particularmente erráticos com estes parceiros.

3.4. A especialização produtiva intra-UE concentra-se num pequeno número de Estados-Membros

Os dados de especialização revelam uma distribuição muito desigual da capacidade de processamento de grafite na UE:

Estado-Membro RCA RSCA Quota na produção UE
Áustria 3,05 0,506 10,1%
Países Baixos 2,21 0,376 32,0%
Bélgica 1,89 0,309 16,0%
Chequia 1,70 0,260 8,2%
Alemanha 1,45 0,183 30,7%

Cinco Estados-Membros (Áustria, Países Baixos, Bélgica, Chequia e Alemanha) detêm virtualmente toda a capacidade de processamento de grafite da UE, com RSCA positivos que indicam vantagem comparativa revelada. A maioria dos restantes Estados-Membros apresenta RSCA próximo de -1,0, refletindo uma dependência quase total das importações ou de reexportações intra-UE.


Conclusão

O período 2015–2025 foi marcado por uma transformação estrutural do mercado europeu de grafite natural. Os principais resultados podem sintetizar-se em três eixos:

  1. Crescente dependência externa: A produção interna da UE contraiu-se (-17,8% em volume, -46,7% em valor), enquanto a dependência líquida de importações subiu de 69,7% para 77,5%. A UE tornou-se significativamente mais vulnerável a disrupções no fornecimento externo.

  2. Reconfiguração geográfica: A China consolidou a sua posição como principal fornecedor, mas parceiros africanos — em particular Madagáscar e Moçambique — emergiram como fontes crescentes de abastecimento. Do lado das exportações, a Rússia praticamente desapareceu como destino, sendo substituída por mercados como a Turquia, a Índia e o Reino Unido. A concentração diminuiu ligeiramente, mas a estrutura de fornecimento continua dominada por poucos atores.

  3. Pressão sobre preços e riscos de abastecimento: Os preços de importação aumentaram 58,1% (de 869 para 1.374 EUR/t), enquanto os preços de exportação caíram 52,5%, sugerindo uma erosão da posição da UE na cadeia de valor. Foram detetados choques de preço significativos em 2019 e 2022, e a volatilidade dos fluxos com determinados parceiros é elevada.

No contexto da classificação da grafite como matéria-prima crítica pela Comissão Europeia, estes dados sublinham a necessidade estratégica de investir na diversificação de fornecedores, no reforço da capacidade produtiva europeia e na criação de stocks estratégicos para garantir a segurança do abastecimento industrial da UE.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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