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Evolução do mercado: Minérios de manganês (CN 2602) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) de minérios de manganês e seus concentrados (posição aduaneira CN 2602), abrangendo o período entre 2015 e 2025. Este minério é uma matéria-prima essencial para a indústria siderúrgica e, crescentemente, para a produção de baterias de íon-lítio, sendo, portanto, um insumo estratégico para a economia europeia.

Ao longo da década analisada, o mercado europeu de manganês passou por transformações significativas: volumes importados sofreram forte contração, os preços praticamente triplicaram e as cadeias de abastecimento foram reconfiguradas. O quadro geral do comércio revela um déficit comercial persistente — a UE é estruturalmente importadora líquida — mas com indícios de maior autonomia no final do período.

O relatório organiza-se em três eixos de análise: (i) a evolução de preços e volumes no comércio externo; (ii) as alterações na estrutura geográfica dos parceiros comerciais e os choques de abastecimento; e (iii) a redução da dependência externa e o papel da produção interna europeia.


1. Preços em alta e volumes em queda: a compressão da procura europeia

1.1 A escalada dos preços de importação

Entre 2015 e 2025, o preço médio de importação de minério de manganês pela UE subiu de 116,80 €/t para 177,43 €/t, uma variação positiva de 51,9%. O pico foi atingido em 2022, quando os preços médios atingiram 245,44 €/t, refletindo tanto a recuperação pós-pandemia como os efeitos geopolíticos da invasão da Ucrânia sobre as cadeias globais de matérias-primas.

Ano (referência) Preço médio importação (€/t) Preço médio exportação (€/t)
2015 (primeiro) 116,80 65,42
Pico 245,44 268,91
2025 (último) 177,43 266,41
Variação 2015–2025 +51,9% +307,2%

Fonte: Quadro geral do comércio

1.2 A queda acentuada dos volumes importados

Se os preços subiram, os volumes desceram de forma ainda mais pronunciada. As importações passaram de 1.274.599 toneladas em 2015 para 673.944 toneladas em 2025, uma redução de 47,1%. O mínimo foi registado num ano intermédio, com apenas 544.881 toneladas. O valor total das importações caiu de 148,9 milhões € para 119,6 milhões € (−19,7%), o que indica que a subida dos preços compensou parcialmente, mas não totalmente, a redução dos volumes.

A combinação de preços mais altos e volumes mais baixos sugere uma dupla dinâmica:

  • Do lado da oferta, restrições produtivas e logísticas em países fornecedores;
  • Do lado da procura, uma possível substituição por outras ligas ou eficiências no consumo siderúrgico europeu.

1.3 Exportações residuais em clara contração

As exportações da UE de minério de manganês são sempre muito inferiores às importações, mas a sua evolução é notável. Os volumes exportados caíram de 231.274 toneladas para apenas 30.903 toneladas (−86,6%), enquanto o preço médio subiu de 65,42 €/t para 266,41 €/t (+307,2%). Isto sugere que a UE passou a exportar apenas quantidades residuais e de maior valor unitário — possivelmente concentrados de qualidade superior ou reaproveitamento de subprodutos industriais.


2. Reconfiguração das cadeias de abastecimento e choques de preço

2.1 O peso crescente de África na importação europeia

Os dois maiores fornecedores de minério de manganês à UE ao longo de todo o período são Gabão e África do Sul, que em 2025 representaram em conjunto mais de 86% do valor total das importações. Contudo, a evolução de cada um difere significativamente:

Parceiro Valor 2015 (M€) Valor 2025 (M€) Variação Pico (M€)
Gabão 61,2 45,8 −25,2% 127,3
África do Sul 49,4 57,6 +16,5% 111,3
Brasil 22,1 7,5 −66,3% 29,3
Ucrânia 2,5 3,1 +25,2% 6,3
Gana 1,6 1,6 −0,6% 3,1

Fonte: Principais parceiros por valor

Destaca-se o forte declínio das importações provenientes do Brasil (−66,3%) e do praticamente desaparecimento das importações do México (de 3,9 milhões € para 216 €). Por outro lado, as importações de África do Sul até cresceram ligeiramente, consolidando a sua posição. O declínio de Gabão entre o pico e 2025 pode refletir esgotamento de capacidade exportadora ou reorientação das exportações gabonesas para a Ásia.

2.2 Concentração crescente do mercado importador

O Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) das importações, que mede a concentração geográfica, subiu de 3.172 para 3.835 (+20,9%). Este aumento confirma que o mercado europeu de manganês se tornou mais dependente de menos fornecedores, com a África do Sul e Gabão a reforçarem o seu domínio. Do ponto de vista da concentração do mercado, valores de HHI acima de 2.500 indicam um mercado altamente concentrado — a UE encontra-se claramente nessa zona.

2.3 Choques de preço detectados: 2017 e 2022

A análise de volatilidade e choques identifica três eventos de choque relevantes:

Evento Tipo Fluxo Ano Desvio anómalo Variação preço Participação no valor
Gabão Preço Importação 2022 103,3 +43,2% 55,2%
Rússia Preço Exportação 2017 57,2 +1.290,2% 10,7%
África do Sul Preço Importação 2017 55,8 +77,1% 44,8%

O choque mais significativo em termos de impacto é o de Gabão em 2022: um desvio anómalo de 103,3 pontos, com os preços de importação a subirem 43,2% num único ano, afetando mais de metade do valor total das importações. Este evento coincide com a crise energética global e os distúrbios nas cadeias de transporte marítimo pós-COVID.

O choque de preços de exportação para a Rússia em 2017 (+1.290,2%) é o mais espetacular em termos percentuais, mas teve participação reduzida no valor total. Note-se que em 2025 as exportações para a Rússia caíram 99,5% face a 2015, refletindo provavelmente as sanções impostas após 2022.

Os fornecedores com maior volatilidade (coeficiente de variação mais elevado) incluem a Austrália (CV = 2,00) e a Costa do Marfim (CV = 1,93) nas importações, e a Federação Russa (CV = 2,50) e a China (CV = 1,76) nas exportações.


3. Autonomia europeia em construção: produção interna e redução da dependência

3.1 Queda da dependência de importações

Um dos dados mais relevantes do período é a redução da dependência líquida de importações: de 94,0% em 2015 para 73,9% em 2025, uma descida de 21,4 pontos percentuais. Este indicador, que mede a proporção das importações líquidas face ao consumo aparente, sugere que a UE está progressivamente a reduzir a sua exposição ao fornecimento externo.

A intensidade comercial acompanhou esta tendência, descendo de 96,4% para 84,7% (−12,1%), enquanto a propensão para exportar manteve-se relativamente estável (de 37,9% para 35,9%).

3.2 Expansão da produção europeia de manganês

A redução da dependência externa explica-se em grande parte pelo crescimento da produção interna europeia:

Indicador 2015 2025 Variação
Quantidade produzida 70,1 milhões kg 86,0 milhões kg +22,8%
Valor da produção 14,5 milhões € 40,0 milhões € +175,1%

A produção europeia cresceu em volume (+22,8%) mas sobretudo em valor (+175,1%), refletindo os preços mais elevados do minério e possivelmente uma maior quota de concentrados de alta qualidade. A produção atingiu o máximo de 116,2 milhões kg em algum ponto do período, antes de se situar nos 86 milhões kg em 2025.

3.3 Especialização desigual entre Estados-Membros

A análise da especialização revela uma heterogeneidade significativa no papel dos diferentes Estados-Membros na cadeia de valor do manganês:

Estado-Membro RSCA (2025) RCA (2025) Quota na produção
França 0,71 5,94 46,4%
Bélgica 0,35 2,10 17,8%
Países Baixos 0,34 2,02 29,3%
Dinamarca −0,62 0,23 0,4%
Alemanha −0,69 0,18 3,9%

A França destaca-se claramente como o membro mais especializado (RSCA = 0,71), controlando quase metade da produção europeia de manganês. Os Países Baixos e a Bélgica também apresentam vantagens comparativas reveladas (RCA > 1), provavelmente associadas às suas indústrias metalúrgicas e portuárias. Em contraste, a Alemanha — apesar de ser a maior economia da UE — apresenta um RSCA negativo de −0,69, indicando que o manganês não é um produto onde detém vantagem competitiva, embora participe significativamente no comércio como intermediária.


Conclusão

O mercado europeu de minérios de manganês (CN 2602) entre 2015 e 2025 caracterizou-se por três tendências dominantes: a escalada dos preços (+52% nas importações), a redução acentuada dos volumes comercializados (−47% nas importações, −87% nas exportações) e uma progressiva redução da dependência externa (de 94% para 74%).

A concentração do fornecimento em poucos parceiros — sobretudo Gabão e África do Sul — reforçou-se ao longo da década, tornando a UE mais vulnerável a choques de abastecimento específicos, como o observado em 2022. Simultaneamente, a produção europeia cresceu significativamente em valor, embora ainda represente uma fração modesta do consumo total.

Os preços do minério de manganês tornaram-se substancialmente mais voláteis, com os importadores europeus a enfrentarem múltiplos episódios de choque de preços, particularmente em 2017 e 2022. A reconfiguração geopolítica pós-2022, com a quase eliminação das exportações para a Rússia, e a crescente competição asiética por fornecedores africanos, apontam para a necessidade de a UE diversificar activamente as suas fontes de abastecimento e, simultaneamente, investir na expansão da capacidade produtiva interna para garantir a segurança do acesso a esta matéria-prima crítica.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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