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Evolução do mercado: Silicones (CN 3910) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) para o código aduaneiro 3910 — silicones em formas primárias — ao longo do período 2015–2025. As silicones são materiais poliméricos com aplicações transversais nos setores da construção, eletrónica, automóvel, saúde e cosmética, sendo um produto estratégico para a indústria europeia. A análise centra-se nas dinâmicas de importação, exportação, parceiros comerciais, estrutura de mercado e vulnerabilidades emergentes, com base nos dados disponíveis no EU Trade Dashboard.


1. O déficit comercial agravou-se apesar da convergência de preços

1.1. Défice comercial alargado para mais de 320 milhões de euros

A UE manteve ao longo de todo o período um défice estrutural no comércio de silicones com países terceiros. O saldo comercial (valor CIF) passou de -168,0 milhões EUR em 2015 para -321,7 milhões EUR em 2025, agravando-se em 91,5%. O valor mínimo registado foi de -762,0 milhões EUR (provavelmente em 2021 ou 2022, anos de choques de preço e procura), reflectindo um pico de pressão importadora.

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Importações (valor, M EUR) 564,9 880,4 +55,8%
Exportações (valor, M EUR) 396,9 558,6 +40,7%
Saldo comercial (M EUR) -168,0 -321,7 -91,5%

Fonte: Dados gerais de comércio

1.2. Os preços impulsionaram o valor das transações, mas o volume das exportações recuou

Uma dinâmica fundamental deste mercado é o papel dominante da evolução dos preços no crescimento nominal. Entre 2015 e 2025:

  • O preço médio de exportação subiu de 4.828 EUR/t para 7.458 EUR/t (+54,5%), reflectindo inflação de custos, mas também uma eventual componente de valor acrescentado mais elevado.
  • O preço médio de importação subiu de 4.180 EUR/t para 5.151 EUR/t (+23,2%), a um ritmo inferior, o que sugere pressão competitiva crescente das origens asiáticas.
  • O volume exportado decresceu de 82.214 t para 74.885 t (-8,9%), enquanto o volume importado cresceu de 135.149 t para 170.907 t (+26,5%).
Métrica 2015 2025 Variação (%)
Preço exportação (EUR/t) 4.828 7.458 +54,5%
Preço importação (EUR/t) 4.180 5.151 +23,2%
Volume exportações (t) 82.214 74.885 -8,9%
Volume importações (t) 135.149 170.907 +26,5%

Fonte: Dashboard — visão geral

A combinação de volumes de exportação em recuo com volumes de importação em crescimento sustentado indica uma pressão competitiva estrangeira crescente, a qual o diferencial de preços (com as exportações europeias a cotações mais elevadas) não compensou em termos de quota de mercado externa.

1.3. A produção europeia diminuiu em volume, mas valorizou-se em termos de valor

A produção industrial da UE (dados PRODCOM) mostra que o volume produzido de silicones baixou de 731.034 toneladas (2015) para 700.000 toneladas (2025), uma redução de 4,2%. No entanto, o valor de produção subiu de 2.364 milhões EUR para 3.278 milhões EUR (+38,7%), com um pico de 4.041 milhões EUR no período intermédio.

Esta aparente contradição — menos volume, mais valor — é sintomática de dois fenómenos: (i) a inflação de custos de matérias-primas e energia, elevando o valor unitário de produção; e (ii) uma eventual reorientação do mix produtivo europeiro para silicones de maior valor acrescentado (especiais ou de alto desempenho), mantendo a rentabilidade apesar da perda de volume.


2. A reconfiguração geográfica das origens de importação

2.1. A China emergiu como a grande fornecedora de crescimento

A transformação mais marcante deste período reside na evolução das principais origens de importação. A China registou o maior crescimento entre os parceiros de importação: de 21,2 milhões EUR em 2015 para 147,7 milhões EUR em 2025, um aumento de 595,1%. O valor máximo atingido foi de 424,0 milhões EUR, sugerindo um pico acentuado, possivelmente em 2021–2022.

Outros fornecedores asiáticos registaram crescimentos também significativos:

Parceiro (importações) 2015 (M EUR) 2025 (M EUR) Variação (%)
China 21,2 147,7 +595,1%
Japão 36,1 120,7 +234,8%
Tailândia 4,6 20,4 +341,2%
Coreia do Sul 11,2 21,1 +87,5%
Canadá 11,2 25,0 +123,5%

Fonte: Parceiros — importações

A Tailândia, em particular, passou de 4,6 milhões EUR para 20,4 milhões EUR — um crescimento de 341% — reflectindo provavelmente a expansão de capacidade asiática e o posicionamento competitivo de preços mais baixos.

2.2. O Reino Unido consolidou-se como parceiro bilateral dominante, mas perdeu quota

O Reino Unido manteve-se, ao longo de todo o período, o principal parceiro da UE em silicones, tanto em importações como em exportações. No entanto, o seu peso relativo retraiu:

  • Importações do Reino Unido: de 260,6 M EUR (2015) para 230,4 M EUR (2025), uma redução de 11,6%. Este parceiro representava a maior quota individual no início do período, mas a sua posição foi relativamente erodida pela ascensão asiática.
  • Exportações para o Reino Unido: de 91,0 M EUR para 77,2 M EUR (-15,1%).

A posição do Reino Unido como intermediário comercial da UE (nomeadamente via Bélgica e Países Baixos) é aqui relevante, mas o seu peso absoluto em regressão sugere uma reconfiguração — a UE a importar cada vez mais silicone diretamente de Ásia em vez de via o Reino Unido.

2.3. A Rússia desapareceu enquanto destino de exportação

Uma dinâmica fortemente vincada é o desaparecimento das exportações para a Rússia: de 18,4 milhões EUR em 2015 para apenas 31.203 EUR em 2025 (-99,8%). Este colapso é claramente atribuível às sanções comerciais impostas pela UE à Rússia desde 2022, no contexto do conflito Rússia-Ucrânia. O valor máximo registado de 31,2 M EUR indica que a Rússia chegou a ser um destino significativo para exportações europeias de silicones.

Estas exportações redirecionaram-se parcialmente para a Turquia (30,4 M EUR em 2025), que pode ter funcionado como rota alternativa, embora as exportações para a Turquia tenham uma volatilidade moderada (CV: 0,22).

2.4. Os Estados Unidos consolidaram-se como destino de exportação de topo

As exportações para os EUA mais do que duplicaram, de 40,6 M EUR para 98,2 M EUR (+142,1%), com valor máximo de 141,6 M EUR. O EUA ascendeu à posição de segundo maior destino de exportação da UE, atrás apenas do Reino Unido — tendência que reflecte a procura industrial norte-americana e possivelmente a vantagem competitiva europeia em segmentos especializados.

Já as importações norte-americanas situaram-se em 286,2 M EUR em 2025 (+39,8% vs. 2015), mantendo-se como terceiro maior fornecedor extra-UE.


3. Redução da concentração, mas aumento da vulnerabilidade importadora

3.1. O mercado de importação tornou-se significativamente mais diversificado

O Índice Herfindahl-Hirschman (HHI), que mede a concentração das fontes de importação, registou uma queda acentuada:

Indicador 2015 2025 Variação (%)
HHI importações (valor) 3.507 2.232 -36,4%
HHI importações (volume) 6.070 3.228 -46,8%
HHI exportações (valor) 933 894 -4,2%

Fonte: Concentração — HHI

A queda de 36,4% no HHI das importações é particularmente significativa e reflecte a ascensão de múltiplos fornecedores asiáticos (China, Japão, Tailândia, Coreia do Sul), que diversificaram uma base previamente mais concentrada no Reino Unido e nos EUA. A concentração das exportações permaneceu estável e baixa, sugerindo que os destinos de exportação da UE já eram diversificados de forma natural.

3.2. Choques de preço em 2022 evidenciam fragilidade do comércio UE-Reino Unido

A análise de eventos de choque detectou três anomalias relevantes, todas ocorridas em 2022:

Entidade Tipo Fluxo Anomalia (σ) Variação (%) Valor (%)
Reino Unido Preço Exportações 49,0 +54,1% 22,3%
Egipto Preço Exportações 11,9 +81,5% 1,2%
UAE Preço Exportações 9,2 +117,8% 3,4%

O choque no comércio com o Reino Unido, com um nível de anomalia de 49 desvios-padrão e uma subida de preço de 54,1%, é de longe o evento mais marcante do período. É consistente com os efeitos combinados do Brexit (desalinhamento regulatório e fricções alfandegárias pós-2021), da crise energética europeia de 2022 (elevando custos de produção) e dos distúrbios nas cadeias de abastecimento globais.

3.3. A dependência líquida de importações agravou-se modadamente

O grau de dependência líquida de importações passou de 8,1% em 2015 para 10,7% em 2025 (+31,3%), com uma amplitude que incluiu valores negativos (excendente temporário, mínimo de -16,2%) e máximos de quase 16%.

Paralelamente, dois indicadores de autonomia comercial mostram a crescente internacionalização deste mercado:

Indicador 2015 2025 Variação (%)
Dependência líquida de importações (%) 8,1 10,7 +31,3%
Intensidade comercial (%) 25,1 36,8 +46,7%
Propensão para exportar (%) 10,6 18,0 +69,8%

A propensão para exportar da UE cresceu quase 70%, com um score de saliência de 101,8, o mais elevado entre os indicadores analisados. A indústria europeia de silicones tornou-se mais exportadora em termos relativos, o que, combinado com um volume de exportação em queda (-8,9%), implica que a produção total (interna + exportada) diminuiu — reforçando a leitura de que a UE perdeu quota de mercado global em volume, mesmo que exporte uma fração crescente daquilo que produz.

3.4. Especialização produtiva europeia: Bélgica, França e Países Baixos na liderança

Os indicadores de vantagem comparativa revelada (RCA) para 2025 mostram que a produção de silicones na UE está fortemente concentrada:

Estado-Membro RCA RCA Simétrica Quota na produção (%)
Bélgica 3,41 0,546 28,8%
França 2,26 0,387 17,7%
Países Baixos 2,21 0,377 32,0%
Itália 1,00 -0,001 8,0%
Eslovénia 0,67 -0,199 0,7%

Fonte: Especialização — RCA

A Bélgica, a França e os Países Baixos apresentam valores de RCA claramente superiores a 1, confirmando especialização em silicones. Os Países Baixos lideram em quota de produção (32,0%), mas é a Bélgica que apresenta a especialização mais acentuada, com um valor RCA de 3,41. Esta concentração geográfica da produção — três Estados-Membros a representarem cerca de 78,5% da produção industrial — implica riscos de vulnerabilidade a choques localizados (logísticos, energéticos ou regulatórios).

Nas exportações por Estado-Membro, a Bélgica (138,4 M EUR), os Países Baixos (131,1 M EUR) e a França (121,5 M EUR) lideram — em linha com a sua base produtiva. Destaca-se o crescimento da Itália, que mais do que duplicou as suas exportações (+112,5%, de 34,6 M para 73,6 M EUR), consolidando-se como quarto maior exportador da UE.

No lado das importações, a Bélgica (242,6 M EUR), os Países Baixos (199,5 M EUR) e a Alemanha (128,7 M EUR) absorvem o grosso das entradas extra-UE — padrão coerente com o papel destes países enquanto hubs logísticos europeus.


Conclusão

O mercado europeu de silicones (CN 3910) entre 2015 e 2025 apresentou uma combinação de crescimento nominal sustentado em valor, erosão em volume de exportação e crescente dependência de fontes asiáticas de importação — com particular destaque para a China. O défice comercial agravou-se de forma significativa (de -168 M EUR para -322 M EUR), impulsionado pela divergência entre o crescimento acentuado das importações (em valor e volume) e o recuo do volume exportado, apesar do aumento significativo dos preços de exportação (+54,5%).

A reconfiguração geográfica é uma das tendências mais marcantes: a ascensão da China e do Japão como fornecedores, o colapso das exportações para a Rússia (sanções), e o crescimento das exportações para os EUA constituem os padrões mais visíveis. A concentração das fontes de importação reduziu-se acentuadamente (HHI -36,4%), o que, em princípio, reduz a exposição a um único fornecedor, mas a crescente intensidade comercial (36,8% em 2025) e a dependência líquida (10,7%) sugerem que a UE incorre num risco crescente a variações de preço e disrupções de oferta externas.

Os choques de preço em 2022 — nomeadamente no comércio com o Reino Unido — funcionam como alerta concreto dessas vulnerabilidades. A capacidade da indústria europeia em manter valor de produção crescente (apesar da queda de volume) é um sinal positivo de adaptação para segmentos de maior valor acrescentado, mas a trajetória de perda de volume produzido e exportado merece acompanhamento atento por parte das instâncias europeias de política industrial.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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