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Evolução do mercado: Contas de vidro (CN 7018) — 2015–2025

Introdução

Este relatório analisa a evolução do comércio da União Europeia (UE) com países terceiros para o produto CN 7018 no período de 2015 a 2025. Esta posição aduaneira abrange contas de vidro, imitações de pérolas e pedras preciosas, olhos de vidro (exceto de prótese), estatuetas ornamentais e microsferas de vidro (diâmetro ≤1 mm), excluindo bijuteria Escopo & Definições.

O período em análise foi marcado por choques estruturais no comércio global, incluindo a pandemia de COVID-19 e a subsequente reconfiguração das cadeias de abastecimento. Os dados revelam um padrão claro: a UE experienciou uma contração significativa das suas exportações, enquanto as importações se mantiveram relativamente estáveis, transformando a UE de um exportador líquido dominante para um mercado quase equilibrado.

Quebra estrutural nas exportações e mudança no equilíbrio comercial

A dinâmica mais marcante do período é o acentuado declínio das exportações da UE para o restante do mundo, contrastando com a resiliência das importações. Este movimento alterou profundamente a balança comercial do setor.

A dramática erosão do superávit comercial

Ao longo da década, o superávit comercial da UE em contas de vidro evoluiu de um valor robusto para uma posição quase de equilíbrio.

  • Valor das exportações: Caiu 34,7%, de 222,8 milhões EUR no primeiro período para 145,6 milhões EUR no último, atingindo um mínimo de 111,5 milhões EUR Vista Geral - Comércio.
  • Valor das importações: Apresentou um crescimento moderado de 7,0%, passando de 94,6 milhões EUR para 101,2 milhões EUR, com um pico de 134,7 milhões EUR.
  • Balança comercial: O superávit despenhou 65,4%, de 128,2 milhões EUR para apenas 44,3 milhões EUR, refletindo a convergência entre exportações e importações.

Mudança qualitativa: volumes estáveis, mas preços em queda

A análise segmentada por subprodutos revela que a queda nas exportações foi mais pronunciada em valor do que em quantidade, sugerindo uma pressão sobre os preços ou uma mudança para produtos de menor valor acrescentado.

Subproduto (CN) Variação Quantidade (Importação) Variação Valor (Importação) Variação Quantidade (Exportação) Variação Valor (Exportação)
701820 (Microsferas) +78,8% (36.034t → 64.458t) +71,6% +12,2% +115,5%
701810 (Contas/Imitações) +105,8% (1.890t → 3.888t) -31,8% -32,5% -38,8%
701890 (Olhos/Artigos) +29,7% (1.486t → 1.927t) +49,4% -86,8% -78,5%
Fonte: Segmentação de Produto (CN 701810, 701820, 701890)

Destaca-se a forte expansão das importações de microsferas de vidro (701820) tanto em volume como em valor, indicando uma possível especialização industrial ou procura setorial. Em contraste, as exportações do segmento de artigos e olhos de vidro (701890) desmoronaram quase totalmente.

Reconfiguração das parcerias comerciais e volatilidade geográfica

O mapa dos parceiros comerciais da UE para este produto sofreu alterações significativas, com a consolidação da China como fornecedor principal, o declínio de parceiros tradicionais e choques pontuais vinculados a eventos geopolíticos.

Ascensão chinesa e polarização do fornecimento

A concentração das importações aumentou, como indica a subida do Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) de valor de 1921 para 2693 Concentração - HHI.

  • China: Consolidou-se como a principal origem, com um crescimento de 37,5% no valor das importações (35,4M EUR → 48,7M EUR), e uma quota crescente.
  • Rússia: Apesar de uma queda de 23,9%, manteve-se uma fonte importante, embora com elevada volatilidade (CV=0,24).
  • Parceiras emergentes: Belarus (crescimento de 2344%) e Tunísia (crescimento de 1877%) surgiram como fornecedores com picos de atividade, mas com alta volatilidade.

Reorientação das exportações da UE: a queda no mercado norte-americano

As exportações da UE tornaram-se mais direccionadas para a Ásia e menos dependentes da América do Norte.

  • Estados Unidos: Sofreu a maior quebra, de -40,5% em valor (33,8M EUR → 20,1M EUR), perdendo a posição de principal destino das exportações da UE.
  • China: Emergiu como o principal destino das exportações, com um crescimento explosivo de 132,8% (11,0M EUR → 25,6M EUR).
  • Reino Unido: Permaneceu o parceiro europeu mais importante, mas com uma queda de 19,3%.

Choques de 2022: a guerra e os picos de preço

O ano de 2022 destaca-se na análise de volatilidade como um ano de choques significativos, provavelmente influenciados pela invasão da Ucrânia e pela subsequente crise energética. Foram detetados choques de preço anómalos Volatilidade & Choques:

  • Exportações para a Ucrânia: Aumento de preço de 121,9%.
  • Importações da Rússia: Aumento de preço de 28,9%.
  • Exportações para Marrocos: Aumento de preço de 63,5%.

Estes episódios refletem disrupções nos custos de energia e logística que afetaram a produção e o comércio de vidro.

Transformação da base produtiva e especialização interna da UE

O período assistiu a uma evolução divergente entre a produção física da UE, que cresceu, e o valor gerado, que decresceu, apontando para uma mudança competitiva dentro do bloco.

Crescimento em volume, mas erosão do valor

A produção industrial da UE (medida pelo PRODCOM) mostrou uma tendência de aumento de volume, mas de redução de valor Concentração - Volumes de Produção.

  • Quantidade produzida: Cresceu 42,2%, de 168,8 milhões kg para 240,0 milhões kg.
  • Valor da produção: Caiu 23,7%, de 628,8 milhões EUR para 480,0 milhões EUR.

Esta disparidade sugere uma fuga para a frente em termos de volume, possivelmente rentabilizando a capacidade instalada, mas num ambiente de preços praticados (médios) mais baixos ou numa mudança para gamas de produto de menor preço.

Concentração da especialização exportadora

A análise da Vantagem Comparativa Revelada Simétrica (RSCA) para 2025 indica que a especialização na exportação de contas de vidro está concentrada em poucos Estados-Membros, enquanto a maioria é altamente deficitária (Especialização dos Reporters).

  • Especialistas: A Grécia (RSCA=0,69) e, sobretudo, a França (RSCA=0,60; quota de 31,2% no valor de produção da UE) são os maiores especialistas. A República Checa, apesar de ver o seu superávit descer, mantém uma especialização significativa (RSCA=0,43).
  • Não especialistas: A maioria dos países, como Finlândia, Chipre e Estónia, apresentam RSCA negativo (inferior a -0,95), indicando uma posição importadora líquida muito pronunciada para este produto.

A evolução dos principais exportadores dentro da UE confirma esta concentração: a República Checa e Áustria viram as suas exportações cair drasticamente (-38,2% e -61,8%, respectivamente), enquanto a Bélgica registou um crescimento excecional de 6169,2%, tornando-se num actor relevante (Exportações por Países - Reporters).

Conclusão

O mercado europeu de contas de vidro (CN 7018) entre 2015 e 2025 passou por uma transformação estrutural. A principal narrativa é a de uma perda significativa de competitividade externa das empresas da UE, traduzida no desmoronamento das exportações (-35% em valor), que transformou a balança comercial de um superávit robusto para um virtual equilíbrio.

Esta evolução foi impulsionada por múltiplos fatores: a ascensão imparável da China como fornecedor e, surpreendentemente, como principal destino das exportações da UE; a forte desaceleração no mercado americano; e choques de preço em 2022 ligados à crise energética europeia. Internamente, a base produtiva da UE especializou-se numa estratégia de crescimento de volume, à custa de uma erosão do valor de produção.

O setor tornou-se mais concentrado e vulnerável no seu abastecimento (maior HHI nas importações), enquanto a capacidade exportadora afunilou-se geograficamente e em termos de especialização nacional. O futuro dependerá da capacidade da UE inverter esta trajetória de declínio relativo, navegar num ambiente geopolítico ainda conturbado e reencontrar vias para competir em segmentos de valor acrescentado.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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