Evolução do mercado: Ceras artificiais (CN 3404) — 2015–2025
Introdução
Este relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) para o código aduaneiro CN 3404 — "Ceras artificiais e ceras preparadas" — entre 2015 e 2025. A análise baseia-se exclusivamente nos dados fornecidos, abrangendo aspetos como fluxos comerciais, parceiros-chave, estrutura do mercado e volatilidade. O período em análise incluiu fases de crescimento, a interrupção provocada pela pandemia COVID-19, uma recuperação acentuada e, mais recentemente, uma estabilização com mudanças nos padrões de preços e fornecimento.
1. Crescimento Acentuado do Valor Comercial Impulsionado por Aumentos de Preço
O comércio de CN 3404 da UE com países terceiros registou um crescimento substancial em valor, superando significativamente o crescimento em volume, o que indica um aumento generalizado dos preços unitários ao longo do período.
O crescimento das exportações foi liderado por aumentos de preço, não de volume.
O valor total das exportações da UE para fora do bloco cresceu 47,0%, passando de 467 milhões de euros em 2015 para 686 milhões de euros no último ano disponível. Contudo, o volume exportado registou um crescimento marginal de apenas 0,8%. Esta disparidade é explicada por um aumento de 45,8% no preço médio de exportação, que subiu de 2 513 €/t para 3 664 €/t. O pico de valor (796 milhões €) e de preço (3 796 €/t) foi atingido em 2022, possivelmente refletindo perturbações na cadeia de abastecimento e pressões inflacionárias pós-pandemia e após o início do conflito na Ucrânia.
As importações cresceram ainda mais em valor e volume, estreitando a balança comercial.
O valor das importações da UE cresceu 55,9%, de 259 milhões € para 403 milhões €. Neste caso, o crescimento foi sustentado tanto por um aumento de 52,2% no volume (de 110 851 t para 168 705 t) como por uma ligeira subida de 2,4% no preço médio (de 2 332 €/t para 2 388 €/t). Consequentemente, o superávite comercial da UE (balança positiva) cresceu 36,0%, atingindo 284 milhões € no último ano, embora o seu valor máximo tenha sido 291 milhões € em 2022.
| Indicador (2015 vs. Último Ano) | Variação Percentual | Valor Inicial (2015) | Valor Final (Último Ano) |
|---|---|---|---|
| Valor Exportações | +47,0% | 467 M€ | 686 M€ |
| Volume Exportações | +0,8% | 185 815 t | 187 354 t |
| Preço Médio Exportações | +45,8% | 2 513 €/t | 3 664 €/t |
| Valor Importações | +55,9% | 259 M€ | 403 M€ |
| Volume Importações | +52,2% | 110 851 t | 168 705 t |
| Preço Médio Importações | +2,4% | 2 332 €/t | 2 388 €/t |
| Balança Comercial | +36,0% | 208 M€ | 284 M€ |
Fonte: Dados gerais de comércio.
2. Reconfiguração das Rotas de Fornecimento e Destinos de Exportação
A geografia do comércio de ceras artificiais da UE passou por uma transformação significativa, com a consolidação da China como principal fornecedor e o crescimento do comércio com parceiros asiáticos e orientais, por um lado, e a reorientação das exportações para mercados como China, Turquia e India, por outro.
A China tornou-se no parceiro de importação dominante, enquanto os fornecedores tradicionais perderam quota.
A China foi o parceiro que mais cresceu em termos de importações para a UE, com um aumento de 256,7% no valor (de 37 M€ para 133 M€). Em contraste, parceiros como os Estados Unidos (-16,9%), Indonésia (-22,1%) e Malásia (-10,6%) registaram quebras. Um crescimento notável e volátil foi o das importações originárias da Bielorrússia (+2 786,4%) e da Coreia do Sul (+211,3%). Este deslocamento sugere uma reconfiguração das cadeias de abastecimento globais, possivelmente impulsionada por custos e logística.
Os destinos de exportação da UE tornaram-se mais diversificados e focados em economias em crescimento.
Os três principais destinos — Reino Unido, China e Estados Unidos — viram as suas importações originárias da UE crescerem fortemente (67,3%, 106,1% e 89,7%, respetivamente). Contudo, o crescimento mais acentuado registou-se nas exportações para a Índia (+138,0%) e para a China, que se tornou no principal destino em valor. As exportações para a Rússia, em contrapartida, caíram 45,0%, refletindo possivelmente sanções ou desvios comerciais.
| Principais Parceiros de Importação (Valor) | Variação 2015-Último Ano | Principais Parceiros de Exportação (Valor) | Variação 2015-Último Ano |
|---|---|---|---|
| China | +256,7% | Reino Unido | +67,3% |
| Estados Unidos | -16,9% | China | +106,1% |
| Reino Unido | +13,9% | Estados Unidos | +89,7% |
| Coreia do Sul | +211,3% | Turquia | +46,3% |
| Bielorrússia | +2 786,4% | India | +138,0% |
Fonte: Dados por parceiro.
3. Estrutura de Mercado Estável com Crescente Especialização e Mudanças na Produção
O mercado demonstrou uma estrutura produtiva consolidada na UE, com forte especialização em alguns Estados-Membros, mas com sinais de alteração nos padrões de concentração das importações.
A Alemanha mantém a liderança como principal exportador da UE, mas outros Estados-Membros ganham relevância.
A Alemanha é, de longe, o maior exportador da UE de CN 3404, responsável por 36,5% do total das exportações do bloco em 2025. Outros Estados-Membros com especialização elevada (RCA > 1) incluem a Dinamarca (RCA=6,38), Bélgica (RCA=1,61) e Itália (RCA=1,14). Contudo, a Dinamarca, França e Itália registaram os maiores crescimentos nas suas exportações (103,6%, 279,0% e 153,5%, respetivamente), sugerindo uma ligeira desconcentração da base exportadora europeia.
A produção na UE cresceu fortemente em valor, acompanhando as tendências de preço.
A produção industrial de ceras artificiais na UE cresceu 40% em volume e 133% em valor entre o primeiro e o último ano da série. O pico de produção foi atingido em 2022, em linha com os picos de valor comercial. Isto indica que o setor produtivo europeu respondeu à procura elevada e aos preços mais altos.
A concentração das importações diminuiu, indicando maior diversificação das fontes de abastecimento.
O Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) para as importações, que mede a concentração, caiu 19,5%, de 2319 para 1865. Esta redução, apesar do crescimento da China, sugere que a UE diversificou as suas fontes de importação, incorporando fornecedores como Coreia do Sul e Bielorrússia. A concentração das exportações, por outro lado, aumentou 38,7%, refletindo a consolidação dos mercados de destino principais.
Conclusão
O período de 2015 a 2025 foi marcado por um crescimento robusto no valor comercial de ceras artificiais (CN 3404) da UE, impulsionado mais por aumentos de preço do que por crescimento de volume. A estrutura do mercado sofreu alterações significativas: a China consolidou-se como principal fornecedor, enquanto as exportações europeias se redirecionaram para mercados asiáticos em rápido crescimento como China, Turquia e Índia. Internamente, a UE manteve uma base produtiva forte, com especialização notável na Alemanha e nos países nórdicos, embora outros membros tenham ganho quota. Apesar da redução na concentração das importações, a UE continua a ser um exportador líquido significativo de ceras artificiais, com uma dependência das importações que diminuiu ao longo do período (de -24,3% para -20,1% em termos de confiança líquida nas importações), sugerindo uma autonomia relativa mas uma crescente integração nos comércios globais. A elevada volatilidade nos preços de exportação para certos parceiros como o Egipto e a Turquia destaca os riscos geopolíticos e de mercado neste setor.