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Evolução do mercado: Tapetes (CN 5702) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) relativamente ao código pautal 5702, que abrange tapetes e outros revestimentos para pavimentos de matérias têxteis, tecidos, não tufados nem flocados — incluindo tapetes tradicionais como Kelim, Schumacks, Karamanie e outros tecidos à mão. O período em análise (2015–2025) foi marcado por transformações estruturais profundas no setor, com a produção interna da UE a registar uma contração acentuada, o défice comercial a alargar-se significativamente e a composição dos parceiros comerciais a reconfigurar-se.

Visão geral do mercado no Trade Dashboard


1. Colapso da produção interna e viragem estrutural para a dependência das importações

A produção europeia de tapetes tecidos sofreu uma queda dramática

Os dados revelam uma redução devastadora da capacidade produtiva da UE neste segmento. A produção, medida em metros quadrados (m²), caiu de 125 593 364 m² em 2015 para apenas 36 000 000 m² em 2025, uma queda de 71,3%. Em termos de valor, a produção passou de 1 006 436 788 € para 510 000 000 €, uma redução de 49,3%. Estes números indicam um desinvestimento massivo na produção têxtil europeia de revestimentos para pavimentos, provavelmente impulsionado pela concorrência de custos de países terceiros e por mudanças nas cadeias de valor globais.

Evolução dos volumes de produção

A UE passou de exportador líquido a importador líquido

O indicador de dependência líquida de importações (net import reliance) ilustra de forma inequívoca esta transformação estrutural. Em 2015, a UE apresentava um valor de -36,6%, o que indicava uma posição de exportador líquido. Em 2025, este indicador situa-se nos 43,9%, refletindo uma dependência significativa das importações. A variação de +219,8% neste indicador ao longo da década é um dos dados mais relevantes de todo o período.

O défice comercial alargou-se de forma sustentada

A balança comercial da UE para o CN 5702 deteriorou-se drasticamente:

Ano Défice comercial (€)
2015 -87 634 831 €
2020 -341 630 966 € (estimado)
2025 -378 520 945 €

O défice passou de -87,6 milhões € para -378,5 milhões €, uma variação de -331,9%, evidenciando o aprofundamento da dependência externa. Esta evolução resulta da conjugação de dois movimentos: o crescimento das importações em valor (+49,3%, de 498 M€ para 744 M€) e a simultânea contração das exportações (-11,0%, de 411 M€ para 366 M€).

Indicadores de vulnerabilidade e dependência


2. Reconfiguração dos parceiros comerciais e consolidação de fornecedores emergentes

A Turquia mantém-se como principal fornecedor, mas com quotas oscilantes

A Turquia (Türkiye) continua a ser o principal fornecedor externo da UE, com importações a passarem de 220,7 M€ (2015) para 297,8 M€ (2025), uma variação de +34,9%. No entanto, a sua quota de mercado relativa diminuiu face ao crescimento mais acelerado de outros fornecedores. A Turquia atingiu um pico de 377,7 M€ em importações, sugerindo flutuações significativas associadas a fatores cambiais e geopolíticos.

Índia e China registaram os maiores crescimentos absolutos

A Índia consolidou a sua posição como segundo maior fornecedor, com importações a crescerem de 119,3 M€ para 196,9 M€ (+65,0%). A China, por sua vez, registou o crescimento mais expressivo em termos percentuais, passando de 45,2 M€ para 104,5 M€ (+131,2%), consolidando-se como o terceiro maior fornecedor. Estes dados sugerem uma diversificação das cadeias de abastecimento da UE em direção a fornecedores asiáticos de baixo custo.

Parceiro (importações) 2015 (€) 2025 (€) Variação (%)
Türkiye 220 747 081 297 810 067 +34,9%
Índia 119 323 148 196 917 500 +65,0%
China 45 191 234 104 472 961 +131,2%
Egipto 43 429 730 53 388 192 +22,9%
Bangladesh 9 841 678 19 664 911 +99,8%
Ucrânia 1 440 609 10 351 525 +618,6%
Moldávia 5 551 736 9 296 403 +67,5%

Principais parceiros de importação

A Ucrânia e a Moldávia surgem como fornecedores de nicho com crescimento excecional

A Ucrânia registou um crescimento de 618,6% (de 1,4 M€ para 10,4 M€) e a Moldávia de 67,5% (de 5,6 M€ para 9,3 M€). Estes números, ainda que em valores absolutos modestos, refletem a integração comercial destes países com a UE e a reconfiguração das cadeias de abastecimento europeias, potencialmente acelerada pelo contexto geopolítico pós-2022.

Os mercados de destino das exportações da UE reconfiguraram-se

No lado das exportações, a reconfiguração é igualmente significativa:

Parceiro (exportações) 2015 (€) 2025 (€) Variação (%)
Estados Unidos 123 046 792 68 851 733 -44,0%
Reino Unido 67 000 505 74 184 228 +10,7%
Suíça 32 956 409 45 017 039 +36,6%
Noruega 22 093 545 28 793 402 +30,3%
Arábia Saudita 12 794 233 2 761 938 -78,4%
Japão 14 047 244 9 347 669 -33,5%
Marrocos 3 251 809 12 652 635 +289,1%

Os EUA, principal destino das exportações da UE, registaram uma queda de 44,0%, passando de 123 M€ para 69 M€. Em contraste, os mercados europeus vizinhos (Suíça, Noruega, Reino Unido) mantiveram-se ou cresceram. A Arábia Saudita apresentou a maior queda (-78,4%), enquanto Marrocos surgiu como destino crescente (+289,1%).

Principais parceiros de exportação

A concentração das importações diminuiu ligeiramente, refletindo diversificação

O índice de concentração HHI (Herfindahl-Hirschman Index) das importações em valor diminuiu de 2 715 para 2 577 (-5,1%), indicando uma ligeira diversificação das fontes de abastecimento. O HHI das exportações desceu de 1 356 para 1 102 (-18,7%), sugerindo uma maior dispersão dos mercados de destino. No entanto, os valores continuam a indicar uma concentração moderada, particularmente no lado das importações.


3. Transformação do mix de produtos: valorização, volumes decrescentes e diferenciação

O preço unitário das exportações subiu significativamente, apesar da queda de volumes

Uma das tendências mais marcantes do período é a divergência entre volumes e preços nas exportações da UE. Enquanto a quantidade exportada em toneladas caiu de 64 867 t para 39 569 t (-39,0%), o preço médio por tonelada subiu de 6 333 €/t para 9 238 €/t (+45,9%). Em metros quadrados, o padrão é idêntico: os volumes caíram de 34,6 M m² para 22,3 M m² (-35,4%), mas o preço por m² subiu de 11,89 €/m² para 16,38 €/m² (+37,8%). Este padrão sugere que os produtores europeus se estão a posicionar em segmentos de maior valor acrescentado, abandonando gradualmente a competição em preço com fornecedores asiáticos.

As importações cresceram em volume, mas com preços por m² em ligeira descida

Em contraste, as importações em metros quadrados cresceram de 69,0 M m² para 116,8 M m² (+69,2%), mas o preço médio por m² desceu de 7,22 €/m² para 6,36 €/m² (-11,9%). Esta combinação confirma que o crescimento das importações se concentra em produtos de menor preço unitário, provavelmente de produção industrial em países de custos mais baixos. Note-se que o preço por tonelada das importações subiu marginalmente (+9,9%), o que indica que os produtos importados tenderam a tornar-se mais pesados (possivelmente com materiais mais densos ou embalagens mais robustas).

Os segmentos de sintéticos e artificiais dominam as importações, enquanto a lã sobe nas exportações

Analisando a decomposição por segmento de produto, o subproduto 570242 (de matérias têxteis sintéticas ou artificiais, com estrutura de felpo) domina claramente as importações, representando a maioria dos volumes. Em 2025, as importações deste subproduto atingiram 116 182 toneladas e 394,7 M€.

Do lado das exportações, os subprodutos de lã ou pelos finos (570231 e 570241) apresentam preços unitários significativamente mais elevados. O subproduto 570231 registou um preço de exportação de 16 705 €/t em 2025, muito acima da média. Isto confirma a aposta europeia em segmentos premium, com especial destaque para:

  • Tapetes de lã (570231): exportações estáveis em volume (~4 500 t) mas com valor crescente, atingindo 75,7 M€ em 2025
  • Tapetes sintéticos (570242): queda acentuada de exportações, de 41 347 t para 18 331 t (-55,7%)
  • Revestimentos sem estrutura de felpo (570250): relativa estabilidade, com preços de exportação a subirem de 6 787 €/t para 9 799 €/t

A volatilidade dos fluxos comerciais varia significativamente por parceiro

Os indicadores de volatilidade (coeficiente de variação) revelam padrões distintos:

  • Exportações para a Arábia Saudita: CV de 1,66 — a volatilidade mais elevada de todos os parceiros, consistente com a queda de 78,4% observada
  • Exportações para a Rússia: CV de 0,55, refletindo instabilidade possivelmente ligada a sanções
  • Importações da Ucrânia: CV de 0,41, indicando flutuações significativas num parceiro de rápido crescimento
  • Importações da Turquia: CV de 0,13 — relativa estabilidade num fornecedor dominante

Foram detetados eventos de choque significativos, com destaque para choques de preço nas importações da Índia (2022, com uma subida de preço de 15,3% e uma quota de valor de 32,1%) e da China (2022, com 17,6% de subida), possivelmente relacionados com disrupções nas cadeias de abastecimento pós-COVID e aumentos dos custos de transporte marítimo.


Conclusão

A análise do comércio da UE relativamente ao código pautal 5702 entre 2015 e 2025 revela uma transformação estrutural profunda do setor. A produção interna europeia de tapetes tecidos contraiu-se de forma dramática (-71,3% em volume), conduzindo a uma viragem histórica: a UE passou de exportador líquido a importador líquido, com o défice comercial a atingir os 378,5 milhões € em 2025.

Este processo de deslocalização produtiva não foi uniforme. Enquanto a Turquia se manteve como parceiro comercial dominante, a China (+131,2%) e a Índia (+65,0%) registaram os maiores crescimentos, consolidando a preponderância asiática no fornecimento de produtos de menor custo. Simultaneamente, os produtores europeus parecem ter reorientado a sua estratégia para segmentos de maior valor acrescentado, particularmente tapetes de lã e pelos finos, cujos preços de exportação se situam entre os mais elevados da categoria.

A crescente intensidade comercial da UE neste setor (trade intensity a atingir 90,5% em 2025), combinada com a volatilidade detetada em fornecedores chave e os choques de preço de 2022, sugerem que a exposição externa da UE neste mercado continuará a ser um fator de atenção estratégica nos próximos anos.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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