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Evolução do mercado: Sopas e caldos (CN 2104) — 2015–2025

Introdução

O código CN 2104 abrange duas categorias de produtos alimentícios: preparações para caldos e sopas, caldos e sopas preparados (CN 210410) e preparações alimentícias compostas homogeneizadas (CN 210420). Entre 2015 e 2025, o comércio externo da União Europeia neste setor registou transformações profundas: as exportações cresceram 30,7 % em valor, enquanto as importações recuaram 18,3 %, consolidando a UE como exportador líquido cada vez mais relevante. Este relatório analisa as principais dinâmicas observadas ao longo da década, organizadas em três eixos: o fortalecimento da posição exportadora líquida, a reconfiguração geográfica dos fluxos comerciais e a divergência estrutural entre os dois subprodutos que compõem a posição.


1. A UE consolida-se como exportador líquido dominante no setor

Ao longo do período analisado, a União Europeia reforçou significativamente a sua posição como exportador líquido de sopas, caldos e preparações homogeneizadas. O saldo comercial quase duplicou, a produção interna cresceu de forma robusta e a propensão exportadora — a fração da produção nacional destinada a mercados externos — aumentou de forma expressiva.

1.1 O saldo comercial quase duplicou, sustentado por exportações crescentes e importações em queda

O comércio externo da UE com países terceiros apresentou tendências opostas nas duas direções:

Indicador 2015 2025 Variação
Exportações (valor) 338,4 M€ 442,3 M€ +30,7 %
Exportações (volume) 114 760 t 133 973 t +16,7 %
Exportações (preço médio) 2 949 €/t 3 302 €/t +12,0 %
Importações (valor) 129,9 M€ 106,2 M€ −18,3 %
Importações (volume) 36 678 t 25 056 t −31,7 %
Importações (preço médio) 3 541 €/t 4 237 €/t +19,7 %
Saldo comercial 208,6 M€ 336,2 M€ +61,2 %

A queda nas importações foi tanto de volume (−31,7 %) como de valor (−18,3 %), mas o recuo do volume foi mais acentuado, uma vez que os preços de importação subiram 19,7 % — reflexo, em parte, de uma composição de produto alterada e de pressões inflacionárias no período pós-pandemia. Do lado das exportações, o crescimento foi sustentado tanto por maiores quantidades como por preços mais elevados, evidenciando um ganho real de competitividade e/ou uma subida na gama de valor dos produtos exportados.

Destaque-se ainda que as importações atingiram o valor mínimo de 86,8 M€ (provavelmente em 2021, após o Brexit) e o máximo de 188,0 M€ (provavelmente em 2019), enquanto as exportações oscilaram entre 332,8 M€ e 445,2 M€, sugerindo uma trajetória mais estável do lado exportador.

1.2 A produção interna cresceu mais de 30 % e a propensão exportadora duplicou em termos relativos

A produção da UE de sopas, caldos e preparações homogeneizadas registou um crescimento substancial ao longo da década:

Indicador de produção 2015 2025 Variação
Volume 1 219 767 t 1 589 789 t +30,3 %
Valor 3 675,6 M€ 5 173,7 M€ +40,8 %

O valor da produção cresceu mais do que o volume (+40,8 % versus +30,3 %), o que indica um aumento do preço médio de produção de, aproximadamente, 3 014 €/t para 3 255 €/t (+8,0 %).

Simultaneamente, os indicadores de vulnerabilidade e autonomia revelam uma crescente orientação internacional do setor:

Indicador 2015 2025 Variação
Dependência líquida de importações −2,4 % −7,0 %
Intensidade comercial 7,4 % 10,4 % +40,7 %
Propensão exportadora 4,9 % 8,6 % +73,8 %

A dependência líquida de importações, que já era negativa em 2015 (−2,4 %), tornou-se significativamente mais negativa em 2025 (−7,0 %), confirmando que a UE reforçou a sua posição de exportador líquido. A propensão exportadora, que mede a fração da produção doméstica vendida para fora da UE, quase duplicou em termos relativos, passando de 4,9 % para 8,6 % — a dinâmica de maior destaque entre os indicadores estruturais do setor. A pontuação de saliência confirma que a propensão exportadora (115,2 pontos) é o indicador estrutural que mais se destacou no período, ultrapassando a intensidade comercial (80,3 pontos).

1.3 Os Estados-Membros mais especializados não são necessariamente os maiores exportadores

A especialização do setor na UE apresenta um padrão interessante em 2025: os países com maior vantagem comparativa revelada (RCA) não são os maiores em termos absolutos de produção ou exportações.

País membro RSCA RCA Quota na produção da UE Quota nas exportações da UE
Eslováquia 0,653 4,769 0,10 % 2,11 %
Roménia 0,556 3,499 0,06 % 1,67 %
Portugal 0,474 2,799 0,04 % 1,38 %
Espanha 0,302 1,867 10,82 % 5,79 %
Chipre 0,233 1,608 <0,01 % 0,03 %

A Eslováquia, com um RSCA de 0,653, é o Estado-Membro mais especializado neste setor, mas representa apenas uma fração mínima da produção e do comércio da UE. A Espanha, por sua vez, combina uma especialização moderada (RSCA 0,302) com uma quota significativa na produção (10,8 %), tornando-se o principal motor exportador em termos absolutos — como se verá na secção seguinte.

No extremo oposto, a Irlanda (RSCA −0,927) e a Bulgária (RSCA −0,924) são os mercados menos especializados, com taxas de vantagem comparativa próximas de zero, o que sugere uma estrutura de comércio dominada por importações e/ou produção muito reduzida.


2. Reconfiguração geográfica: o Brexit, o crescimento em África e a diversificação das trocas

O período 2015–2025 foi marcado por uma profunda reconfiguração dos parceiros comerciais da UE no setor de sopas e caldos. O Reino Unido, principal parceiro em ambas as direções, perdeu peso significativo nas importações da UE, ao mesmo tempo que mercados africanos e norte-americanos ganharam relevância como destinos de exportação. A Rússia, outrora um dos principais mercados de destino, praticamente desapareceu do mapa exportador europeu.

2.1 O Reino Unido permanece como principal parceiro, mas as importações da UE provenientes do RU colapsaram

Os principais parceiros de importação da UE revelam uma mudança estrutural:

Parceiro 2015 2025 Variação
Reino Unido 61,5 M€ 30,6 M€ −50,3 %
Suíça 34,0 M€ 23,8 M€ −29,8 %
Japão 3,4 M€ 12,5 M€ +267,1 %
Tailândia 4,9 M€ 6,3 M€ +29,8 %
Turquia 5,2 M€ 5,9 M€ +12,6 %
China 2,0 M€ 3,2 M€ +59,5 %
Sérvia 1,2 M€ 2,7 M€ +126,6 %

O Reino Unido era, em 2015, responsável por quase metade das importações da UE neste setor (47,3 % do total). Em 2025, essa quota caiu para 28,8 %, apesar de o RU se manter como o principal fornecedor. Note-se que o valor máximo das importações provenientes do RU foi de 104,6 M€ (provavelmente em 2019), o que evidencia uma queda ainda mais acentuada a partir do ponto de viragem. Este colapso é consistente com o impacto do Brexit, que a partir de 1 de janeiro de 2021 introduziu barreiras alfandegárias, verificações sanitárias e requisitos documentais adicionais ao comércio alimentar entre a UE e o RU.

O Japão destaca-se como o parceiro com maior crescimento relativo (+267,1 %), passando de 3,4 M€ para 12,5 M€. A Sérvia também cresceu de forma significativa (+126,6 %), refletindo provavelmente a integração progressiva dos Balcãs Ocidentais nas cadeias de abastecimento alimentar da UE.

2.2 Mercados africanos e norte-americanos impulsionam o crescimento das exportações

Os principais parceiros de exportação da UE sofreram uma transformação ainda mais visível:

Parceiro 2015 2025 Variação
Reino Unido 156,6 M€ 171,8 M€ +9,7 %
Burkina Faso 8,4 M€ 25,7 M€ +207,0 %
Estados Unidos 7,5 M€ 24,4 M€ +224,3 %
R.D. do Congo 5,0 M€ 13,2 M€ +165,0 %
Suíça 16,3 M€ 20,3 M€ +24,5 %
Somália 4,9 M€ 8,3 M€ +70,1 %
Rússia 12,8 M€ 2,8 M€ −78,0 %

Três dinâmicas sobressaem:

  1. O crescimento exponencial das exportações para África subsariana. O Burkina Faso (+207 %), a R.D. do Congo (+165 %) e a Somália (+70,1 %) tornaram-se mercados de destino cada vez mais relevantes. Este padrão pode refletir uma combinação de fatores: ajuda humanitária e programas alimentares da UE, crescimento da procura por alimentos prontos em mercados urbanos africanos, e/ou a expansão de multinacionais europeias do setor alimentar nestes mercados.

  2. O crescimento robusto das exportações para os Estados Unidos (+224,3 %), que passaram do sexto para o terceiro maior mercado de destino, com 24,4 M€ em 2025. A proximidade cultural no consumo de sopas preparadas e a crescente procura de produtos alimentares europeus no mercado norte-americano poderão explicar esta tendência.

  3. O colapso das exportações para a Rússia (−78,0 %), de 12,8 M€ para apenas 2,8 M€. A queda é particularmente pronunciada a partir de 2022, em resultado direto das sanções económicas impostas pela UE após a invasão da Ucrânia, e transformou a Rússia de um dos principais mercados num parceor residual.

2.3 A concentração das trocas diminui significativamente, sinalizando diversificação

O índice Herfindahl-Hirschman (HHI) confirma a tendência de diversificação:

HHI (por valor) 2015 2025 Variação
Importações 2 982 1 626 −45,5 %
Exportações 2 286 1 677 −26,6 %
HHI (por volume) 2015 2025 Variação
Importações 3 114 1 428 −54,1 %
Exportações 1 909 1 076 −43,7 %

A queda do HHI nas importações (−45,5 % por valor, −54,1 % por volume) é particularmente acentuada e reflete a deslocação do peso do Reino Unido e da Suíça, substituídos por um leque mais diversificado de fornecedores. No lado das exportações, a redução do HHI (−26,6 % por valor) reflete a redistribuição do crescimento para mercados como Burkina Faso, EUA e R.D. do Congo, que antes tinham um peso marginal.

2.4 Choques pontuais de preço em parceiros periféricos, mas a volatilidade concentra-se em mercados vulneráveis

A análise de volatilidade revela que os parceiros com maior volatilidade (coeficiente de variação) são, na sua maioria, mercados periféricos ou em desenvolvimento:

Parceiro Fluxo CV Observação
Ucrânia Importações 0,928 Conflito armado desde 2022
Guiné Exportações 0,943 Mercado pequeno e instável
Sérvia Importações 0,777 Choque de preço em 2020 (+81,2 %)
Rússia Exportações 0,605 Colapso pós-sanções

Os eventos de choque mais significativos detetados foram:

Parceiro Tipo Ano Desvio Quota no valor
Sérvia Preço (importação) 2020 +81,2 % 2,6 %
Gana Preço (exportação) 2022 +47,9 % 1,6 %
Noruega Preço (exportação) 2023 +17,8 % 3,6 %

Estes choques são pontuais e dizem respeito a parceiros com quotas de mercado reduzidas, pelo que o seu impacto sistémico é limitado. A volatilidade elevada da Ucrânia nas importações reflete claramente a interrupção das cadeias de abastecimento provocada pelo conflito armado, mas a quota deste parceiro no total das importações da UE é reduzida.

Os parceiros principais (Reino Unido, Suíça, Turquia, Tailândia) apresentam coeficientes de variação moderados (entre 0,13 e 0,40), o que sugere relações comerciais relativamente estáveis nos segmentos de maior peso.

No lado das exportações, o Reino Unido (CV 0,108) e a Suíça (CV 0,081) são os destinos mais estáveis, reforçando a sua importância como âncoras do comércio exportador da UE.


3. Dois subprodutos, dois percursos: a divergência entre caldos/sopas e preparações homogeneizadas

A posição CN 2104 engloba dois subprodutos com trajetórias comerciais radicalmente diferentes ao longo da década. O CN 210410 (preparações para caldos e sopas, caldos e sopas preparados) é o segmento dominante e o motor do crescimento exportador. O CN 210420 (preparações alimentícias compostas homogeneizadas, que incluem preparações para alimentação infantil) registou um colapso dramático nas importações a partir de 2020, revertendo uma tendência de crescimento pré-Brexit.

3.1 O CN 210410 é o motor do comércio externo europeu, com crescimento sustentado em ambas as direções

O segmento de sopas, caldos e preparações para sopas (CN 210410) apresentou a seguinte evolução:

Exportações (CN 210410):

Ano Volume (t) Valor (M€) Preço (€/t)
2015 88 587 244,4 2 758
2017 91 382 247,3 2 706
2019 96 036 254,0 2 645
2020 113 002 281,6 2 492
2021 107 760 266,3 2 471
2022 102 222 287,0 2 807
2023 99 690 316,6 3 176
2024 105 850 340,2 3 214
2025 109 938 337,2 3 067
Variação 2015–2025 +24,1 % +38,0 % +11,2 %

As exportações do CN 210410 cresceram em volume e em preço, com o valor total a aumentar 38,0 % ao longo da década. O volume de exportação atingiu o pico de 113 002 t em 2020 — possivelmente impulsionado por uma procura acrescida de produtos alimentares prontos durante a pandemia — antes de estabilizar em torno de 105 000–110 000 t nos anos seguintes. O preço médio de exportação recuperou fortemente a partir de 2022, refletindo a inflação nos custos de produção e/ou uma valorização do mix de produtos.

Importações (CN 210410):

Ano Volume (t) Valor (M€) Preço (€/t)
2015 32 506 94,7 2 913
2017 30 363 110,1 3 627
2019 34 047 119,3 3 503
2020 31 760 114,5 3 606
2021 23 029 81,2 3 528
2022 24 050 90,5 3 761
2023 22 573 91,6 4 057
2024 23 717 98,6 4 158
2025 23 250 100,2 4 311
Variação 2015–2025 −28,5 % +5,9 % +47,9 %

Nas importações do CN 210410, o volume caiu 28,5 % mas o valor manteve-se praticamente estável (+5,9 %), graças a um aumento de 47,9 % no preço médio. Esta evolução sugere que a UE passou a importar menos quantidade, mas de maior valor unitário — um padrão consistente com uma seletividade crescente dos fornecedores ou com a importação de produtos de gama mais elevada. A quebra de 2019 para 2021 (de 34 047 t para 23 029 t) coincide com o impacto combinado da pandemia e do Brexit.

3.2 O CN 210420 registou um colapso nas importações sem precedentes, revertendo uma tendência de crescimento

O segmento de preparações alimentícias compostas homogeneizadas (CN 210420) — que inclui, designadamente, preparações para alimentação infantil — apresentou uma evolução radicalmente diferente:

Importações (CN 210420):

Ano Volume (t) Valor (M€) Preço (€/t)
2015 4 172 35,2 8 436
2016 5 353 47,0 8 774
2017 6 156 61,5 9 997
2018 6 293 67,5 10 722
2019 6 688 68,7 10 278
2020 4 391 36,4 8 299
2021 1 492 5,5 3 710
2022 1 902 6,7 3 497
2023 1 504 4,4 2 954
2024 2 117 5,7 2 704
2025 1 806 5,9 3 285
Variação 2015–2025 −56,7 % −83,2 % −61,1 %

Os números são inequívocos: as importações de CN 210420 colapsaram entre 2019 e 2021, caindo de 6 688 t / 68,7 M€ para 1 492 t / 5,5 M€ — uma redução de 77,7 % em volume e de 92,0 % em valor. O preço médio de importação desabou de 10 278 €/t (2019) para 3 710 €/t (2021), e continuou a descer até 2 704 €/t (2024), antes de uma ligeira recuperação em 2025.

O ponto de viragem (2020–2021) coincide com dois eventos estruturais: a pandemia de COVID-19 e a entrada em vigor do Acordo de Comércio e Cooperação UE-RU (1 de janeiro de 2021). Dado que o Reino Unido era provavelmente o principal fornecedor destas preparações para a UE (o RU é um dos maiores produtores mundiais de preparações para alimentação infantil, com marcas como a Cow & Gate e a Aptamil), as novas barreiras alfandegárias e sanitárias impostas pelo Brexit terão tido um impacto desproporcionado neste subproduto, que é particularmente sensível a requisitos de rotulagem, segurança alimentar e rastreabilidade.

Exportações (CN 210420):

Ano Volume (t) Valor (M€) Preço (€/t)
2015 26 173 94,1 3 594
2019 32 174 115,2 3 582
2021 21 301 83,9 3 940
2025 24 036 105,1 4 375
Variação 2015–2025 −8,2 % +11,7 % +21,7 %

Do lado das exportações, o CN 210420 apresentou uma trajetória mais moderada: o volume recuou ligeiramente (−8,2 %), mas o preço subiu 21,7 %, resultando num crescimento do valor total de 11,7 %. A recuperação do volume após o mínimo de 2021 (21 301 t) para 24 036 t em 2025 sugere que os exportadores europeus se reorientaram para novos mercados de destino, compensando parcialmente a perda do comércio intra-europeu com o RU.

3.3 A quota do CN 210410 nas importações cresceu significativamente face ao CN 210420

A mudança na estrutura do comércio por subproduto é bem visível na evolução das quotas:

Quota nas importações 2015 2019 2021 2025
CN 210410 (sopas/caldos) 72,9 % 63,4 % 93,6 % 94,4 %
CN 210420 (homogeneizados) 27,1 % 36,4 % 6,4 % 5,6 %
Quota nas exportações 2015 2019 2021 2025
CN 210410 (sopas/caldos) 72,2 % 68,8 % 76,0 % 76,2 %
CN 210420 (homogeneizados) 27,8 % 31,2 % 24,0 % 23,8 %

Nas importações, o CN 210420 passou de 27,1 % do valor total em 2015 para apenas 5,6 % em 2025. O CN 210410 passou a dominar quase totalmente as importações da UE (94,4 %). Nas exportações, a composição é mais estável, com o CN 210410 a manter uma quota entre 69 % e 76 % ao longo do período.

A variação dos preços médios entre os dois subprodutos merece destaque: em 2015, o CN 210420 importado a um preço médio de 8 436 €/t era significativamente mais caro do que o CN 210410 (2 913 €/t), refletindo provavelmente o carácter premium das preparações para alimentação infantil. Em 2025, essa diferença reduziu-se drasticamente (3 285 €/t versus 4 311 €/t), sugerindo uma alteração fundamental na composição das importações de CN 210420 — possivelmente com a entrada de fornecedores de menor custo ou uma reclassificação parcial dos produtos.


Conclusão

O período 2015–2025 transformou o setor de sopas, caldos e preparações homogeneizadas na UE de forma substancial. A União Europeia consolidou a sua posição como exportador líquido, com o saldo comercial a crescer de 208,6 M€ para 336,2 M€ (+61,2 %), sustentado por uma produção interna em expansão (+30,3 % em volume) e por uma propensão exportadora que quase duplicou em termos relativos.

A reconfiguração geográfica dos fluxos comerciais foi uma das marcas mais visíveis do período. O colapso das importações provenientes do Reino Unido (−50,3 %) — especialmente no segmento de preparações homogeneizadas (CN 210420), onde as importações da UE caíram 83,2 % em valor — constitui a mudança estrutural mais significativa, com o Brexit a exercer um impacto profundo e duradouro. Em paralelo, mercados como o Burkina Faso (+207 %), os Estados Unidos (+224,3 %) e a R.D. do Congo (+165 %) surgiram como novos motores do crescimento exportador, enquanto a Rússia praticamente desapareceu do mapa exportador europeu (−78,0 %) no contexto das sanções pós-2022.

A concentração das trocas diminuiu significativamente, tanto do lado das importações como das exportações, refletindo uma diversificação saudável das relações comerciais. No entanto, a volatilidade permanece elevada em parceiros periféricos, e os choques de preço detetados (Sérvia em 2020, Gana em 2022) reforçam a necessidade de monitorização contínua dos mercados de menor dimensão.

Internamente, a Espanha emergiu como o principal motor exportador da UE (+83,0 % para 155,8 M€), ultrapassando largamente a França, a Itália e os Países Baixos. Esta consolidação, aliada ao crescimento de países como a Croácia (+74,8 %) e ao recuo dos Países Baixos (−55,8 %) e da Polónia (−53,6 %), sugere uma reconfiguração do mapa produtivo europeu dentro do próprio bloco.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

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