Explorar dados em tempo real

Evolução do mercado: Pilhas e baterias (CN 8506) — 2015–2025

Introdução

O presente relatório analisa a evolução do comércio externo da União Europeia (UE) no setor de pilhas e baterias de pilhas elétricas (posição aduaneira CN 8506) ao longo do período 2015–2025. Esta posição engloba diversos subprodutos, desde as pilhas tradicionais de dióxido de manganês (850610) até as baterias de lítio (850650), passando por pilhas de óxido de prata (850640), de ar-zinco (850660), de óxido de mercúrio (850630), bem como outras categorias e partes. A análise baseia-se exclusivamente nos dados fornecidos e procura identificar as principais dinâmicas estruturais, os reequilíbrios geográficos e as transformações tecnológicas que marcaram este setor numa década marcada pela transição energética e por choques geopolíticos.


1. A viragem estrutural: de exportador líquido a importador dependente

A evolução mais marcante do período é a inversão radical da posição comercial da UE. Em 2015, a UE apresentava uma dependência líquida de importações de -33,9% (ou seja, era exportadora líquida), valor que em 2025 atingiu +12,3%, consolidando-se como importadora líquida de pilhas e baterias (dependência líquida de importações).

1.1. A queda acentuada das exportações em volume

Apesar de o valor das exportações ter crescido 43,8% (de €514,5 milhões para €739,8 milhões), a quantidade exportada desceu drasticamente de 136 225 toneladas para 50 138 toneladas, uma queda de 63,2% (dados gerais de comércio). Este aparente paradoxo explica-se pela transformação da cesta exportadora: a UE deixou de exportar grandes volumes de pilhas de baixo valor unitário e passou a exportar quantidades menores, mas de valor unitário muito superior — designadamente baterias de lítio e outros produtos de especialidade. O preço médio de exportação subiu de €3 776/tonelada para €14 749/tonelada (+290,6%).

1.2. O crescimento consistente das importações em volume

Em contraste, as importações cresceram tanto em valor como em volume: o valor passou de €808,7 milhões para €1 104,8 milhões (+36,6%), enquanto a quantidade subiu de 126 102 toneladas para 146 220 toneladas (+16,0%). O preço médio de importação apresentou um aumento mais moderado, de €6 413/tonelada para €7 555/tonelada (+17,8%), refletindo a manutenção de um volume significativo de importações de pilhas de manganês, de menor valor unitário, provenientes sobretudo da China.

1.3. O agravamento do défice comercial

O saldo comercial da UE com países terceiros deteriorou-se de -€294,2 milhões em 2015 para -€365,0 milhões em 2025, uma piora de 24,1% (saldo comercial). Este défice reflete a crescente procura interna de baterias de lítio e a incapacidade da produção europeia em acompanhar a procura, apesar dos esforços recentes de industrialização.


2. A ascendência chinesa e a reconfiguração geográfica dos parceiros

2.1. A China como fornecedor dominante

A China consolidou-se de forma inequívoca como o principal fornecedor de pilhas e baterias à UE. As importações provenientes da China passaram de €314,7 milhões em 2015 para €618,2 milhões em 2025, um crescimento de 96,4% (principais parceiros de importação). A quota da China no total das importações extra-UE aumentou significativamente, e o índice de concentração HHI das importações subiu de 2 151 para 3 441 (+60,0%), indicando uma concentração crescente num número mais reduzido de fornecedores, com a China a assumir um peso cada vez mais dominante (concentração HHI).

2.2. O impacto do Brexit no comércio com o Reino Unido

O Reino Unido apresentou um padrão dual: enquanto destino de exportações da UE, cresceu de €165,0 milhões para €221,4 milhões (+34,2%), consolidando-se como o principal mercado de exportação da UE. Contudo, como fornecedor à UE, as importações caíram de €103,9 milhões para €49,5 milhões (-52,3%). Esta queda é consistente com as barreiras comerciais introduzidas pelo Brexit e com a reconfiguração das cadeias de abastecimento europeias, que passaram a privilegiar fornecedores intra-UE ou asiáticos.

2.3. Redirecionamento das exportações europeias para os EUA e a Suíça

Do lado das exportações, os Estados Unidos tornaram-se o segundo maior destino, com um crescimento de 87,4% (de €78,3 milhões para €146,8 milhões). A Suíça apresentou o maior crescimento relativo entre os principais parceiros, com +123,6% (de €22,9 milhões para €51,2 milhões). Estas dinâmicas sugerem uma reorientação das exportações europeias para mercados de elevado poder de compra, em consonância com a subida do valor unitário dos produtos exportados (principais parceiros de exportação).

2.4. Colapso das exportações para a Rússia e crescimento para a Ucrânia

As exportações para a Federação Russa praticamente desapareceram, passando de €43,6 milhões para apenas €1,4 milhões (-96,8%), refletindo diretamente o impacto das sanções internacionais impostas após 2022. Em contraste, as exportações para a Ucrânia cresceram 432,1% (de €5,3 milhões para €28,0 milhões), possivelmente associadas à reconstrução e ao apoio humanitário e militar da UE ao país.


3. A transição tecnológica: do manganês ao lítio

3.1. O domínio persistente do dióxido de manganês nas importações

As pilhas de dióxido de manganês (850610) continuaram a representar o maior segmento em volume de importação. Em 2025, foram importadas 108 881 toneladas deste produto (vs. 77 565 toneladas em 2015, +40,3%), com um valor de €467,1 milhões. Em unidades, o crescimento foi de 2 001 milhões para 3 735 milhões de unidades. Contudo, o preço médio por unidade desceu de €0,18 para €0,13, evidenciando a natureza commodity deste segmento e a pressão competitiva dos produtores asiáticos (segmentação por produto — importações).

3.2. A ascensão das baterias de lítio

O segmento das baterias de lítio (850650) foi o que mais cresceu em valor. As importações passaram de €302,5 milhões para €481,5 milhões (+59,2%), com o volume a subir de 8 358 toneladas para 19 038 toneladas (+127,8%). Em unidades, o crescimento foi de 546 milhões para 977 milhões de unidades. Este crescimento reflete a procura crescente de baterias de lítio para dispositivos eletrónicos, veículos elétricos e armazenamento de energia, impulsionada pela transição energética e pela digitalização. Do lado das exportações, o valor das baterias de lítio saídas da UE cresceu de €130,4 milhões para €247,1 milhões (+89,5%), o que sugere que a UE está a desenvolver uma capacidade de exportação crescente neste segmento de alto valor.

3.3. O declínio dos segmentos tradicionais de especialidade

As pilhas de óxido de prata (850640) e de ar-zinco (850660) apresentaram evoluções mistas. As importações de óxido de prata mantiveram-se estáveis em volume (~175 toneladas em 2025 vs. 1 159 em 2015), mas o valor unitário disparou significativamente, refletindo a crescente especialização e escassez destas pilhas. As importações de ar-zinco caíram de 3 495 toneladas para 497 toneladas (-85,8%), sugerindo uma redução drástica da procura deste tipo de pilhas, provavelmente substituídas por alternativas mais eficientes. As pilhas de óxido de mercúrio (850630) mantiveram volumes residuais, coerente com as restrições ambientais aplicáveis a este tipo de produto.

3.4. A transformação da produção europeia

Os dados de produção europeia evidenciam uma transformação radical: a quantidade produzida caiu 28,8% (de 6 383 milhões para 4 544 milhões de unidades), mas o valor da produção aumentou de forma exponencial, de €47,0 milhões para €4 021 milhões (produção por volume e valor). Este aparente paradoxo — menos unidades, mas valor muito superior — reflete a passagem de uma produção dominada por pilhas de baixo valor (manganês) para uma produção crescentemente centrada em baterias de lítio de elevado valor unitário. A Bélgica, com um índice de especialização (RSCA) de 0,49 e uma RCA de 2,91, e a Polónia (RSCA de 0,40, RCA de 2,33) surgem como os Estados-Membros mais especializados na exportação deste setor (especialização dos Estados-Membros).


Conclusão

O período 2015–2025 foi, para o setor das pilhas e baterias na UE, uma década de transformação estrutural profunda. Três dinâmicas principais dominaram a evolução do mercado: (i) a inversão da posição comercial, com a UE a passar de exportadora líquida a importadora dependente, sobretudo da China; (ii) a reconfiguração geográfica dos parceiros comerciais, marcada pela consolidação chinesa, pelo impacto do Brexit nas relações com o Reino Unido, pelo colapso do comércio com a Rússia e pelo crescimento das exportações para os EUA e a Suíça; e (iii) a transição tecnológica do manganês para o lítio, que transformou tanto a cesta de importações como a estrutura produtiva europeia. Apesar dos avanços na produção europeia de baterias de lítio — evidenciados pela explosão do valor de produção — a dependência externa em volume e a concentração das importações em poucos fornecedores representam vulnerabilidades estratégicas que as iniciativas europeias em matéria de autonomia industrial, designadamente o Regulamento sobre Baterias e os projetos de gigafábricas, procuram colmatar.

Gerado em 2026-08-09. Os valores refletem os dados do Eurostat no momento da geração e não incluem revisões posteriores.

Gerado automaticamente: este relatório destina-se a acelerar, e não a substituir, a análise humana.

Se precisar de aconselhamento sobre a política comercial europeia, ou de representação dos seus interesses em Bruxelas, contacte-me através do endereço support@tradedashboard.eu. Encontrará o meu CV neste endereço.